21 de Agosto de 2017 - 9h30

A origem do terrorismo actual

Zillah Branco *

As nações europeias que, atravez da Nato participaram nas agressões promovidas pelos Estados Unidos aos países do Oriente Médio, do Norte da Àfrica, passaram a receber os milhões de foragidos tornados emigrantes como recurso à sobrevivência. A questão foi vista como humanitária até que a avalanche de problemas de acolhimento começou a ser entendida como econômica e financeira pelas nações mais ricas - Alemanha, Inglaterra e França.


A Grécia e a Itália, apesar de mais pobres, sofrem como portos os primeiros impactos da chegada dos que sobrevivem aos afogamentos no mar Mediterraneo e no Egeu e defendem nas praias a sua economia, criando campos de refugiados que lhes permitem esquecer a sensibilidade ao apelo humanitário daquele quadro de horrores, deixando-os abandonados aos assaltos criminosos.

A partir de 2016 todo o território da União Europeia assumiu esta farsa de solidariedade com os que fogem aos problemas das guerras por eles criados em submissão à política imperialista norte-americana. A criação do grupo terrorista "Estado Islâmico" (cujo nascimento é atribuido aos Estados Unidos) passou a actuar directamente sobre as sociedades mais ricas que exibem a sua liberdade no enriquecido sistema turístico que disfarça os problemas das suas populações empobrecidas com festivais grandiosos, programas milionários de férias, exibição de falsa alegria promovida por sons ensurdecedores e uma cultura imposta pela mídia para ocultar a realidade sob a imagem mentirosa e degradante da felicidade de cada um acima das possibilidades de sobrevivência dos humanos trucidados.

Este filme, que mascara uma criminosa verdade, visível para quem observa com os próprios sentidos e julga éticamente, atraiu o ódio de adolescentes que se tornaram terrorista formados pela escola imperialista. São muitos, das sociedades destruidas por mísseis, mas também os das que os recebem, alheios à realidade tenebrosa, transformados em alegres robôs de uma falsa cultura. Os atentados se multiplicam em Paris, Londres, Madri, agora em Barcelona, matando inocentes, que são vitimados como as populações inocentes dos países ricos em petróleo que atraíram a cobiça imperialista.

Por outro lado, em Portugal, consumido pelos fogos devastadores da sua floresta transformada em eucaliptos para exportação por governos de direita que tentaram destruir a revolução de 1974, são detidos mais de 70 criminosos que atearam as chamas por razões várias de "mente fragilizada", confessadas ou não. Os loucos foram produzidos pelo sistema do capital que transforma a vida social numa venda de produtos, as leis em normas contabilísticas, os cidadãos em números, as mentes em depósito de ilusões. Os fogos ocorrem devido à secura do ar, aos ventos oscilantes, às pontas de cigarros dos distraídos ou loucos ou prestadores de serviços aos terroristas que querem derrotar nas próximas eleições quem hoje governa com preocupações democráticas e os que lutam ao lado dos bombeiros.

As notícias que a mídia internacional oculta, circula pelas redes de comunicação na internet traduzindo as mentiras e filmes de um turismo feliz que enriquece os donos do capital, para uma população que no mundo inteiro quer preservar as futuras gerações da alienação forjada pela "polícia do planeta", para que cresça consciente da necessidade de salvar a humanidade. Lemos no blog Opera Mundi, com informações da ANSA:

"De acordo com dados compilados pelo Nation Institute e pelo Center for Investigative Reporting e publicados em 22 de junho, simpatizantes da extrema-direita cometeram quase o dobro de ataques em solo norte-americano do que extremistas islâmicos entre os anos de 2008 e 2016.

O relatório contabilizou um total de 201 incidentes terroristas domésticos no período, sendo que 115 deles foram cometidos por seguidores de ideologias de direita, tanto os chamados defensores da "supremacia branca" quanto militantes patrióticos e neonazistas.

Outros 63 foram motivados por ideologia política teocrática aventada por grupos como o Estado Islâmico (EI). Dezenove casos registrados no período foram cometidos por organizações que seriam de extrema-esquerda, incluindo ativistas do meio ambiente, de direitos humanos e anarquistas.

Esses atos da extrema-direita são, em sua maioria, episódios de violência e agressão, que geram mortos ou feridos, e vandalismo de propriedades públicas ou privadas. Dos 63 episódios de terrorismo islâmico identificados pela pesquisa, 75% deles foram frustados pela polícia, ou seja, não ocorreram, e 13% provocaram mortes. Entre os casos de ataques da extrema-direita, apenas 35% conseguiram ser prevenidos, o que totaliza 79 mortes no período (índice de fatalidade em 30%) e comprova uma falta de atenção do sistema de segurança para este problema.

Nos atentados islâmicos, o balanço é de 90 vítimas - número maior apenas devido ao tiroteio em Fort Hood, no Texas, que deixou 13 mortos e 32 feridos em 2009.

"Os EUA são a pátria do fundamentalismo, que nasceu no território americano no século 20 e se espalhou pelo mundo, inclusive para o Oriente Médio. Mas, nos EUA, esse fundamentalismo criou uma ponte ideológica-política", disse o historiador e especialista em Relações Internacionais Sidney Ferreira Leite, da Faculdades Belas Artes.

"Usualmente, vemos homens brancos que começam a atirar contra as pessoas na rua, ou grandes atentados como o de Oklahoma", afirmou, referindo-se ao ataque de 1995 cometido pelo ex-soldado neonazista Timothy McVeigh que deixou 168 mortos e 850 feridos.
Organizações

A ONG Southern Poverty Law Center (SPLC), que monitora grupos de ódio nos EUA, contabiliza 917 organizações extremistas em atividade hoje no país. Elas se dividem em vários níveis e segmentos, como os supremacistas brancos (que acreditam na superioridade da raça branca e são xenófobos), a Ku Klux Klan (que ficara famosa no século 19 e é extremamente racista) e os neonazistas (que tentam resgatar a ideologia nazista da raça ariana, do antissemitismo, da xenofobia e da homofobia). Dos 917 grupos de ódio em atividade nos EUA, 130 seguem a KKK, 99 são neonazistas, 100 são nacionalistas e 43, neoconfederados.

"Trump tem um novo problema dentro do conjunto de prolemas que ele mesmo ajudou a criar. Ele instiga essas ações de violência, que já existiam, mas que agora são como uma bolha que estoura", disse o analista de Relações Internacionais. " (reproduzido pelo Portal Vermelho 20/08/17).

Antes que desliguem a internet temos de formar grupos de discussão, associações comunitárias e de classe, sobre os caminhos de luta e a verdadeira vida planetária, internacional, nacional, da nossa classe social, familiar, para resistirmos às formas de poder dos que acumulam o capital e divulgam mentiras para promover falsas festas que transforman os seres humanos em imbecís e loucos.

* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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