22 de Agosto de 2017 - 10h04

Até o salário mínimo, Temer?

Eron Bezerra *

A expressão “até tu, Brutus, meu filho? ” está associada ao espanto do general romano, Júlio Cesar, ao constatar que seu próprio filho estava entre os seus assassinos.


Traduz, portanto, a essência de algo improvável; algo que jamais se espera que aconteça, seja pelo simbolismo de laço familiar – como era o caso – ou pelo grau de perversidade, que não se consegue atribuir nem mesmo ao mais odioso dos tiranos.

Mas, quando Michel Temer decide reduzir até mesmo o modesto salário mínimo, do qual dependem diretamente mais de 50 milhões de brasileiros, somos forçados a reconhecer que Temer e seus aliados perderam qualquer noção de razoabilidade.

De acordo com as regras definidas por lei o salário mínimo de 2018 seria de 979 reais. A pretensão do governo Temer é reduzi-lo para 969 reais, ou seja, R$ 10 reais a menos e assim economizar algo como R$ 3 bilhões de reais.

A estupidez é tamanha que se chega mesmo a duvidar da veracidade desse fato, mesmo sabendo que esse governo é fruto de um golpe, está a serviço do grande capital internacional e é completamente descompromissado com a imensa maioria do povo, como revela o seu nível de popularidade (zero, se considerarmos a margem de erro).

A mensagem que o presidente acaba de enviar ao congresso propondo a redução do salário mínimo em R$ 10 reais revela, porém, que ele pretende aplicar mais um golpe. Deve levar a todos a se questionar de onde vem tamanha fúria contra o povo.

Mas, quando se analisa um pouco melhor esse governo, fica evidente que essa violência contra o povo e a própria economia do país expressam, em verdade, uma prática rotineira dos golpistas de plantão.

Afinal, não se pode esperar coisa muito diferente de um governo com esse histórico:

1. Que separa 52% do orçamento público – algo como 1,8 trilhões de reais – para pagar banqueiros e demais agiotas oficiais;

2. Que gasta 5 bilhões de reais para aliciar deputados e impedir o julgamento de seus crimes pelo STF;

3. Que acaba de aprovar uma reforma trabalhista instituindo a volta da escravidão contemporânea e deixa os trabalhadores completamente à mercê do patronato;

4. Que transformou seu curto governo no maior balcão fisiológico de que se tem notícia;

5. E que pretende acabar com a aposentadoria das pessoas, quando ele se aposentou com gordo salário e menos de 50 anos.

Esse é o governo golpista. Compete ao povo retira-lo. Lutemos!

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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