24 de Agosto de 2017 - 14h23

Barbárie

Eduardo Bomfim *

O anúncio pelo governo Michel Temer de privatizar a Eletrobrás e a Casa da Moeda demonstra, mais uma vez, o que todos já sabem: a razão da sua existência é a liquidação do patrimônio nacional e dos ativos financeiros do Estado brasileiro.


Tudo o mais que sucede no País encontra-se, de uma forma ou de outra, subordinado a esse assalto do Mercado financeiro, do rentismo parasitário e predador, a esse objetivo de lesa pátria criminoso, que está acontecendo, a olhos vistos e à luz do dia, perante a sociedade brasileira.

Trata-se na verdade de uma nova etapa da ofensiva neoliberal sobre as riquezas nacionais porém, sob condições mais favoráveis ao capital financeiro, às forças da globalização rentista, em relação à primeira onda privatista na década de noventa passada, sob a batuta dos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Tal orientação está associada à maior campanha de criminalização da política, sob a batuta de corporações, identificadas intelectualmente, doutrinariamente, com as estratégias do Mercado global, da Governança Mundial, através de intensa cooptação intelectual, e de inteligência, em escolas de Economia e Direito, nas universidades norte-americanas.

Para tanto, instalou-se no Brasil a mais agressiva campanha de desconstrução da sociedade, jamais vista antes, com o objetivo de fracioná-la em grupos opostos que se digladiam uns contra os outros.

Instituindo-se em vários segmentos médios a intransigência, intolerância, a intimidação, o ódio generalizado de todos contra qualquer um e de qualquer um contra todos, enquanto o Brasil real, aquele citado por Machado de Assis, de centenas de milhões de habitantes, a esmagadora maioria da população, vive uma realidade social gravemente doentia.

A grande mídia hegemônica, associada ao Mercado financeiro, onde atua desenvolto o megaespeculador George Soros e sua Open Society, é responsável pela promoção das duas agendas: a liquidação do nosso patrimônio e a que mantém nichos da sociedade fraturada em um falso cosmopolitismo onde as relações de povo, identidade, cultura, objetivos comuns são negadas.

Não há democracia, ou luta pela justiça social, se não existe um sentido de pertencimento nacional, com passado, presente e um futuro para nos identificarmos como povo, nação democrática, livre, soberana.

* Advogado

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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