13 de Novembro de 2017 - 9h45

A Coluna D’Ávila e a marcha para unir o Brasil

Elder Vieira *

Os comunistas não esperaram seu Congresso Nacional, que se realiza agora, de 17 a 19 de novembro: já anunciaram Manuela D’Ávila como sua pré-candidata à Presidência da República.


Com essa iniciativa, o PCdoB se reposiciona no cenário político para cumprir tripla missão: 1. Apontar saídas imediatas para o Brasil, lançado ao labirinto pelo golpe de 2016; 2. Construir a Frente Ampla Nacional em Defesa da independência do País, de seu desenvolvimento, de sua democracia e dos direitos de seu povo; 3. Fortalecer-se e tornar-se alternativa política consistente para milhões de brasileiros.

Essa atitude política do Partido Comunista do Brasil tem, portanto, alcance de curto, médio e longo prazo: numa mesma tacada, influi na eleição de 2018, colabora com o concerto da Frente Ampla e projeta e fortalece no tempo o mais importante instrumento do povo para a transformação social – o próprio Partido.

É justamente essa tríplice dimensão da medida tomada pelo PCdoB que explica a imagem da coluna estampada no título deste artigo, e é o que ela tem de coincidente e emblemático que a justifica: ao lançar uma pré-candidatura, neste momento em que as riquezas na nação são entregues a preço de nada a piratas estrangeiros, em que nossa economia é estraçalhada pelos agiotas donos de bancos, e em que a liberdade é soterrada e o povo é massacrado pelos sinhozinhos das casas grandes, palacetes e coberturas, os comunistas dão forma e expressão a seus propósitos numa espécie de coluna, cuja marcha intenta costurar as diferentes colunas já em movimento e os diferentes fronts abertos num amplo e unitário exército político de defesa nacional, capaz de proclamar uma nova Independência do Brasil.

Por uma dessas curiosas e emblemáticas coincidências da História, à testa desta coluna vai uma gaúcha. Nas bandeiras e flâmulas, Manuela continua e atualiza as mesmas preocupações de seus conterrâneos antecessores – Brasil soberano, desenvolvido e socialmente justo, livre das imposições de potências estrangeiras, protegido das irresponsabilidades econômicas de uma elite imediatista e obtusa, e garantidor de direitos sociais. As dessemelhanças (além, lógico, da de gênero), estão nos meios, caminhos, posturas e horizontes estratégicos: Manuela é do PCdoB, partido do socialismo e, por isso, da união de amplo e variegado leque de forças patrióticas e democráticas; nela, a questão nacional e as bandeiras setoriais são, num projeto de Brasil, elementos indissociáveis – todo e partes de um mesmo fenômeno. Manuela é de um Brasil mais complexo, cuja economia, diversificada e conectada, mas também vulnerável e promotora de desigualdades de toda ordem, está entre as dez maiores do planeta.

Por conta disso tudo e mais um pouco, Manuela sabe que a Frente a ser construída não é somente de partidos, para uma dada eleição: a Frente é uma grande união de diferentes segmentos sociais – trabalhadores da cidade e do campo, empregados ou não; empresariado rural e urbano, pequeno, médio e grande, do setor produtivo e comercial; intelectuais de diferentes áreas, linhas de pensamento e práticas; mulheres e homens de diferentes orientações ideológicas, morais, religiosas, políticas e sexuais; jovens e idosos; indígenas, negros, brancos e caboclos de diversificadas origens – mas, todos e todas, gente do Brasil.

- Ô, Seu Colunista: você juntou tanta fruta num só balaio, que, parece, não sobrou ninguém do lado de lá... Como é isso?

Oxente! O preclaro leitor acha que se monta coluna, frente e a logística toda, e ainda se gasta tempo com esse texto já comprido por demais, pra combater ninguém? Se eu junto esse tanto de sujeito e sujeita do lado de cá, é porque o de lá é forte feito o Cão do Segundo Livro, meu amigo! Essa banda adversária está dando as cartas em todos os poderes de nossa combalida República, dilapidando todo o patrimônio público para nos prostrar de joelhos, e é comandada por piratas, agiotas, sinhozinhos e playboys – tudo gente muito poderosa.

Por palavras menos pedestres, o Golpe de 2016 foi manietado e desferido pelo Imperialismo, pelos banqueiros e pelo latifúndio – capital estrangeiro, capital financeiro especulativo e grandes proprietários – contra o Brasil e sua gente laboriosa. Eles concentram a maior parte da renda e da riqueza do País, por isso, controlam a economia, mandam na política, compram a grande mídia e se adonaram do judiciário, do parlamento e do executivo. O papel de uma candidatura como a de Manuela D’Ávila é protagonizar um forte movimento capaz de unir a Nação contra esses seus inimigos.

- Mas... Seu colunista... se é pra unir... uma candidatura não atrapalha... não divide... não enfraquece a idéia de Frente?

Esse aí de cima, pelo jeito, andou dando ouvidos a um certo senador fluminense, que, sem ser convidado, resolveu mandar recado à mesa da qual se serviu, quando dirigente da UNE, e abandonou, quando deputado federal, e criticar o tempero do churrasco e o preparo do chimarrão. Ou então andou inalando os miasmas expelidos em volutas sutis pela imprensa golpista (com o perdão de tanto ‘ista’), empenhada em dividir para Trump reinar, e espargidos por alguns dos correligionários do dito senador.

Não é de se estranhar a convergência entre os questionamentos dos velhos hegemonistas abrigados sob o lulismo e a da mídia golpista. Contraponto a isso são declarações como a da Senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, que saudou Manuela e já acenou com uma aliança num segundo turno em 2018. Setores democráticos, patrióticos, populares vêem a candidatura de Manuela como uma nota alvissareira no mar convulsionado por correntes regressivas. Vozes do eleitorado manifestam nas redes sociais contentamento com a possibilidade de ter uma alternativa diferenciada de voto.

O PCdoB, portanto, não precisa pedir licença, nem desculpar-se ou se explicar para ninguém, seja autoridade ou partido. Quem não é ruim da cabeça, nem doente do pé, já percebeu que a pré-candidatura de Manuela D’Ávila a Presidente une e fortalece a união do Brasil. Manuela, faço votos, fará o nosso povo se reencontrar com o seu sentido de Nação.

Marchemos.

* Escritor, servidor público, militante do PCdoB desde 1983

* Opiniões aqui expressas não refletem necessariamente as opiniões do site.


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