19 de Junho de 2017 - 16h58

UNE: ocupar as ruas em defesa da democracia e do Brasil

A União Nacional dos Estudantes (UNE), que este ano comemora 80 anos de existência, encerrou no domingo (18), em Belo Horizonte, seu 55º Congresso, que foi o maior de sua história e envolveu números grandiosos. Lá estavam 15 mil estudantes – dos quais 4.940 eram delegados (com direito a voz e voto), eleitos pelos estudantes de 2.553 universidades.

O processo do congresso, iniciado com a convocação, em 20 de março, envolveu cerca de 3,5 milhões de estudantes em 90% das instituições de ensino superior em todo o país.

O congresso expôs, mais uma vez, o DNA democrático da UNE, retratado no gigantismo desses números. E na enorme inquietação política e social que existe em seu interior.

Lá estavam organizações de estudantes ligadas aos vários partidos do cenário político brasileiro. Da esquerda à direita, passando pelo centro, um amplo espectro político que reflete a pluralidade existente entre os universitários brasileiros e reforça a representatividade da UNE. Com grande expressão, estava presente a União da Juventude Socialista (UJS) que liderou o movimento Vem Quem Tem Coragem, integrado por diversas correntes de opinião e que elegeu a nova presidenta Marianna Dias, com 79% dos votos.

A amplitude de representação retrata também, de maneira veemente, o espírito democrático dos estudantes universitários e de sua entidade maior, a UNE – que, não por acaso, é celeiro e escola de tantas lideranças políticas. Leque que inclui desde o tucano José Serra, que foi presidente da UNE em 1963, a Aldo Arantes (presidente em 1961) e Aldo Rebelo (1980), e continua gerando novos líderes, como sua última presidenta, Carina Vitral.

E a grande bandeira, que Marianna Dias mantém no topo, é a luta pela unidade contra o golpe e pela volta da democracia. Esta é a “bandeira da esperança”, disse.

“Só será possível transformar o Brasil que a gente vive se tivermos muita unidade. Eu tenho a convicção que com a força de sete milhões de universitários desse Brasil nós seremos vitoriosos.”

Há três desafios a serem enfrentados, diz ela. O primeiro é renovar a crença na política; outro, ocupar as ruas para “barrar os retrocessos, o avanço desse projeto golpista que não foi aprovado pelas urnas”; finalmente, é preciso reconquistar a democracia no Brasil através do voto.

São grandes tarefas, perante as quais a UNE nunca recuou.

“A juventude que constrói a UNE e suas lutas é movida pelos sonhos e pela ligação com as causas defendidas pela organização. Não possui interesses menores que esses”, diz Vic Barros, ex-presidenta da UNE.

Ela tem razão. É o sonho democrático, de justiça social e igualdade do qual os brasileiros não abrem mão e os estudantes são seus porta-bandeiras e sua voz.


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