Mais de 80 deputados usaram “janela partidária” e mudaram de partido 

A janela para troca partidária aberta pela Emenda Constitucional permitiu a mudança de partido de 84 deputados federais, ou seja, 16,4% do total de 513 parlamentares da Câmara dos Deputados. A emenda, promulgada em 18 de fevereiro, abriu um prazo de 30 dias para os detentores de mandatos eletivos mudarem de legenda sem perder o mandato.

Câmara dos deputados sessão - Portal CTB

O PSDB – maior partido de oposição na Câmara – teve redução de cinco deputados em sua bancada, que antes contava com 53 parlamentares e, após o fim da janela para troca partidária, tem 48 integrantes. O partido deixou de ter a terceira maior bancada da Casa – posto que foi ocupado pelo PP.

O PMDB e o PT perderam um deputado cada, mas a despeito da perda, permanecem como as maiores bancadas – o PMDB com 69 parlamentares, seguido do PT, com bancada de 58 deputados.

O prazo terminou no dia 19, mas as mudanças de partidos registradas até segunda-feira (21) na Justiça Eleitoral serão consideradas pela Câmara, de acordo com o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O número final de migrações na Câmara pode subir, pois depende das notificações da Justiça Eleitoral, que não têm prazo para ocorrer.

Três partidos que integram oficialmente a base do governo foram os que mais receberam deputados: o PP ganhou nove deputados, ficando com bancada de 49 parlamentares – a terceira maior da Casa; o PTN recebeu sete parlamentares, e agora a bancada tem 13 integrantes; e o PR ganhou seis, somando bancada de 40 deputados.

O oposicionista DEM também aumentou sua bancada em seis parlamentares, totalizando 27 deputados. O PDT recebeu três deputados, ficando com 20 integrantes. Dois partidos receberam dois novos integrantes: o PSD, que ficou com bancada de 33 parlamentares; e o PHS, que ficou com seis.

As seguintes legendas passaram a contar com um deputado a mais depois da janela para troca partidária: PRB (bancada de 21), PSC (14), PCdoB (13), o PV (6), Psol (6) e o PSL (2).

Reduções

O Partido da Mulher Brasileira (PMB), que obteve registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro do ano passado, foi a legenda que mais perdeu deputados: 18. Antes da promulgação da emenda, o partido tinha 19 deputados e, agora, apenas um parlamentar integra a bancada da legenda na Câmara.

O PSDB – maior partido de oposição na Câmara – teve redução de cinco deputados em sua bancada, que antes contava com 53 parlamentares e, após o fim da janela para troca partidária, tem 48 integrantes. Com isso, o partido deixou de ter a terceira maior bancada da Casa – posto que foi ocupado pelo PP. A bancada do Pros também perdeu cinco integrantes, ficando com 4 deputados.

Já o PSB perdeu três deputados e o PTB teve redução de dois parlamentares em sua bancada. PMDB, PT, Solidariedade, PPS e PEN perderam cada qual um deputado. O PMDB, a despeito da perda, permanece com a maior bancada da Casa, com 69 parlamentares, seguido do PT, com bancada de 58 deputados.

Os únicos deputados que integravam as legendas PMN e PTC deixaram os partidos, que não têm mais representantes na Câmara. A Rede manteve sua bancada de cinco parlamentares e o PTdoB manteve a bancada de três deputados.

Fidelidade partidária

Desde 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que os mandatos pertencem aos partidos e que, por isso, o detentor de mandato eletivo não pode mudar para outra legenda sem perder o mandato. Mas a desfiliação para a filiação em partido recém-criado não acarreta a perda do cargo.

No ano passado, a criação do PMB e da Rede provocou uma série de mudanças partidárias. A Emenda Constitucional aprovada dentro da minirreforma eleitoral abriu mais uma brecha para a troca de partidos.

Conforme a emenda, as mudanças partidárias feitas nesses 30 dias não valerão para o cálculo do dinheiro do Fundo Partidário e do tempo gratuito de rádio e televisão.