Brasil

6 de março de 2017 - 13h22

Gutemberg Dias: O carnaval foi do Fora Temer

   

No período de momo a irreverência toma conta do brasileiro, que de forma criativa, se veste de vários personagens para brincar e criticar, humoristicamente, muitos fatos do nosso cotidiano. E como a política nos últimos anos está atolada em lama, esse ano o prato principal da irreverência recaiu sobre muitas figuras da cena política nacional.

Será que toda essa sanha em relação ao Temer terá desdobramentos? Será onda passageira ou se transformará num tsunami? Não temos como dizer que sim ou que não, mas podemos aferir que grande parte do povo brasileiro, nesse carnaval, disse não ao presidente biônico Michel Temer e seu governo cheio de ministros envolvidos em desvios de recursos do erário público.

É fato que muitos dos que bateram panelas e se vestiram de verde-amarelo não engrossaram o caldo do Fora Temer. Trata-se de novos atores que indignados com as reformas que causam sérios danos aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras começa a se mexer num ritmo de descompasso com o que o governo Temer vem impondo ao povo brasileiro.

Vale destacar que as recorrentes delações e provas que incriminam o staff do governo federal na Operação Lava Jato, por si só, já promovem descréditos constantes quanto a capacidade de gestão do presidente e, sobretudo, quanto a sua idoneidade para gerir uma das maiores economias mundiais.

A própria Globo que durante os primeiros dias de Carnaval se recusou veementemente a noticiar que explodia pelo Brasil, nos mais diversos blocos carnavalescos, o grito de Fora Temer, na terça-feira se viu obrigada em mostrar nos seus telejornais o povo nas ruas ecoando o mote do Fora Temer.

É bom relembrar que nos últimos anos tinha sempre uma música que fazia sucesso, com foi a muriçoca, a metralhadora etc. Esse ano nenhuma dessas inusitadas composições, diga-se de passagem de baixíssimo conteúdo, se sobressaiu frente ao Fora Temer.

Esse carnaval não foi um dos melhores para o atual presidente e acredito que os próximos dias e meses serão iguais ou pior, já que na quarta-feira de Cinzas o empreiteiro Marcelo Odebrecht depôs sobre o repasse de recursos (caixa 2) as campanhas de presidente e outros políticos.

Espero como cidadão, independente de cor partidária, que todos que estejam envolvidos em corrupção e, sobretudo, os que são parte ativa da gestão estatal, sejam alijados do poder para que possamos pensar num Brasil corrupto.
 
Gutemberg Dias é geógrafo, ex-candidato a prefeito de Mossoró e membro do Comitê Estadual PCdoB/RN


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