Brasil

13 de abril de 2017 - 16h29

Barbárie: EUA lançam maior bomba não-nuclear no Afeganistão


A GBU-43/B, usada na manhã de 13 de abril contra alvo no Afeganistão A GBU-43/B, usada na manhã de 13 de abril contra alvo no Afeganistão
O alvo foi descrito pelos militares estadunidenses como um “complexo de túneis” usados por terroristas “ligados” ao Estado Islâmico. Os EUA usaram nele pela primeira vez o que os militares chamam de forma coloquial de “a mãe de todas as bombas”, a GBU-43/B.

Desenhada para destruir alvos subterrâneos mas ao mesmo tempo não sendo uma arma de penetração profunda do subsolo, a GBU-43/B tem um poder de explosão de aproximadamente 11 toneladas de TNT. A bomba foi lançada de bombardeiro e detona antes de atingir o solo, resultando em área atingida de um raio enorme. Apenas a GBU-57 MOP (Massive Ordnance Penetrator), agora, permanece sendo a única arma convencional jamais usada em guerra.

O efeito psicológico nos sobreviventes e nos observadores da explosão é considerado de “impacto adicional” da arma.

O general de exército John Nicholson, comandante das tropas dos EUA no Afeganistão, disse que a GBU-43/B era a “munição correta” para ser usada contra o Estado Islâmico do Khorosan, ou Isis-K, na sigla em inglês.

Segundo ele, “desde que o Isis-K passou a ser combatido, usaram bombas caseiras, bunkers e túneis para fortalecer suas defesas. Esta era a munição correta para reduzir os obstáculos e manter o momentum de nossa ofensiva contra o Isis-K”.

A bomba foi detonada às 7h32 (horário local), no distrito de Achin, província oriental de Nangarhar, de acordo com os militares dos EUA.

Um morador da região de Asadkhel, em Achin, Sarab, disse que viu uma chama gigantesca antes que a explosão fizesse o chão tremer. “Foi a maior explosão que jamais ouvi”, disse. Sarab agregou que a área do alvo foi ocupada recentemente por terroristas do Estado Islâmico. “Sem dúvida, não sobrou ninguém vivo ali”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Esmatullah Shinwari, um parlamentar de Nangarhar, afirmou que moradores da região contaram a ele que um professor e seu aluno teriam sido mortos. Um dos moradores teria lhe dito, antes que as linhas telefônicas caíssem, que havia crescido em tempos de guerra “e já tinha visto todos os tipos explosões diferentes nos últimos 30 anos, desde ataques suicidas, tremores causados por diferentes tipos de bombas, mas jamais vi nada parecido com esta explosão”.

As linhas telefônicas estão interrompidas na área e não há nenhuma informação do número de vítimas.

Um comandante veterano, Haji Ghalib Mujahed, disse ter sentido “tremores” por todo o caminho de Bati a Kot, um distrito vizinho onde ele agora é o chefe administrativo.

Até esta data, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, jamais havia citado o Afeganistão, nem como candidato, nem como presidente. Foi revelado na semana passada que o comando militar dos EUA no país pediu reforço para os 8,4 mil militares que ainda estão no Afeganistão, na guerra mais duradoura que o país mantém, entrando agora no seu 16º ano.

Trump disse na quarta-feira (12) que mandaria para lá o seu conselheiro de Segurança Nacional, HR McMaster, para encontrar com Nicholson a fim de reavaliar a situação das tropas no local. Como McMaster é um oficial de menor patente que Nicholson, a mídia afirma que ele dificilmente se oporia às recomendações de seu superior.

As Forças Armadas dos Estados Unidos estão recebendo críticas ao redor do planeta por causa das campanhas militares que são conduzidas na Síria, no Iraque e até mesmo no Iêmen, bombardeado pelos sauditas. Esses bombardeios têm gerado muitas vítimas civis. Em 17 de março, um ataque em Mosul matou centenas de iraquianos.

Recentemente, um bombardeio estadunidense atingiu e matou dezenas de guerrilheiros de uma força aliada dos EUA na Síria. Os guerrilheiros, da Força Democrática da Síria, solicitaram um bombardeio aéreo sobre uma área onde supostos terroristas do EI estavam, mas o exército norte-americano bombardeou as próprias forças da FDS, matando 18 de seus guerrilheiros.

O mês de março deste ano foi o que teve o maior número de bombardeios efetuados pela Força Aérea dos EUA na Síria, contra supostos alvos do Estado Islâmico. Caças e bombardeiros despejaram 3.878 bombas em território sírio, quebrando o recorde que pertencia a janeiro de 2017, quando não se chegou a 3,6 mil bombas.

O explosivo foi lançado apenas seis dias depois que os Estados Unidos lançaram 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk contra uma base aérea da Síria, no sudeste de Homs, usando como pretexto um suposto ataque com gás sarin realizado na região de Idlib em 4 de abril. Segundo os EUA alegaram, desta base teriam saído os caças que despejaram as bombas com gás.
A Síria contesta a versão estadunidense, já que desde 2014 o país não conta mais com armas químicas, destruídas após acordo alcançado entre o país e a ONU, com mediação da Rússia. A Rússia também nega peremptoriamente que tenha utilizado qualquer tipo de armamento com munição química.

Apesar do governo sírio ter já solicitado uma investigação sobre o ataque com gás, os Estados Unidos e mídia corporativa tratam o caso como um ataque realizado por Bashar al-Assad, presidente sírio.

O ataque desta quinta-feira no Afeganistão é interpretado por fontes militares estadunidenses como um “aviso” ao governo sírio e à Rússia. O Afeganistão foi invadido e ocupado a partir de outubro de 2001. No mês de março deste ano a aviação militar estadunidenses despejou 730 bombas e mísseis contra alvos no país, com o pretexto de controlar a atividade do Estado Islâmico no país.




Do Portal Vermelho, com agências

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