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26 de agosto de 2017 - 17h48

Dilma é ovacionada em palestra no RN e aponta democracia como saída

Portal ADURN
   

Com a presenca de mais de 1600 pessoas, entre estudantes, políticos, docentes, petroleiros, juristas, profissionais da mídia e de diversas categorias, lideranças dos movimentos sociais e sindicais e a sociedade civil, o lotado auditório do hotel Holiday Inn Natal foi o palco do debate das consequências e desafios do pós- golpe para o Brasil e do enfrentanento das ações e propostas do governo de Michel Temer (PMDB), de desmonte das políticas sociais e retirada de direitos trabalhistas e da volta das privatizações.

Ovacionada desde a sua chegada ao auditório, Dilma recebeu homenagens das mulheres presentes ao debate, do cantor Pedrinho Mendes, com as canções “Linda Baby” e "Senhora", e de crianças, que fizeram a entrega de carta e flores.

A vice-presidente do ADURN-Sindicato, Gilka Pimentel, na apresentação da primeira mulher eleita presidenta do Brasil, ressaltou a dignidade, a coragem e a capacidade de resistência de Dilma. “Nos orgulhamos da sua bravura, do seu coração valente, da sua força e coragem”, afirmou.

O golpe

Dilma iniciou a palestra fazendo uma relação entre o golpe de 1964 e o atual momento. Para ela, o processo que culmina no seu impeachment "tem as mesmas forças históricas que a cada avanço das forças progressistas surgem no cenário e tentam o retrocesso", a diferença está nos métodos e práticas. O golpe de 2016 vem revestido de legalidade, com uso político do parlamento para suspender a ordem legal e politização do judiciário.

Para a presidenta eleita, o golpe vem atender o interesse em retomar o projeto neoliberal, de privatizações de empresas nacionais, entrega do pré-sal, congelamento de investimentos públicos e retirada de direitos trabalhistas, que não teriam o crivo das urnas e é resultado da articulação daqueles que "não assimilaram a quarta derrota consecutiva para o PT”, afirmou.

Golpe de gênero

Absolutamente convicta da presença do componente misógino do golpe, Dilma afirmou ser esse caráter uma sintaxe da narrativa do impeachment. “Eu sempre fui retratada como uma mulher dura, mas se eu fosse homem, seria ‘forte’. Eu também fui retratada como frágil e histérica, mas se fosse homem, seria vista como ‘sensível’”, afirmou.

A grande mídia explorou esta dicotomia, sem se importar se havia alguma consistência, com o claro objetivo de "destruir a imagem de uma pessoa que cumpria um determinado papel na política”. “O que está por trás disso é uma visão conservadora do mundo, em que a igualdade de gênero é desqualificada”, pontuou.

Democracia como caminho

Com a afirmativa de que o golpe que sofreu em 2016 é um processo, a presidenta eleita ressaltou a necessidade de eleições diretas para presidente para pôr fim à sequência de golpes.

Para Dilma, a primeira etapa do golpe foi o impeachment, a segunda ė tirar o Lula da eleição, o condenando, para então concretizar com o parlamentarismo e o distritão.

Finalizou, convocando “as forças democráticas” a seguir resistindo aos retrocessos impostos pelo governo ilegítimo, a lutar por uma “reforma política decente” e dialogar com a sociedade para alertar às pessoas sobre o que está em jogo. “O lado certo da história é o da democracia”, concluiu.

Além da presidente eleita Dilma Rousseff, participaram do evento o presidente do ADURN-Sindicato e da CTB RN, Wellington Duarte, o diretor presidente do Sindipetro-RN, José Antônio Araújo, a presidente da CUT RN, Eliane Bandeira, representando no ato a FBP, a senadora Fátima Bezerra (PT), que compuseram a mesa diretiva, além do deputado estadual Fernando Mineiro (PT), a deputada estadual Larissa Rosado (PSB), o prefeito e o vice do município de Currais Novos, Odon Júnior (PT) e Anderson Alves (PCdoB), respectivamente, a vereadora natalense Natália Bonavides (PT), a vereadora mossoroense Isolda Dantas (PT). 



Fonte: ADURN

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