Movimentos

27 de agosto de 2017 - 15h47

Caravana de Lula passou por 6 estados: "País precisa manter soberania"

Ricardo Stuckert
Público do ato em que Lula recebeu o título de Cidadão Pessoense (PB) Público do ato em que Lula recebeu o título de Cidadão Pessoense (PB)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recebido com ato público promovido por movimentos sociais em sua homenagem no Parque Ecológico Bodocongó, antes de seguir viagem em direção a Currais Novos, já em território potiguar, com 45 mil habitantes e a 176 quilômetros de Natal.

O Rio Grande do Norte viveu um boom de universidades, institutos federais e investimentos em educação básica nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Segundo a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), esse legado está ameaçado. “Lula decidiu colocar o pé na estrada novamente para ver de perto a situação de dificuldade que está passando a maioria do povo brasileiro”, afirmou. “Os retrocessos são insanos e inimagináveis. Em pouco tempo, Temer instaurou um processo acelerado de destruir as conquistas. É uma tragédia nacional.” A passagem de Lula por Currais Novos será às 17h no Largo do Tungstênio. Na segunda-feira, a comitiva segue para Mossoró, completando a visita por 18 municípios em seis estados: Bahia (quatro cidades), Sergipe (cinco), Alagoas (três), Pernambuco (duas), Paraíba (duas) e Rio Grande do Norte (duas). A passagem pelo Nordeste terminará em 5 de setembro, no Maranhão.

Na noite deste sábado, em ato público no centro de João Pessoa, Lula recebeu título de Cidadão Pessoense diante de cerca de 10 mil pessoas que tomava a Praça Ponto de Cem Réis. Lula esteve acompanhando, além de senadores, deputados e representantes dos movimentos sociais, do ex-chanceler Celso Amorim, paraibano, e do governador Ricardo Coutinho (PSB). Os discursos voltaram a subir o tom contra os atos do governo Temer e contra a perseguição judicial. “Esse país precisa manter sua soberania. Estão vendendo a Casa da Moeda. E eles não estão vendendo para fazer investimento. Estão vendendo para atender aos interesses do mercado estrangeiro. Eles querem vender tudo rápido, porque sabem que se tiver eleição, não vamos deixar”, disse.

Sobre a Lava Jato, desafiou delegados e procuradores a provar algo de errado em suas contas. “Quero dizer a vocês que tem prova no meu processo. Tem prova da minha inocência.” Segundo ele, o que está sendo julgado é o fato de seu governo ter apostado no fortalecimento das empresas públicas e do Estado como ferramentas de desenvolvimento. “O que eles estão julgando não sou eu, é a Petrobras ter passado de investir R$ 3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento para investir R$ 30 bi. Eles não acreditavam que nós seríamos competentes para tirar o óleo que descobrimos no pré-sal”, afirmou.

A manifestação de hoje em Campina Grande terá como tema “Água e Democracia”, organizada pela Frente Brasil Popular. A última visita de Lula ao estado, foi em março quando participou junto com o governador Ricardo Coutinho da inauguração popular da transposição do Rio São Francisco na cidade de Monteiro, sertão da Paraíba. O projeto ajudou a levar água para mais de 12 milhões de pessoas em quatro estados e tornou-se um dos maiores legados de seus governos.

A assistente social Raphaela Ramalho, esteve lá. “É um momento de mostrar apoio e solidariedade ao ex-presidente. Estivemos em Monteiro, no ato de ‘inauguração’ das obras de transposição do Rio São Francisco. Visitamos a caravana também quando esteve em Sergipe, porque é um movimento necessário e importante”, disse, na Praça do Ponto de Cem Réis, ao lado do marido, o professor de Física João Rafael Lúcio dos Santos, da Universidade Federal de Campina Grande. “Infelizmente, a democracia neste país está paralisada. Nem sei definir esse momento triste que estamos vivendo. A gente espera que no mínimo tenhamos eleições justas no ano que vem. É uma esperança de a gente retomar direitos que levaram tanto tempo para serem construídos e estão sendo derrubados em dois anos”, observou o professor. 

Patrimônio

O estudante de Engenharia Civil João Luiz Ribeiro, 20 anos, da Universidade Federal da Paraíba, considera as políticas para juventude um legado importante dos governos petistas e teme perdas. "A interiorização das universidades, a expansão das vagas e escolas são parte de um conjunto de políticas de governo para os jovens que estão ameaçadas, por isso estou aqui", disse.

Dezenas de integrantes de comunidades indígenas, também apreensivos com os retrocessos em andamento na questão fundiária, foram vistos no ato do centro de João Pessoa. Entre eles Zenaide Souza dos Santos 59 anos, da aldeia tabajara de Vitória. Aposentada, ainda trabalha na agricultura ao lado do marido, de 62. “Tenho seis filhos e 14 netos. Todo mundo na agricultura. É muito importante para mim e para nossa comunidade indígena que ele volte. Ninguém fez tanto por nossos direitos e pela agricultura familiar como ele”, conta. “Nós sabemos o que é pobreza”, disse o cacique tabajara Edinaldo. “Quando você vê que ele tem uma humildade de falar com todo mundo, de não tratar com diferença, ele merecia esse título. A importância desse ato é para reforçar que os indígenas Potiguara e Tabajara estão vivos aqui, e continuamos na luta ainda por educação, por terra e sabemos que o Lula sempre vai ser esse sonho dos menos favorecidos desse país.”

Também professor, Antônio José Lopes Rocha Júnior, 51 anos, estava no ato com a filha Luma. “Ela disse pra avó: `tô indo pra democracia’.” O professor de educação física conta que a luta democrática parece estar no sangue da família. E lembra do pai, morto aos 72 anos, por sequelas das torturas sofridas nas prisões da ditadura. “São momentos históricos e circunstâncias diferentes. Hoje não há tanques e armas nas ruas, ainda, mas o golpe de 64 e o golpe de hoje têm por trás os mesmos protagonistas e os mesmos interesses”, comparou.

“O país está sendo vítima de uma psicopatologia política. É comportamento de psicopata você querer transformar o país de maneira unilateral”, define André Piva, professor da Universidade Federal da Paraíba, paulista de Presidente Prudente que vive em João Pessoa há 30 anos e mantém também o site de cultura Paraíba Criativa. “Não se pode fazer as mudanças que estão fazendo sem a aquiescência popular. Nem precisamos citar todas as aberrações que estamos vendo todos os dias. Basta falar dessa maneira genérica e todos sabem do que estamos falando.”






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