Brasil

30 de agosto de 2017 - 15h48

José Maria Pires, D. Pelé, aquele que lutou pelo povo comum

 Dom José Maria Pires tinha sempre diálogo fácil com os trabalhadores  Dom José Maria Pires tinha sempre diálogo fácil com os trabalhadores

Era D. José Maria Pires, o bravo lutador pela democracia, pelos direitos humanos, em defesa do povo pobre e da luta anti-racista, que esteve à frente da Arquidiocese da Paraíba entre1966 e 1995.

Trazia na cor da pele a identidade profunda com a maioria dos brasileiros, e que fazia dele – um descendente de africanos escravizados – um raro bispo negro. Daí a forma carinhosa como o povo se referia a ele ressaltando sua origem com os nomes Pelé e Zumbi.

A carta pastoral que publicou em 1978, tinha um título que resumia o lado assumido pelo bispo: “Carta Pastoral sobre o compromisso da Igreja com os fracos e oprimidos”- opção que era eclesial, mas também social e política – e existencial, se for possível aplicar esta palavra às opções de um sacerdote católico.

D. José Maria Pires nos deixou neste domingo (27), aos 98 anos de uma vida marcada, até os últimos momentos, por esse compromisso. Foram 76 anos como sacerdote e 60 como bispo. Um sacerdote cuja militância nem a idade avançada parou – pouco antes da chegada da doença que o levou, ele participou de um evento em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, a padroeira dos homens pretos. E, há poucos dias, fez uma palestra em Belo Horizonte, MG, sobre Concílio Vaticano II e a doutrina social da Igreja.

Desde seus primeiros meses, a ditadura militar de 1964 teve em D. Pelé um opositor tenaz e determinado, que lutou pelos direitos humanos, contra as prisões arbitrárias e perseguições a democratas e ao povo. E lutou contra a discriminação e o racismo, incentivando a organização e a luta dos negros e mestiços.

Apoiou os camponeses na luta pela terra. Na Paraíba, defendeu camponeses e deu dimensão nacional à luta dos posseiros em Alagamar, desde 1975. O apoio da Igreja, na pessoa de D. José Maria Pires, foi decisivo. Ali, como em outra fazenda, Mucatu, eram freqüentes as violações de direitos dos camponeses, violências, prisões, torturas e até mortes.

Em Alagamar a Polícia Militar aterrorizava, prendia e torturava os camponeses. Que eram denunciadas pelo bispo em sermões, Cartas Pastorais, e sua presença nas comunidades. Era, por isso, chamado de subversivo e comunista pelos poderosos.

Foi um lutador do povo, e merece ser revenrencidado- e lembrado – por democratas, socialistas, pelos lutadores contra o racismo e pela radical igualdade entre os homens.

Salve, Dom Pelé!



 
José Carlos Ruy e jornallsta e escritor

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