Brasil

13 de setembro de 2017 - 13h08

Fernando Brito: Wesley Batista foi preso por vingança


Reprodução
   
Não achou? Não culpe a sua memória nem apele para o famoso lítio do Doutor Ulysses Guimarães.

Está na cara que ela ocorreu por duas simples e evidentes razões.

Uma, é que as prisões deixaram de ser instrumento de formação do processo criminal e passou a arreganho de poder judicial, agora que os juízes estão livres para exercer a sua sanha aprisionadora sem que nenhuma consequência lhes venha senão a de virar uma “celebridade” justiceira. Neste caso, inclusive, deixando ao tribunal superior a tarefa de desgastar-se como o “solta bandido”. Este esquiva-se e joga a batata para o STJ ou para o STF.

A segunda, é que se trata de uma “vingança” contra o fato de Joesley Batista ter passado a perna em Rodrigo Janot. Prender o irmão, que deverá ser solto logo em seguida – porque a prisão não se sustenta legalmente – é uma demonstração de força familiar.

A operação com ações entre a FB (100% Batista) e a JBS (43% Batistas) é das espertezas mais comuns entre holding e controlada. É verdade que a escala e as circunstâncias são escandalosas, mas não é nada raro que grupos controladores, que têm autonomia e segredos em decisões que afetam suas empresas, sobretudo em negociações, a moda do capitalismo moderno, de fusão e incorporação de ou a outras instituições.

Só que não é tão simples de demonstrar assim , como não é simples explicar que o mercado de ações seja ele uma imensa roubalheira. Se é verdade que, ao vender ações, os Batista reduziram a perto da metade o prejuízo que teriam com a desvalorização dos papéis. Mas é também verdade que, se nada tivesse sido operado desde março, quando começaram as negociações com a Procuradoria Geral da República, mesmo com aquela maxidesvalorização do vazamento, teriam tido lucro duas vezes maiores que os prejuízos que evitaram vendendo.

Claro que eles – e qualquer empresa – jogariam com ações, mas é complicado “adivinhar” mercado acionário. Hoje, por exemplo, seria de se esperar uma queda forte das ações da JBS com a prisão de seu presidente. Não houve.

Muito mais graves são as operações com dólar futuro, mas ainda faltam informações para analisar isso. Sobretudo, saber quem mais estava em posição comprada e vendida quando o dólar “pulou” 9% com o escândalo. Em tese, todos os que estavam comprados no curto prazo tiveram este lucro gigantesco. Não foram só os Batista.

PS. Enquanto escrevia o post anterior, prendeu-se Wesley Batista. Enquanto escrevo este, prende-se Anthony Garotinho. O título acerto na mosca, sem saber disso.


*Fernando Brito é jornalista e editor do Tijolaço

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