12 de outubro de 2017 - 19h58

Panamá elimina seu invasor, EUA, e vai à Copa pela 1ª vez


Policial ao invés de retirar abraça de campo o torcedor, se confraterniza com ele e com o artilheiro panamenho  Policial ao invés de retirar abraça de campo o torcedor, se confraterniza com ele e com o artilheiro panamenho 
O Panamá, uma nação que fica na América Central, quase América do Sul, onde fica o estratégico Canal do Panamá, precisava vencer a Costa Rica, o bicho papão da última copa, para ir a Copa da Rússia. Mais do que isso, para eliminar os EUA.

Para os panamenhos, os EUA são mais que um estado imperialista, são invasores. Em 1989, numa ação militar, os americanos invadiram o Panamá e tomaram à força o comando do Canal do Panamá, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Foi uma ação covarde a uma nação que jamais cometera um ato ilegal contra seus invasores.

Nesse sentido, a classificação para Copa do Mundo da Rússia não era apenas uma questão de futebol, mas o golpe do fraco contra o forte, inclusive no campo. Os EUA estavam num período contínuo de participação em copas, desde 1994. Milhões vêm sendo investidos para fazer do hegemon econômico, o campeão mundial em 20 anos. Então, vem o Panamá e numa bola marota, que foi pênalti, mas não entrou e o fantástico contra-ataque aos 43 do segundo tempo, e tira os gigantes do mundial, numa festa descomunal.

Poucas imagens representam tanto a grandiosidade do momento, quanto da invasão do torcedor, que de tanta alegria, faz o policial esquecer, por instantes, de suas funções e lembrar que a única ordem a ser estabelecida no mundo, é a da felicidade e a de ser humano, e abraça o jogador e o torcedor em campo. A fotografia é tão comovente e repleta de simbolismo, que nos faz pensar utopicamente, que o esporte mais popular do planeta, pode realmente frear as dores do mundo.

A quarta-feira (11) foi feriado nacional no Panamá decretado pela presidência. A alegação é de que ninguém iria trabalhar frente à imensa felicidade de se classificar e eliminar os EUA. Se na terra do Tio San ninguém comemorou a invasão e a crueldade da vitória contra os panamenhos em 1989, os panamenhos não precisaram de nada além de dois gols para sentirem a nação mais feliz do mundo, ainda que por alguns instantes, e sua felicidade não subjugou ninguém.

A vitória do Panamá é bem mais que a vitória do futebol, nos traz a ideia de que o impossível acontece e que um país profundamente desfalcado de sua economia pela exploração americana, pode suplantar sua luta de classe e as dores do subdesenvolvimento da periferia capitalista e vencer a maior superpotência do mundo. A beleza do futebol está aí, não cabe nas baboseiras do mercado da bola, na estupidez do salário de Neymares e nem no egoísmo patético e obeso do Ronaldo.

Há uma Copa na Rússia pela frente, com presidente Putin recepcionando os heróis que tiraram os EUA da copa. Vai ter Copa na Rússia e com o Panamá pela primeira vez em campo. Salve a alegria panamenha, salvem os deuses do futebol, talvez eles não sejam tão capitalistas assim.

Assista o gol que classificou o Panamá e a festa de jogaores e torcedores:




 
Fonte: A Postagem

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