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21 de dezembro de 2017 - 18h18

UBM-TO questiona juiz que libertou agressor, suspeito de feminicídio

Reprodução da Tv Anhanguera
Danielle denunciou agressões anteriores no ato da prisão do ex-companheiro. O corpo da professora, encontrado na segunda, apresentava marcas de agressão na região do pescoço Danielle denunciou agressões anteriores no ato da prisão do ex-companheiro. O corpo da professora, encontrado na segunda, apresentava marcas de agressão na região do pescoço

A União Brasileira de Mulheres no Tocantins (UBM-TO) divulgou nota denunciando a postura do judiciário local que, mesmo diante das estatísticas, libertou da prisão, sem fiança, o companheiro de Danielle que está foragido. Álvaro foi preso no sábado (16) após agredir Danielle. NO dia seguinte em audiência de custódia, contrariando pedido da professora, o juiz Edimar de Paula concluiu que Álvaro, que não tinha antecedentes criminais, não representava ameaça e decidiu pela soltura.

“É inaceitável que a morte de Danielle e de tantas mulheres sejam justificadas por motivos banais como ‘ciúmes ou inconformismo com términos de relações abusivas’! É inaceitável que um Juiz tenha dado uma ordem de soltura e não tenha determinado e garantido a segurança de Danielle, mesmo sabendo do risco de vida que ela corria!”, diz trecho da nota.

Confira a nota

Nota de Repúdio

A União Brasileira de Mulheres no Tocantins (UBM/TO) vem a público manifestar o mais profundo sentimento de repúdio ao caso de feminicídio de Danielle Christina Lustosa Grohs, professora da rede pública municipal de ensino, ocorrido na noite desta segunda-feira (18), na quadra 1.004 sul em Palmas.

Danielle teve a vida covardemente interrompida pelo ex-companheiro, o médico Álvaro Ferreira da Silva, que já havia sido autuado e preso após agredir a pedagoga no último sábado (16), contudo foi solto em sequência, no domingo (17), após audiência de custodia, na qual o juiz Edimar de Paula expediu decisão de soltura, por considerar que o médico não teria antecedentes criminais e não representava ameaça, fato que definiu a liberdade sem pagamento de fiança e culminou no assassinato da Professora.

Crimes como o de Danielle acontecem diariamente no Brasil e no Tocantins. Segundo dados do Datafolha, no país cerca de 7 mulheres são mortas diariamente, vítimas de violência doméstica, a taxa de feminícidio no Brasil é a quinta maior do mundo. Cerca de 1 em cada 3 mulheres sofre algum tipo de violência, mas apenas 6% denunciam os agressores. 38% dos feminicídios em todo o mundo são cometidos pelos companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Mais de 500 mulheres são vítimas de agressão física por hora em nosso país. Segundo o Atlas da Violência (2015), de 2005 à 2015 o assassinato de mulheres no Tocantins aumentou 128%, a taxa feminicídio no Estado é 6,4, a cada 100 mulheres, maior do que a taxa nacional que é de 4,5%. São vítimas demais... É verdadeiramente assustador!

A UBM-TO lamenta que casos como esse de Danielle, ainda sejam justificados como crime passional. O feminicídio é considerado um crime baseado em uma cultura machista, na qual o homem não aceita a liberdade de escolha da mulher e tem a necessidade de manter o controle, como se a mulher fosse inferior, submissa, objeto ou posse de seu companheiro, mantendo uma relação de opressão, e nesse caso seguida de morte.

É inaceitável que a morte de Danielle e de tantas mulheres sejam justificadas por motivos banais como ‘ciúmes ou inconformismo com términos de relações abusivas’!

É inaceitável que um Juiz tenha dado uma ordem de soltura e não tenha determinado e garantido a segurança de Danielle, mesmo sabendo do risco de vida que ela corria!

É inaceitável a desigualdade com que “Justiça” trata um criminoso em função de sua formação ou classe social!

É inaceitável que se proíbam a discussão de igualdade de gênero, enquanto o machismo mata
sete mulheres por dia em nosso País!

Devemos encarar esses fatos com total indignação e nos unirmos para que mais mulheres não tenham suas vidas ceifadas pelo machismo enraizado na cultura da sociedade.

Nos solidarizamos com os familiares e amigos da vítima e reivindicamos que a Justiça seja garantida e que o assassino seja punido!

Danielle estará presente em nossas vidas e em nossas lutas, até que todas sejamos livres!

Somos todas Danielle! Danielle Christina Lustosa Grohs, Presente! Agora e Sempre!

“Quando o mundo inteiro está em silêncio, até mesmo uma só voz se torna poderosa”. (MALALA YOUSAFZAI)



Do Portal Vermelho com informações da UBM-TO

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