2 de janeiro de 2018 - 18h48

O que vivemos em 2017. O que será de 2018?


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2017 termina com José Maria Marin, aquele da ditadura, condenado nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro, participação em organizações criminosas e fraudes financeiras. Pode pegar até 120 anos de prisão. Se conseguir acessar a Suprema Corte no Brasil, estará sossegado. Gilmar Mendes manda soltar. E Marco Polo Del Nero, suspenso por 90 dias da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), será banido do futebol ou ainda ocupará o posto de chefe da camarilha quando a Copa da Rússia chegar? Como pede o Juca Kfouri há tempos, viaja, Marco Polo, viaja. O Barça vai comemorar Natal e reveillon catorze pontos à frente do Real Madrid na Liga Espanhola. Não é mais o mesmo Barça, não controla mais a posse de bola, aceita a pressão do adversário e joga nos contra-ataques, dirão os ressentidos. Timeco pequeno? Quanta audácia. Quem é o melhor do mundo? Messi, claro. Cristiano Ronaldo, óbvio. Cristiano Ronaldo é o melhor de todos os tempos? Mas Renato Gaúcho não foi melhor que CR7? Edmundo não foi melhor que os dois? Uma semana antes do El Clásico, os espanhóis merengues tinham conquistado mais um campeonato mundial, nos Emirados Árabes, passeando contra o Grêmio. A grande conquista dos times sul-americanos nos últimos torneios intercontinentais tem sido passar pela semifinal e alcançar a grande decisão. Não tem mais graça. São jogos diferentes, praticados lá e cá. Vamos acabar com o Mundial de Clubes? A quarta força pediu passagem já no primeiro semestre e conquistou o Campeonato Paulista. Bobagem, era só o Paulistinha. Encerrou o ano com o sétimo título do Brasileiro, lacrado com três rodadas de antecedência, depois de um primeiro turno impecável. Vem outro desmanche por aí? Pablo, Arana e Jô já partiram. Depois de fritar o mito Rogério Ceni (dizem as más línguas que o sonho do ex-goleiro sempre foi treinar um tricolor da Série B) em óleo escaldante, os desmandos e brigas políticas do São Paulo vão trucidar outro ídolo tricolor? Raí, contratado para ser diretor de futebol, que se cuide. Flamengo e Palmeiras esbanjaram dinheiro em 2017. Eram os times a ser batidos. Formaram elencos para disputar sabe-se lá quantos campeonatos. Terminaram a temporada sem títulos. Vergonha atrás de vergonha, coleção de eliminações. Nem sempre as muralhas da grana são suficientes (ainda mais quando o Muralha decide pular sempre no mesmo canto em cobranças de pênaltis e acha que tem competência para sair driblando o atacante adversário). As culpas foram só dos técnicos? Eduardo Baptista, professor Cuca, o auxiliar Alberto Valentim, Roger Guedes, Zé Ricardo, Reinaldo Rueda e quem mais virá. E os planejadores de futebol, todo-poderosos? Acertaram em seus projetos? Vão continuar com as gastanças desenfreadas? O patrocinador que demite professores é o mesmo que contrata a peso de ouro. Para 2018, rubro-negro e alviverde serão novamente imbatíveis ou há o que Temer? (esse gastou um monte também, para se livrar da cassação e aprovar as deformas do retrocesso). O Manchester City de Guardiola anda jogando o fino da bola, de encher os olhos. Mourinho é melhor técnico que o catalão? E o pofexô Luxemburgo? Joel Santana? Neymar amassou o Paris Saint-Germain na partida de volta das oitavas-de-final da Champions, no Camp Nou. Deu nó. Deu dó. Atuação de gala. Quatro meses depois, furo do editor Guto Monaco, do Chuteira FC, desembarcou em Paris, fazendo juras de amor ao time francês e alinhavando seu desejo pessoal de ter um time que jogue para fazer dele o melhor do mundo. Quem conhece o craque brasileiro garante que já está insatisfeito e arrependido, sente saudades do carinho e do aconchego dos parças do Barça. O presidente do Real, Florentino Perez, prepara o bote. Neymar zarpa para Madrid depois da Copa? Mergulhado em dívidas e vítima de administração modesta, o Santos foi novamente coadjuvante. Fracasso no Paulista, fiasco na Libertadores, desclassificação precoce na Copa do Brasil, sufoco no Brasileirão. Contentou-se com uma vaga na Libertadores carimbada muito mais por incompetência dos adversários do que por méritos próprios. Jair Ventura é esperança. Sem elenco, vai fazer o quê? Mais um tempo de vacas magras nos aguarda? Por favor, não. Daqui a uma semana já vou poder dizer “é ano de Copa do Mundo, amigo”. Tite está fazendo um baita trabalho. Resgatou o futebol brasileiro, reinventou a Seleção. Será suficiente para levantar o caneco? Vamos exorcizar o 7 x 1? Não dá para terminar o balanço do ano sem falar de preconceitos no futebol. Até quando vamos aceitar imitações de macacos vindas das arquibancadas e dirigidas a jogadores negros? O “bicha” ecoando pelos estádios quando o goleiro adversário bate o tiro de meta? Os assédios às torcedoras, jogadoras, bandeirinhas e jornalistas mulheres e o “futebol é jogo para macho”? Discurso de ódio e preconceitos não são liberdade de expressão. Acreditem, outros mundos boleiros são possíveis. Embalado por sonhos e esperanças, o cronista deseja a todos os leitores e leitoras um 2018 mais humano e menos embrutecido. Breve parada para respirar. Volto das férias no final de janeiro.



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