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18 de janeiro de 2018 - 19h12

Estardalhaço com auditoria enfraquece Caixa pública e favorece mercado

   

“Em primeiro lugar não podemos ter nível de condescendência com qualquer comportamento antiético. Se alguém tiver feito algo errado precisa ser investigado e caso comprovado punido”, enfatizou Emanoel. Ele, que é funcionário da Caixa, lembrou que uma auditoria externa realizava a apuração das denúncias e estava em fase avançada. “A decisão de tornar público o processo, a partir do MPF, tem um objetivo perigoso para a Caixa”, alertou Emanoel (foto).

Na opinião dele, a espetacularização não busca a punição de quem for considerado culpado mas quer deslocar o poder de decisão da vice-presidência da instituição para o Conselho de Administração. “Caso isso aconteça, a seleção será efetuada por headhunters, ou seja, as indicações passam a ser feitas por especialistas do mercado”, afirmou Emanoel.

Segundo ele, a Caixa tem mecanismos de governança que precisam ser aprimorados mas em vez disso o movimento é por contratar especialistas de outros bancos.

“A exemplo do ministro Meirelles, que foi gestor do Bank Of Boston antes de ser ministro e presidiu o Conselho da JBS.” Para Emanoel, o que está por trás dos últimos acontecimentos é o enfraquecimento da Caixa Econômica como banco público.

“Você imagina um banco que tem quatro agências-barcos e mais duas em construção. Essas agências são ferryboats que saem pelo Rio Amazonas, cada dia em uma comunidade ribeirinha fazendo operação bancária. O mercado não faria isso porque exige investimento e não dá lucro”, comparou Emanoel.

Emanoel também lembrou que a carteira de microcrédito da Caixa é uma das mais eficientes do país. “A expertise e dedicação do corpo funcional da Caixa permite que a operação dos programas sociais crie uma sinergia que fideliza uma clientela que passa a usar outros produtos da empresa. Daí a rentabilidade expressiva e crescente da Caixa nos últimos anos.”

Nesta quarta-feira foi divulgado o resultado da Caixa em 2017, um expressivo lucro de R$ 12 bilhões. “Demonstra que o corpo funcional da instituição tem a capacidade de fazer um banco 100% público, fundamental na execução de praticamente todas as políticas sociais do governo, e também uma instituição eficiente e rentável”, avaliou o dirigente.

De acordo com o sindicalista, os bancos privados não querem comprar a Caixa. “Eles não têm dinheiro para isso portanto agem de forma a tirar a Caixa do mercado”, avaliou. Ele informou que os trabalhadores estão mobilizados “para não cair neste jogo”.

Após barrarem a transformação da Caixa em empresa S.A, o Comitê em Defesa da Caixa 100% Pública continua atuante. “As entidades sindicais estão debatendo com os trabalhadores no sentido de nos mantermos atentos para as manobras que estão sendo efetivadas contra a instituição”, afirmou.




Do Portal Vermelho

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