Cultura

12 de fevereiro de 2018 - 17h02

Guerreiros do Passo mantêm vivo o frevo de antigamente

Divulgação
Guerreiros do passo mantêm vivo o carnaval de antigamente Guerreiros do passo mantêm vivo o carnaval de antigamente

Eles são capazes de remontar a alegria e simplicidade na qual o frevo foi concebido há mais de cem anos, auxiliando na compreensão das origens do ritmo e dança. Nas apresentações os Guerreiros usam trajes de época e guarda-chuvas. Chegam a forjar que estão espalhando lança-perfume no ar, assim como acontecia nos bailes de outrora.

O cenário transporta os telespectadores aos primeiros carnavais do Recife. Quando não existia passista profissional e qualquer um podia arriscar novos passos. Hoje em dia o contexto é diferente. O lança-perfume, por exemplo, produzido e distribuído em escala industrial, foi proibido.

De acordo com o historiador Leonardo Dantas, o guarda-chuva que (além de dar equilíbrio e proteger do sol) servia como mecanismo de defesa e ataque entre membros de clubes rivais e capoeiristas perseguidos pela polícia naquela época, foi substituído pela atual sombrinha colorida.
Eduardo Araújo, coordenador, professor e pesquisador do Guerreiros, ressalta que o intuito do grupo é valorizar as raízes do carnaval, ensinando passos, tradições e mostrando a importância do “frevo da rua, aquele frevo encontrado no folião autêntico.
Nada voltado a espetáculos teatrais, onde a beleza estética é que deve chamar mais atenção. “Nossa pegada é mais de rua, mais improvisada, imprevista. Porque o folião de rua não tem movimentos pré-concebidos, ele é essencialmente livre no sentido coreográfico.”

Esse frevo mais pé no chão, tão apreciado pelos “Guerreiros do Passo”, explica-se pelas suas origens. Em 2005, quando o grupo foi criado, seus fundadores eram discípulos do Mestre Nascimento do Passo, um reconhecido passista, que no mesmo ano deixou a escola onde ensinava.

Por causa disso, seus discípulos também deixaram a escola e decidiram resistir culturalmente nas ruas, dando continuidade a metodologia ensinada pelo reconhecido passista pernambucano.

“A criação do grupo é resultado de uma rebeldia artística em nome do frevo, em nome do Mestre. Pois, quando ele saiu, muita gente tentou criar uma política de esquecimento da sua figura e cultura. E a gente ficou resistindo e resiste até hoje para manter o legado dele”, relembra Araújo.
As atividades do grupo funcionam na Praça do Hipódromo, zona norte do Recife. Lá, desenvolve dois projetos: o Laboratório do Passo e O Frevo na Praça. O primeiro realiza pesquisas sobre a dança. O outro oferece aulas de frevo gratuitamente todas as quartas e sábados.

A pretensão dos Guerreiros é multiplicar esses espaços culturais e ter uma sede. Araújo conta que o dinheiro para tocar o projeto é desembolsado pelos próprios professores. “Estamos fazendo um esforço grande pra viabilizar a obra. Tem membros do grupo se endividando em bancos. Por enquanto nosso desafio é esse: viver sem ter apoio público.”

Mesmo sem contar com apoio financeiro, o grupo não pensa em desistir e faz jus ao nome: “Nosso nome não é à toa. Vivemos lutando e resistindo contra todas as adversidades, mas sendo estimulados pelo amor ao frevo, pela cultura e história do nosso povo”, afirma.


Fonte: Revista Nabuco

  • VOLTAR
  • IMPRIMIR
  • ENCAMINHAR

Últimas Mais