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"A saída para a crise é a mudança" |
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O Brasil vive, desde maio,
nova crise financeira, que se desdobrou nas últimas semanas em grave crise
cambial, com a moeda brasileira sofrendo uma perturbadora seqüência de
desvalorização, acompanhada de fuga de divisas. As reservas recuaram para 28
bilhões de dólares e o governo recorreu mais uma vez ao FMI como seu avalista
e para garantir empréstimos de até 10 bilhões de dólares para "acalmar o
mercado". A crise, porém, não se atenuou. O denominado risco-Brasil,
medido pelas agências de consultoria financeira internacionais, atingiu o
patamar de segundo maior do mundo, suplantado somente pelo risco de uma Argentina
em colapso. Na verdade, o Brasil se
encontra diante de uma renegociação da dívida pública imposta pelos grandes
credores e especuladores que exigem o encurtamento do prazo dos títulos,
proteção cambial, venda de dólares e prorrogação do acordo com o FMI. Até agora,
foram atendidos em todas as suas demandas. O governo FHC tornou-se ainda mais
prisioneiro dos círculos dos grandes agentes financeiros transnacionais. Desde o seu 10º Congresso em
dezembro de 2001, o Partido Comunista do Brasil já afirma que a causa da
crise financeira reside no aprofundamento da dependência do país, na sua
crescente vulnerabilidade externa e, mais precisamente, na necessidade de
financiamento do elevado déficit do balanço de pagamentos, agora agravado
pela crescente dificuldade para captação de capitais externos em montante
suficiente para saldar o conjunto das despesas do serviço da dívida, remessa
de lucros e dividendos. Tal situação objetiva é que permite ao movimento
especulativo - próprio do capitalismo neoliberal contemporâneo - pescar em
águas turvas, complicando mais a crise em curso. A responsabilidade pela crise
atual, que se inter-relaciona com as anteriores, é do governo de Fernando
Henrique, que aplica exemplarmente a "lição de casa" ditada pela oligarquia
financeira internacional e se subordina, desde o inicio de seu mandato, aos
preceitos do conhecido "Consenso de Washington". Portanto não tem
fundamento a insinuação, muito menos a afirmativa, de que a oposição é
responsável pelo profundo impasse a que os setores políticos dominantes
levaram o país. Para a solução do impasse
brasileiro da dependência, do estancamento econômico, do desemprego e da
pobreza crescentes, da guerra social que se estende, do autoritarismo do
governo, é preciso um novo projeto programático. Projeto que seja expressão
da defesa do Brasil, da democracia e dos diretos sociais, base de um novo
governo que reúna todas as forças políticas e sociais interessadas em outro
rumo para o país. O povo quer mudança verdadeira. Cresce o clamor por um
novo caminho para o Brasil. A manutenção do rumo atual, como pretendem as
forças neoliberais continuístas, encaminhará o país para o colapso. Somente a
coalizão de novas forças políticas realmente comprometidas com a mudança, com
ampla base popular e apoio das organizações democráticas da sociedade - que
vai se expressando na candidatura a presidente da República de Luiz Inácio
Lula da Silva e se amplia com a candidatura a vice-presidente de José Alencar
- será capaz de tornar realidade o empreendimento mudancista. O PCdoB considera que para
aplicação do programa de mudança pelo novo governo, em face das pesadas
restrições internas e externas que estão presentes, é preciso um período de
transição no qual não cabem medidas voluntaristas ou apressadas. As premissas
da transição ao novo programa devem ser criteriosas, mas não impeditivas do
caminho da mudança. Entretanto, não cabe às forças que não são governo
detalhar desde já medidas e plano de transição, porque a realidade econômica
e política está em evolução constante e as suas responsabilidades não se
confundem com as do governo constituído. O governo FHC é responsável pela
crise de confiança instalada na situação econômica. Unamo-nos em torno do programa de mudança para defesa do Brasil, da reconstrução nacional e democrática e fortaleçamos e ampliemos a coalizão dos Partidos que têm como centro as candidaturas de Luis Inácio Lula da Silva e de José Alencar. São Paulo, 24 de junho de 2002. Comissão Política do Partido Comunista do Brasil |