O 5º PEP

e o

Planejamento Estratégico Situacional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1º Relatório

Dezembro de 2003


São Paulo, 12 de dezembro de 2003

 

 

 

Camaradas:

 

 

 

 

O 5o Plano de Estruturação Partidária está tomando corpo. Como é próprio do planejamento, esse é um processo contínuo e com muitas etapas, que vem sendo conduzido de modo inclusivo, dada a tarefa de coordenar o esforço de 27 Estados, em várias frentes de atuação, num único Plano Nacional válido para todos, sujeito a todo tipo de injunções políticas. 

Cresceu a cultura política de planejamento no PCdoB. É um trunfo importante nesta hora em que devemos levar a concepção de estruturação partidária a um nível mais elevado para assegurar o caráter de um Partido Comunista classista, transformador, e ao mesmo tempo de massas. Entretanto, nossas técnicas de planejamento ainda têm sido artesanais, empíricas ou intuitivas, dificultando avaliar os resultados dos esforços feitos.

 

Neste 5o PEP, damos alguns passos para sanar essa deficiência. Estamos adotando a metodologia do Planejamento Estratégico Situacional – PES para a direção nacional. Em janeiro de 2004 terá lugar mais uma etapa desse esforço. Os resultados parciais são os que apresentamos a seguir. O esforço se iniciou com a elaboração das diretrizes nacionais, que foram discutidas em todas as Conferências Estaduais e muitas municipais; estas as adotaram como base de um Plano compreendido como programa de gestão dos comitês eleitos. A direção é boa, nos termos da 9a. Conferência Nacional, bastante assimilada e consolidada em todas as esferas do Partido.

 

Isso tudo precisa confluir para a versão final de objetivos, projetos e metas integradas entre Nacional e Estaduais, compatibilizando as metas em cada Estado. Isso deverá ocorrer no Encontro Nacional sobre Questões de Partido, a ser convocado pelo Comitê Central. Com esse Encontro, esperamos colocar a estruturação partidária em patamar mais elevado na pauta de atuação do PCdoB. Para isso, o planejamento é ferramenta decisiva para perseguir as prioridades, ao invés de ficar ao sabor das urgências. Ela veio para ficar!

 

Da parte da direção nacional medidas de fortalecimento da Comissão Nacional de Organização foram adotadas, para permitir um monitoramento contínuo do PEP. Deveremos promover um curso nacional sobre técnicas de planejamento. O esforço conta com a participação motivada de todas as Secretarias Nacionais. Esse é um exemplo que se espera seja seguido em todos os Estaduais.

 

 

Walter Sorrentino

Secretário Nacional de Organização


Introdução:

 

 

A partir da realização da 9ª Conferência Nacional, em junho de 2003, e no curso do processo das Conferências Estaduais Ordinárias o PCdoB encontrou um grande crescimento, seja quantitativo, quase 37.000 filiados, seja qualitativo, alcançando 297 vereadores, atraindo um conjunto de lideranças do esporte, da cultura, do proletariado e da juventude. O PCdoB alcança praticamente todos os municípios com mais de 100.000 habitantes.

 

Vivemos o momento de maior crescimento do Partido, em nossa larga história, e ao lado disso, persiste o constante e permanente esforço para a sua estruturação e fortalecimento.

 

A resolução da 9a Conferência indica essa “nova etapa na acumulação de forças do Partido, que aponta para a renovação de linhas de trabalho em sua estruturação” e estabelece a exigência de “um novo processo de acumulação de forças para a construção da hegemonia política e ideológica no movimento transformador”.

 

Fixa que “nas novas condições em que atuamos, portanto, devemos deslindar os elos que articulam, em outro patamar e em novas condições, os componentes políticos, ideológicos e organizativos na estruturação partidária”.

 

No curso das Conferências Estaduais o Partido esteve chamado a aprovar o plano de atuação para o próximo biênio. Plano que terá seu desenvolvimento nesse novo ciclo aberto com a eleição de Lula e que nos põe grandes possibilidades e desafios. Dois momentos se destacam e demarcam as ações do plano: as eleições de 2004 e a realização do 11o Congresso do PCdoB.

 

Para as eleições de 2004 o PCdoB pretende ampliar sua base eleitoral e firmar sua fisionomia própria tendo por base a necessidade de fortalecer a sustentação do governo Lula, visando seu êxito na condução das mudanças necessárias para o Brasil responder ao anseio de um novo ciclo de desenvolvimento nacional, em ruptura com as políticas neoliberais aplicadas anteriormente.

 

O 5º Plano de Estruturação Partidária – PEP

 

O 5º PEP mantém a concepção que nos guia desde o 1o PEP, em 1999, ainda somente com as frentes internas do Partido – Organização, Finanças, Formação e Comunicações -- , de conseguir, através de um plano conjunto e articulado, uma abordagem multilateral e concreta para a estruturação e fortalecimento do Partido. Houve um aprimoramento a partir do 4o PEP, que incorporou as Frentes de Massas – Sindical, Juventude e Movimentos Populares e Sociais e fixou a abrangência do plano para bienal, coincidindo com o mandato de gestão dos comitês intermediários.

 

A incorporação das frentes de massas reforçou a compreensão de que a estruturação partidária deve estar em compasso com a implementação do projeto político do Partido, tendo a ação política e de massas como elemento impulsionador central desse projeto. É no curso da luta política que o PCdoB cresce, se estrutura e se fortalece.

 

O PEP concatena e concentra o plano de gestão do Comitê Estadual. Seus objetivos e metas, formulados a partir das diretrizes nacionais, têm sua implementação estabelecida especialmente nos maiores municípios.

 

O processo desenvolvido pelas Comissões do Comitê Central, em seu formato e método, avança para a instituição do Planejamento Estratégico como ferramenta permanente na elaboração do Plano de Estruturação Partidária.

 

 

Etapas do Planejamento Estratégico:

 

 

O Planejamento Estratégico precisa ser visto como um processo contínuo e de implementação gradual. Sua implantação pressupõe o estabelecimento de uma nova dinâmica na elaboração e formulação de planos, objetivos e metas e, sobretudo, o estabelecimento de um conjunto de sistemas de planejamento, gerenciamento, avaliação e controle das atividades.

 

Essa nova dinâmica tem como base: a) a utilização do Planejamento Estratégico Situacional como método e ferramenta de trabalho e b) a articulação e o encadeamento dos planos estaduais com o PEP Nacional em uma única matriz.

 

Neste sentido, a primeira etapa do Planejamento Estratégico das Frentes de Atuação do Comitê Central consistiu na definição das Diretrizes Nacionais para a elaboração dos Planos de Estruturação Partidária – PEP nos Estados. Isso foi feito em uma sessão de trabalho realizada no dia 8 de outubro de 2003 com o conjunto dos secretários nacionais e respectivas comissões auxiliares. O produto dessa primeira etapa foi apresentado através das diretrizes repassadas aos estados e publicadas no jornal A Classe Operária (I) e que pautaram as discussões e a elaboração dos planos estaduais, no processo de conferências.

 

A segunda etapa consistiu na definição dos objetivos e metais nacionais e na identificação dos riscos e ameaças,  que indicarão a formulação de planos de contingências. Essa sessão de trabalho foi realizada no dia 26 de novembro de 2003. O produto da segunda etapa consta do presente relatório (II e III).

 

À medida que os estados repassem para a direção nacional os planos formulados para o próximo período, a CNO estará elaborando um relatório com o conjunto dos objetivos e metas formulados e eventuais projetos indicados pelos CEs. A próxima sessão de trabalho está acertada para o dia 21 de janeiro de 2004.

 

A terceira etapa do Planejamento definirá quais os projetos que precisam ser implementados para a realização dos objetivos e metas nacionais e que operações (tarefas) estão envolvidas em cada um dos projetos que vier a ser formulado. Neste momento será considerado o relatório dos PEP estaduais a fim de assegurar a articulação e encadeamento necessário.

 

Essas três etapas iniciais servirão de base para a elaboração do 5º Plano de Estruturação Partidária, composto de objetivos e metas (resultados esperados), projetos e operações integradas nos âmbitos nacional e estadual. Isso deverá ocorrer no Encontro Nacional sobre Questões de Partido.

 

As etapas apresentadas acima não encerram o propósito de implantar um sistema de planejamento. É preciso incorporar um conjunto de elementos e variáveis ainda não trabalhados e seguir no estabelecimento de outros sistemas de direção estratégica. Esse objetivo será perseguido ao longo de 2004 e 2005.

 

A avaliação e o controle fecham o ciclo do processo de planejamento e sua finalidade é indicar até que ponto os cursos de ação estão sendo apropriados ou não à consecução dos objetivos e das metas. Visa ainda indicar se os objetivos formulados seguem adequados às condições da realidade,  se não houve desvio entre o planejado e o realizado.

 

Para que se estabeleça um efetivo sistema de avaliação e controle é necessário que desde o início do planejamento sejam definidos parâmetros de avaliação relacionados aos objetivos e metas. Os parâmetros de avaliação são indicadores que permitem o monitoramento e a medição das ações em relação aos objetivos e metas estipulados. Esses indicadores podem ser quantitativos ou qualitativos.

 

A avaliação sem o respectivo controle não é suficiente. A avaliação em si não implica tomada de decisão. Apenas indica as bases e a direção da intervenção. O controle envolve o estabelecimento de procedimentos capazes de corrigir o processo decisório, indicando onde e quando intervir, para que o planejamento possa seguir seu curso apropriado.

 

Para tornar possíveis as ações de avaliação e controle da atividade partidária é importante que seja elaborada uma matriz de gerenciamento, detalhando-se os objetivos e metas a serem buscados com a identificação dos projetos e das respectivas responsabilidades. A matriz de gerenciamento é um quadro sintético que permite à direção do Partido uma visualização plena das atividades envolvidas no plano.

 

 

Diretrizes Nacionais para a elaboração dos Planos de Estruturação Partidária – PEP nos Estados:

 

 

As diretrizes nacionais foram formuladas a partir da análise da realidade de implementação e atuação do plano. O pano de fundo dessas diretrizes são as orientações da 9º Conferência Nacional, que estabeleceu a linha tática, as tarefas e os desafios que o Partido deve enfrentar no novo quadro aberto com a eleição de Lula. São as linhas básicas que indicam as referências estratégicas que devem ser observadas na formulação dos objetivos, metas e projetos do Partido nos Estados.

 

É importante que o PEP parta dessas diretrizes associando-se com o exame da realidade e o grau de acumulação  local, formulando objetivos e metas consistentes e factíveis.

 

Essa abordagem aproxima o planejamento do agente, buscando assegurar a máxima da qual planeja quem executa.

 

 

I. Quadro de Diretrizes Nacionais

 

 

Organização

 

Partido Comunista de massas, grande e estruturado em Organizações de Bases

 

1.     Manter foco principal do trabalho entre os trabalhadores, juventude e intelectualidade, desdobrado em políticas de formação, comunicação e outras

2.     Fortalecer e estruturar o partido no curso das lutas políticas e sociais

3.     Estruturar o Partido em todos os municípios com mais de 100 mil habitantes

4.     Incentivar o funcionamento (reuniões) regulares das OBs

5.     Construir OBs nos maiores municípios e nas grandes empresas

6.     Renovar e fortalecer as direções partidárias

7.     Aperfeiçoar mecanismos de planejamento e controle da estruturação

8.     Legalizar todos os Comitês Estaduais

9.     Fortalecer as Secretarias e comissões auxiliares de todas as frentes. Constituir a Secretaria de Relações Institucionais.

 

Finanças

 

Assentar em bases políticas a sustentação partidária

 

1.     Estimular a contribuição de todo militante ao Partido

2.     Ampliar a base de contribuição do Sincom

3.     Incorporar a contribuição de cargos institucionais (governo, sindicatos etc)

4.     Diversificar as fontes de recursos com base no trabalho político do Partido

5.     Identificar orçamento específico e fontes garantidoras para todos os projetos previstos

6.     Construir comissões de finanças capazes de gerir política e tecnicamente à frente

7.     Implantar o orçamento programa

 

Comunicação

 

Divulgar para milhões as idéias e bandeiras do PCdoB

 

1.     Priorizar e difundir os instrumentos do sistema nacional de comunicação

2.     Criar meios de divulgação voltados aos trabalhadores

3.     Buscar que todos os militantes tenham acesso ao jornal A Classe Operária

4.     Buscar que todos os estados disponibilizem instrumentos de comunicação do Partido com as massas

5.     Ampliar acesso ao portal Vermelho e ao Partido Vivo

6.     Criar sucursais da comunicação nos Estados

7.     Vincular as cadeias de TV com ações locais

 

Formação e Propaganda

 

Protagonismo na luta de idéias e elevação do nível político e teórico do coletivo

 

1.     Estruturar e dinamizar as sessões estaduais do IMG

2.     Ampliar a formação básica para os novos filiados

3.     Desenvolver formação específica para os trabalhadores, em especial os operários

4.     Estruturar a Escola Nacional com sessões estaduais e regionais

5.     Eleger em cada CE secretários de formação e propaganda e comissão auxiliar

6.     Aumentar a circulação da revista Princípios e publicações da Editora Anita nos Estados

7.     Avançar na ação coordenada entre comunicação e propaganda

 

Diretrizes Gerais para as Frentes de Massas (Sindical, Juventude e Movimentos Sociais e Populares)

 

Ser protagonista das lutas do povo brasileiro – participar da Coordenação dos Movimentos Sociais - CMS e dos fóruns e campanhas nos estados e municípios

 

Politizar a intervenção de acordo com o novo quadro político vigente – preservando a autonomia dos movimentos sociais e intensificando o apoio ao governo Lula na condução das mudanças

 

Intensificar a ação política de massas do Partido na luta concreta do povo, articulando as lutas específicas com as lutas gerais (contra Alca, pela Paz, contra o Imperialismo, pela soberania nacional e pelo desenvolvimento com valorização do trabalho)

 

Sindical

 

Fortalecer o Partido entre os trabalhadores

 

1.     Fortalecer o Partido com prioridade nos ramos estratégicos – metalúrgicos e petroleiros

2.     Construir o Partido nas maiores empresas de cada Estado, principalmente nos centros de maior concentração operária

3.     Organizar e fortalecer a CSC e aumentar a circulação da revista Debate Sindical

4.     Manter, consolidar e conquistar novas posições na CUT, Federações, Confederações e Sindicatos visando disputar a sua hegemonia

5.     Promover cursos para elevar o nível de formação política e ideológica para as  lideranças sindicais através do CES e IMG.

 

Juventude

 

Avançar na ação política de massas e na construção da UJS

 

1.     Buscar que todo jovem comunista atue na UJS e os quadros jovens nas direções da UJS

2.     Debater a resolução sobre juventude do CC e as resoluções do Encontro Nacional “Partido e Juventude”, superando os entraves para sua aplicação

3.     Organizar e formar os jovens comunistas, interagindo com as frentes de organização e formação e propaganda

4.     Atuar na área de políticas públicas de juventude

5.     Desenvolver estudos sobre a juventude brasileira

6.     Definir secretários de juventude nos CEs e aperfeiçoar o trabalho de direção

 

Movimentos Sociais e Populares (revisão após 8a reunião do CC)

 

Ampliar a inserção do Partido nos setores populares e a construção partidária a partir das lutas populares

 

1.     Ampliar a inserção do Partido na luta pela Reforma Urbana, pelo direito à saúde, educação, cultura, esporte e lazer

4.2.     Desenvolver a elaboração coletiva do Partido para as frentes dos movimentos populares e sociais

7.3.     Constituir secretarias dos movimentos sociais e populares nos comitês estaduais

8.4.     Fortalecer o trabalho do Partido na frente comunitária (Conam)

6.5.     Fortalecer a atuação do Partido na luta emancipacionista da mulher, trabalhando com a revista Presença da Mulher (UBM)

3.6.     Fortalecer a atuação do Partido na luta anti-racismo (Unegro)

10. 

 

 

Objetivos e Metas Nacionais:

 

 

A elaboração das diretrizes nacionais tinha como sujeito o conjunto das direções intermediárias, sobretudo as direções estaduais. Já os objetivos e metas nacionais foram formulados pelas frentes de atuação do Comitê Central procurando expressar os resultados esperados ao final do período compreendido no 5º Plano de Estruturação Partidária – PEP.

 

Os objetivos e metas apresentados abaixo refletem a percepção da direção nacional acerca dos grandes eixos de atuação e linhas indutoras da atividade partidária nos estados. É através desses resultados que as frentes de atuação pretendem assegurar e dar conseqüência às orientações da 9º Conferência Nacional do PCdoB.

 

 

II. Quadro de Objetivos e Metas Nacionais

 

 

Organização

 

  1. Acentuar o crescimento direcionado para os segmentos estratégicos

§         [Definir meta]

  1. Atuar como pólo irradiador da política do Partido para as macro-regiões de cada Estado.

§         [Definir meta]

  1. Focar a construção partidária junto aos trabalhadores
  2. Diminuir a subestimação do trabalho junto à classe operária

§         Construção e crescimento em 6 Estados mais 2: AM, BA, MG, RJ, RS e SP mais PR e SC

  1. Incorporar os jovens comunistas na estrutura do Partido