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Em virtude da vigorosa expansão das
fileiras do PCdoB observada nos últimos meses, a página
Partido Vivo republica a matéria abaixo, de abril deste
ano, que trata de orientação fundamental para que os Comitês
dêem um tratamento qualitativo ao crescimento partidário.
Política de quadros para um projeto
ampliado
por Walter Sorrentino*
O PCdoB, no conjunto do país, está
vivendo empuxe de certa magnitude em sua atuação. O
prestígio alcançado pelo Partido com a participação na
vitória de outubro, o papel que desempenhamos na luta
política e social em torno da mudança de rumos do país, a
participação crescente em esferas de governo federal,
estadual e municipal, puseram o PCdoB em novo patamar, com
exigências que se refletem em sua atividade. Numerosas
filiações estão ocorrendo; inúmeros comitês novos
estão sendo estruturados; frentes novas de atuação - como
a participação em governos - cobram esforços; frentes
mais tradicionais - a luta de massas, a luta de idéias, o
trabalho de formação - cobram respostas que não se bastam
mais com as que foram dadas no período anterior.
Vivemos, de certo modo, um momento
fundante de um novo ciclo na acumulação de forças do
PCdoB. Naturalmente, isso se reflete na atividade de
direção. É nela que se manifesta de imediato o peso
dessas exigências. Um aspecto bastante saliente tem sido a
questão de que faltam quadros para sustentar o empuxe e
colocar tais direções num patamar mais elevado de seu
trabalho. É uma questão real e até certo ponto esperada
neste momento de transição de nível de nossa atividade.
Entretanto, não podemos ser contemplativos nessa questão,
sob o risco de nos atrasarmos quanto às possibilidades de
impulsionar o Partido.
É preciso despregar todas as forças para
investir nesse impulso, e a questão dos quadros é central.
Numa situação especial como essa, a formação, promoção
e alocação dos quadros também deve ser especial. Três
aspectos, entre outros, são limitantes e chamam a atenção.
Um é fenômeno recorrente hoje no Partido:
dispõe-se de estrutura de quadros madura, coesa,
experiente, que dá estabilidade ao Partido. Mas se
enfraqueceu, no âmbito da direção, um centro executivo.
Ou seja, os quadros estão cada vez mais cumprindo papéis
sociais e políticos relevantes, com pouco tempo ou
disponibilidade para o trabalho executivo de direção. O
resultado em geral é preocupante. As direções executivas
são secundarizadas; frentes de atuação ficam sem
direção à altura das exigências; lideranças expressivas
participam pouco do processo de direção; o impulso à
estruturação do partido não é aproveitado.
Outro fenômeno é também muito presente.
Uma visão monotônica quanto ao papel de direção
executiva. Isso leva a problematizar centralmente o
aproveitamento dos quadros com base na disposição ou
disponibilidade deles, limitando as possibilidades de
superação dos problemas. Isso embute uma visão
determinada, que está longe de ser a única ou a mais
apropriada - a de que quadros precisam ser
profissionalizados em tempo integral. Nossa estrutura de
direção reflete muito ainda esse condicionamento. Em
algumas situações, isso tem levado a dispor de quadros ou
militantes sem suficiente bagagem para cumprir papéis para
os quais não estão preparados. Já argumentei, em outro
artigo, o problema que isso trouxe quando se aplicou essa
visão nas secretarias de organização, o que foi muito
freqüente no período após o 10o Congresso.
Subjacente a ambos esses fenômenos fica
posta a questão de visões limitadas, sectárias ou
intolerantes sobre os quadros e, por conseqüência, sobre
seu aproveitamento. Mais freqüentemente do que
gostaríamos, isso reflete estilos de direção fechados,
que buscam se impor mais pela autoridade que pela liderança
sobre o Partido. Isso quando não se desdobram disputas no
interior do Partido, pondo relações pessoais acima de
relações políticas e institucionais mediadas pelo projeto
partidário, comprometendo relações de confiança mais
ampla. Enfim, isso vem limitando um aproveitamento
multiforme das capacidades e potencialidades de cada um ao
projeto partidário. A experiência parece indicar que, no
mais das vezes, uma política de quadros estreita reflete
estagnação das linhas de construção e estruturação
partidárias e esgotamento de papéis das direções das
frentes de atuação.
O que se quer ressaltar é que se não
alcançamos realizar uma política de quadros mais rica e
multiforme, aproveitando todos os potenciais do Partido,
nossos problemas de direção não se equacionarão. O que
preside a construção e estruturação partidária são
linhas políticas, ideológicas e organizativas, fixadas
coletivamente e geridas pelas direções eleitas por todos.
Os quadros são plasmados por essa linha e são
indispensáveis a um frutífero trabalho de direção. As
relações de confiança que se estabelecem entre os quadros
dirigentes não nascem prontas, são construídas, e têm
por base o conteúdo de nosso projeto político. Se
conduzimos corretamente essa construção, ela vai se
desdobrar em relações de confiança inter-pessoais. Deve
estar claro que, neste novo impulso, isso precisa ser
superado. Ao abrir o Partido nessa nova fase, devemos nos
preocupar em trazer ao trabalho de direção numerosas
forças novas e métodos e estilos novos.
Precisamos descondicionar nossa visão
para perceber que, de certo modo, quadros há; a questão é
lançar mão de maior número deles, dispor de seu papel de
novo modo, ter visão mais larga e generosa na compreensão
disso e superar concepções e práticas entranhadas.
Precisamos dirigir cada vez mais o Partido
pela capacidade de elaboração política. Por isso, é
necessário combinar mais ativamente os papéis dos quadros
em sua vida política e social e em sua dedicação ao
trabalho executivo de direção. Não podemos abrir mão,
nas direções, dos que estão à frente de funções
institucionais ou eletivas. Isso implica, naturalmente, em
adaptar métodos e estilos de direção, para fazer frente
à necessidade de que esses quadros cumpram seus diversos
papéis, sem descurar de suas responsabilidades diretas com
o Partido. Na verdade, é necessário que quadros mais
experientes estejam à frente de secretarias executivas,
organizando comissões onde estejam sendo formados, na
experiência, novos quadros. O trabalho de direção
concreta é a melhor escola de formação. Estas comissões,
por sua vez, devem combinar apoio técnico e material
adequado, para permitir que o trabalho principal possa
recair sobre a elaboração das linhas políticas de
estruturação do trabalho.
Aí está posta então a demanda mais
ampla de quadros, de diversos tipos e capacidades, com
diferentes condições de dedicação ao trabalho de
direção. Precisamos saber ver que há inúmeros
militantes, homens e mulheres que vão se projetando na vida
política, na luta social, ou ainda com forte formação
acadêmica ou técnica, que precisam ser promovidos a
cumprir papéis mais elevados na vida partidária. Há
quadros que podem se dispor a responsabilidades maiores e
não encontram aproveitamento. O documento-base da 9a.
Conferência argumenta centralmente sobre esses aspectos,
para nos propor criar um repertório mais variado de medidas
para enfrentar esse gargalo.
*Walter
Sorrentino, médico,
é
Secretário Nacional de Organização do
Comitê Central do PCdoB
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