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Brasil, sexta-feira, 21 de novembro de 2008

17 de DEZEMBRO de 2003

 COLUNAS

ENCONTRO NACIONAL SOBRE QUESTÕES DE PARTIDO

Informe de Walter Sorrentino* prestado à reunião plenária do CC, Dezembro de 2003

Em sua última reunião de um ano extraordinário para o país e para o Partido, o Comitê Central demonstrou estar à altura das responsabilidades que recaem sobre o papel do PCdoB, examinando a fundo a situação partidária e extraindo Resolução que aponta para a intensificação da luta pelo seu fortalecimento. Já é a terceira vez neste ano de 2003 que o CC pauta as questões de Partido, relevando o esforço por acentuar o papel estratégico que tem a maior estruturação partidária neste novo ciclo político de lutas por superar a crise estrutural do país.

O PCdoB vive uma situação excepcional do ponto de vista de sua atuação política. Realizou este ano dois esforços nacionais de conferências - momentos em que passou em revista as tropas. Na 9a. Conferência elaborou-se a política e nas conferências ordinárias organizou-se a sua aplicação em todo o país. O que se verifica, objetivamente é que o Partido em todo o país assimilou bem as orientações da 9a. Conferência e aumentou sua coesão em torno delas, num processo que se consolidou nesta reunião do CC. Definiu-se com maior precisão o lugar político do PCdoB e, com isso, sua maior visibilidade e protagonismo político, com repercussão em todos os Estados. O Partido é hoje interlocutor da grande política no país, uma força nem centrista nem precipitada na luta pelo êxito do governo Lula na construção das mudanças que o país necessita. Dá vazão ampliada, assim, à sua característica e vocação de força transformadora no cenário político nacional.

Com isso, abriu campo também para uma política eleitoral mais avançada, para 2004, procurando superar condicionamentos da tática clássica de coligação e concentração de candidaturas. Ao que tudo indica, será a grande batalha por consolidar esse novo ciclo de acumulação de forças partidárias. Isso sem descuidar do maior protagonismo na luta social: em 2003 o PCdoB e as organizações sob seu comando conquistaram a presidência de 3 CUTs estaduais, a vitória na UNE e na UBES; organizou o Encontro da Juventude, da UBM e da UNEGRO; teve participação destacada na Conferência das cidades e da saúde. Empenhou esforços de vanguarda na Luta pela Paz e contra a ALCA, mais a coordenação dos movimentos sociais e no Forum Social Brasileiro.

Enfim, em todo o país, assimilou-se bem as novas linhas de acumulação de forças – intensamente discutidas nas Conferências e em torno das quais se formou largo consenso -, tendo por centro a noção de um PC de massas, apto a lutar pela hegemonia perseguindo seu projeto político. Pode-se dizer que se inaugurou de fato nova fase para o partido. Ao lado disso, demonstrou sua vocação consciente com a decisão disciplinar do CC, que teve enorme impacto educativo nas fileiras partidárias e obteve unânime apoio nos comitês partidários.

O resultado desse esforço, objetivamente, é que o Partido vive sua maior e mais intensa fase de expansão militante. O PCdoB cresceu 71% neste ano! Somos uma força com 200 mil filiados, 60 mil militantes mobilizados na Conferência. Filiamos 37 mil novos este ano, realizamos 1426 conferências municipais (e estamos presentes em 1700 municípios), praticamente em todos os com mais de 100 mil habitantes (exceto 7 das quase 240). O CC considerou que o crescimento havido foi fruto de uma onda política, positiva e intensa, que ainda teve em nós insuficiente esforço de direcionamento. Entretanto, ocorreu um conjunto muito amplo e variado de filiações de lideranças políticas locais (inclusive prefeitos, deputados), lideranças populares, algumas de maior expressão, entre as quais da juventude, sindicalistas, pessoas do mundo dos esportes, da cultura. Dois emblemas podem ser postos. João Quartim de Morais, intelectual marxista, disse: “é hora de PCdoB porque tem as posições justas e não vai fazer concessões estratégicas diante da difícil disjunção que a luta no país vai conhecer”. Elton, ex-presidente do PT de Curitiba por 7 anos, disse que se venceu uma etapa com Lula, a hora é de definições partidárias mais estratégicas e ideológicas – “é hora de PCdoB”.

Estamos com 297 vereadores em 235 cidades (98 a mais que as que elegemos em 2002).Ampliamos a participação institucional em 1o escalão de governos para 8 Estados; em 10 capitais e em 97 municípios do interior estamos em 1o ou 2o escalão de governo; somamos 92 quadros em 1o escalão, além dos 7 prefeitos e 16 vice-prefeitos.

Quanto à estruturação, o 4o. PEP marca uma mudança positiva na cultura partidária e nos resultados. Há grandes avanços na assimilação dessa exigência em grandes Estados e há maior espírito autocrítico do Partido com respeito a essa exigência. Além do crescimento das fileiras militantes como dado mais relevante, e o maior protagonismo político e na luta social, adensaram-se todas as esferas de atividade partidária, particularmente com o Portal, com os cursos e com o sistema de contribuição militante. Elegemos 1250 dirigentes estaduais – 35% a mais que 2001 – revelando crescimento dos Comitês Estaduais; cerca de 10 mil dirigentes municipais foram eleitos em conferências. Na definição do 5o. PEP, que está em curso, as diretrizes nacionais foram discutidas em todas as Conferências Estaduais. Tudo vai confluir, para a versão final de objetivos, projetos e metas integradas entre Nacional e Estadual, compatibilizando as metas em cada Estado. Isso deverá ocorrer no início de 2004, abrindo ao mesmo tempo a primeira etapa que tem lugar durante a campanha eleitoral. Esperamos chegar a 100 mil militantes até o 11o Congresso, considerando que uma vitória expressiva de nosso campo e do PCdoB em 2004 abre possibilidades para isso.

O mérito da reunião do CC foi ter se debruçado sobre essa realidade e extrair conseqüências para o fortalecimento do caráter dirigente e de vanguarda do PCdoB. Concluiu-se que o o partido vive uma nova situação, que repõe o diagnóstico das defasagens e das exigências ampliadas pela sua estruturação. Questões derivadas do crescimento das fileiras e seu impacto na vida partidária, da exigência de direcionar esse esforço para os grandes centros urbanos e empresas modernas do país, de se construir bases mais extensas e direções mais coesas, de mergulhar nos movimentos sociais e superar os gargalos da comunicação com amplas parcelas da sociedade, da formação de extensos contingentes militantes, e da sustentação material ampliada que se espera para o impulso de crescimento. Enfim, questões relacionadas ao reforço da capacidade dirigente em torno do projeto político e da luta pela hegemonia de suas idéias avançadas no processo de luta por um Brasil soberano e independente, desenvolvido e democrático.


Com claro espírito de elevar a luta pelo papel estratégico do PCdoB e de seu projeto político, o CC afirmou que é necessário novo patamar nos esforços de estruturação. O PCdoB vai continuar crescendo, isso é bom e necessário. Isso vai seguir ocorrendo em primeiro lugar como fruto de nossa política e atuação política, e queremos que sobretudo por intermédio da ação política de massas. O Partido mostra capacidade de pôr a política no comando e ocupar seu lugar político – e a luta contra uma concepção doutrinarista da política vai precisar prosseguir, como parte do esforço de maturação do Partido. Mas isso, sendo indispensável, basta? A indagação se pôs: como assegurar o caráter e o projeto do Partido? Permanece atual e suficiente o esforço de estruturação que vimos fazendo até aqui? Que desenvolvimentos se exigem?

A conclusão imperativa a que se chegou é que o atual esforço de estruturação é necessário mais que nunca, mas insuficiente. Sem isso, o crescimento se dará como “areia solta”, como dizem os chineses. Talvez nós brasileiros devêssemos dizer: como dunas. O CC conclamou, em primeiro lugar, a elevar a batalha de idéias interna ao Partido, por uma sólida concepção de estruturação partidária. Em segundo lugar, para soldar mais essa concepção de estruturação partidária de alto a baixo, sobretudo nos escalões intermediários do Partido. Em terceiro lugar, simultaneamente, para desenvolver essa concepção, desenvolver o pensamento de Partido, pô-lo em consonância com o nosso tempo, nossa gente e com o projeto político do Partido. Como se sabe, propusemos o eixo de um PC de massas.

Para isso o CC convocou um Encontro Nacional sobre Questões de Partido, em torno de um documento oferecido ao debate, intitulado “PC de massas, organizado pelas bases, sobretudo entre os trabalhadores, consolidado a partir de direções intermediárias em especial nos grandes municípios, com intenso protagonismo político entre os trabalhadores e todo o povo”. Visa-se a dar à concepção de estruturação partidária o caráter de princípios internos permanentes da construção partidária, fazer campanha permanente em torno deles, como modo de afirmar o papel estratégico do Partido.

O Encontro, para o início de 2004, pode ser um marco na vida partidária. A reunião do CC, cujos informes, resoluções e debates podem ser encontradas em nossa imprensa, sem dúvida foi já o início desse debate. Agora, vamos estendê-lo a toda a militância partidária, convocada desde já a tomá-lo em suas mãos, com decisão e espírito combativo.

 


*Walter Sorrentino, médico, é Secretário Nacional de Organização do Comitê Central do PCdoB

waltersorrentino@pcdob.org.br

 

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