Latino-americanos já investiram US$ 56,9 bi na China

O investimento acumulado das companhias latino-americanas na China chegou no final de 2005 a um valor de US$ 56,9 bilhões, segundo dados do Ministério de Comércio divulgados hoje pela agência oficial “Xinhua”.

Este investimento foi destinado ao financiamento de 17.956 projetos em território chinês, segundo uma análise sobre os vínculos econômicos entre a América Latina e a China publicado hoje pela “Xinhua”.



O investimento disparou na última década de um volume de comércio bilateral de US$ 2 bilhões nos anos 90 aos US$ 50 bilhões registrados em 2005. Só em 2004, o investimento chinês no exterior chegou a US$ 5,5 bilhões, dos quais 32%, ou US$ 1,76 bilhão, foram para a América Latina.



O aumento do volume de comércio entre as duas partes se sustenta na necessidade energética da China e na riqueza de recursos naturais da América Latina, que atraiu os principais produtores e fornecedores chineses de aço, metais e petróleo.



Parcerias
Dos 21 países latinos que mantêm relações diplomáticas com a China, 15 assinaram acordos comerciais governamentais com Pequim. Brasil, México, Chile, Argentina e Panamá são seus principais parceiros comerciais, nesta ordem.



A China e o Brasil mantêm uma importante cooperação na fabricação de aviões, satélites, software e biotecnologia. A principal siderúrgica chinesa, a Baosteel, extrai minério de ferro das minas brasileiras, enquanto fabricantes chineses de eletrodomésticos como Lenovo e TCL se estabeleceram no México como uma porta de entrada de seus produtos aos Estados Unidos.



Os chineses também assinaram convênios de proteção ao investimento com Cuba, Jamaica, Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai, Equador, Peru e Barbados. O país estabeleceu associações estratégicas ou de cooperação em todos os aspectos com Brasil, México, Argentina, Venezuela e Chile, país com que acaba de assinar um Tratado de Livre-Comércio.



A viagem do presidente da China, Hu Jintao, a Brasil, Argentina, Chile e Cuba em 2004 ajudou a disparar os investimentos e a cooperação. A China também estabeleceu vínculos com organizações regionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Parlamento Latino-americano, o Grupo do Rio, a Comunidade Andina, a Comunidade Caribenha e o Mercosul.



No entanto, o crescimento das exportações chinesas está causando conflitos em setores como o têxtil e o calçado em países como México, Brasil e Peru – além das crises com Estados Unidos e União Européia.