Oposição adia pedido para criação de mais uma CPI
Os autores do pedido de criação da CPI mista para apurar irregularidades em obras públicas, a partir da Operação Navalha, adiaram para a próxima semana a entrega do requerimento à mesa do Congresso. O deputado Julio Delgado(PSB-MG), que assina o requerime
Publicado 06/06/2007 19:13
A iniciativa para dar início a uma investigação do Congresso sobre desvios em emendas parlamentares, na chamada CPI da Navalha, começa a perder força.
Sem a segurança de ter as assinaturas necessárias na Câmara, o grupo de deputados adiou para a próxima semana a apresentação do pedido de criação da comissão, previsto inicialmente para esta quarta-feira (6).
“Nós percebemos que há um contra-ataque fortíssimo que emergiu e corremos o risco, se apresentarmos o requerimento hoje, de não termos a CPI”, disse o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que pertence a um partido da base aliada (PSB) mas age sistematicamente contra o governo em todas as discussões do legislativo.
Segundo ele, 173 deputados e 29 senadores deram apoio à iniciativa. São necessários, no mínimo, 171 e 27, respectivamente.
Uma das assinaturas da Câmara, de acordo com Delgado, está incompreensível, o que reduziria ainda mais a margem de segurança. Ele culpa o esvaziamento do apoio a uma manobra do governo.
“O governo teria 10 ou 12 requerimentos pedindo a retirada das assinaturas”, afirmou o deputado do PSB mineiro.
Os parlamentares querem mais tempo para aumentar o apoio e estabelecer uma “gordura” que dificulte para o governo enxugar a iniciativa com a retirada de assinaturas de parlamentares.
O ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, disse que fez uma sondagem informal entre os deputados governistas, que teria demonstrado não haver disposição de se criar uma nova CPI.
Para o ministro, a CPI da Navalha é uma tentativa “inócua” de investigar um tema já “sob os olhos” da Polícia Federal e do Ministério Público.
Mares Guia disse ainda que alguns parlamentares que assinaram o requerimento de criação manifestaram desejo de retirar o apoio.
“Quem gosta de CPI é a oposição. Mas o governo tem todos os instrumentos para fazer a investigação”, disse.
Com informações do G1