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Protestos na Jordânia culminam em queda do primeiro-ministro

Os protestos que se espalharam pelo mundo árabe nos últimos dias promoveram mudanças políticas em mais um país da região. O rei Abdullah, da Jordânia, destituiu seu primeiro-ministro, Samir Rifai, para tentar acalmar os ânimos da população, que foi às ruas para protestar contra o governo. O efeito dominó que levou o povo às ruas em busca de reformas democráticas começou na Tunísia e agora se espalha para outras nações.

O rei Abdullah tirou Samir Rifai do poder depois que sua renúncia havia sido pedida durante as manifestações. O monarca nomeou Maaruf Bajit como primeiro ministro e declarou que "ele terá de adotar medidas rápidas para efetuar reformas políticas reais". O general aposentado já foi premiê entre 2005 e 2007 e serviu como embaixador em Israel e na Turquia.

Porém, a oposição islamita e de esquerda afirmam que o substituto não é sinônimo de mudança ou reforma no governo e promete novas manifestações. O partido de oposição jordaniano, a Frente de Ação Islâmica (FAI), declarou que a situação no país não é a mesma do Egito. Os manifestantes não exigem uma mudança no regime, mas reformas políticas.

De acordo com Hamzeh Mansur, secretário geral do FAI, "parece que as reformas ainda não começaram a ser realizadas. Somos contra este primeiro-ministro. Os motivos das manifestações continuam vigentes", Segundo Zaki Bani Rsheid, do comitê executivo do FAI, "Bajit teve ao seu cargo as piores eleições legislativas da Jordânia", quando era primeiro-ministro, em 2007.

As ordens do rei são de que o novo primeiro-ministro forme um novo governo o mais rápido possível para evitar novos e maiores protestos, como aconteceu na Tunísia e no Egito. Bajit iniciou então, nesta quarta-feira, as conversas nesse sentido e um colaborador informou que a composição "deve ser anunciada no sábado ou domingo se as consultas avançarem".

O primeiro-ministro designado se reunirá "na quarta e quinta-feira com os dirigentes de todos os partidos políticos", sobretudo os islâmicos e de esquerda, "assim como todos os sindicatos profissionais", acrescentou a fomye, informando ainda que Bajit já se encontrou nesta quarta-feira "com os presidentes do Senado e da Câmara, além dos líderes dos blocos e comitês parlamentares, para dialogar sobre as reformas políticas".

Nas últimas semanas foram registrados intensos protestos em diversas regiões da Jordânia pedindo a Abdullah II a saída de Rifai. No último dia 28, após a oração muçulmana das sextas-feiras, milhares de pessoas protestaram em Amã e outras cidades do país. Essa não se tratou da primeira manifestação, já que nas últimas sextas-feiras os jordanianos vinham saindo às ruas para protestar pela decisão do Governo de subsidiar os produtos básicos e cancelar os impostos sobre determinados tipos de combustíveis, que eles consideraram insuficientes.

A intensificação dos protestos levou o rei a pedir na quinta-feira passada ao Governo e ao Parlamento que acelerasse as reformas políticas, econômicas e sociais em discurso diante da Assembleia Legislativa, que foi convocada para analisar a insatisfação da população. Em seu discurso, Abdullah II solicitou a modificação da lei eleitoral, muito criticada pelo maior partido do país, a Frente de Ação Islâmica (FAI).

"Todos os funcionários em questão devem assumir suas responsabilidades e tomar suas decisões de uma maneira audaciosa, clara e transparente", disse o rei. Rifai foi nomeado primeiro-ministro pelo monarca em dezembro de 2009 e este era seu segundo Executivo, designado após as eleições parlamentares de novembro.

Na Jordânia é o rei quem costuma ter a última palavra sobre a continuidade ou não do Governo e também quem designa o primeiro-ministro. Mesmo assim, Abdullah II se manteve a salvo de críticas por pertencer a uma dinastia que supostamente descende do profeta Maomé e por estar casado com uma mulher de origem palestina, a rainha Rania, respeitada pelos palestinos que vivem na Jordânia, que representam 65% da população.

A renúncia de Rifai se produz em um clima de protestos populares no mundo árabe desencadeados após a queda do presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali. Há uma semana a população do Egito sai às ruas para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak, de 82 anos, que está no poder há três décadas.

Com agências