Federação Internacional de Mulheres repudia o golpe no Brasil

A 16ª edição do Congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM), que ocorreu nos dias 15 a 18 de setembro deste ano, em Bogotá, na Colômbia, aprovou uma resolução que trata do reconhecimento do papel e do protagonismo das mulheres, pela soberania dos povos, pela não ingerência do imperialismo e não ao retrocesso nos direitos das mulheres”.

FDIM na Colombia

A resolução trata ainda do incentivo "à paz no mundo e da solidariedade com as mulheres na sua luta pela justiça social e o progresso!”

Para retratar a situação brasileira, a secretária nacional da mulher do PCdoB, Liége Rocha que participou do encontro, apresentou a moção da União Brasileira de Mulheres (UBM) de repúdio ao golpe institucional ocorrido contra a democracia no Brasil. A integra da moção segue abaixo:

Moção de repudio pelo golpe Institucional à Democracia Brasileira

Nós, mulheres de todo o mundo reunidas no XVI Congresso da FDIM, comprometidas com a paz e com história de luta contra o imperialismo que pretende submeter os povos de todo o mundo, subvertendo de várias maneiras os regimes democráticos e progressistas, vimos, com o sentimento de coragem e ousadia, próprio das mulheres, manifestar nosso repúdio ao golpe institucional hoje reconhecido por diversos governos e países da região e do mundo. Manifestamos nossa irrestrita solidariedade às mulheres e ao povo brasileiro que resistem ao avanço dos interesses econômicos e financeiros interacionais, apoiados na oligarquia nacional. Os últimos meses foram caracterizados pela intensificação das ações de desestabilização culminando com o golpe institucional, que levou à destituição da presidenta da república, legitimamente eleita, Dilma Rousseff.

Logo após as eleições, assistimos ao desespero das classes comprometidas com os interesses imperialistas e inconformadas com a impossibilidade de ascender novamente ao poder pelo processo eleitoral. Agiram de forma articulada com setores da mídia e sua representação, buscando desestabilizar a democracia brasileira e o projeto de poder político de compromisso com os setores sociais menos favorecidos, com os direitos dos trabalhadores, com construção da igualdade para as mulheres e todos os excluídos, e comprometido com os governos progressistas da América Latina e em propor políticas de defesa da soberania e da independência nacional. Um projeto que manifestou de forma muito clara a solidariedade do povo brasileiro para com os processos de desenvolvimento e paz na região, que são aspirações de todas nós, mulheres que lutamos pela emancipação dos povos e pela melhoria das condições de vida das mulheres. Foram estas políticas que passaram a ser violentamente atacadas com o falso discurso da moralidade e com profunda misoginia. Políticas que tiraram o Brasil do Mapa da Fome, que permitiram articulação com países fora do eixo imperialista, comprometendo-se com o proletariado de todo o mundo; preservaram e implementaram projetos de desenvolvimento com países como Bolívia e Cuba estabelecendo outras referências de relações de respeito e solidariedade entre os povos.

Nós mulheres de todo o mundo repudiamos o golpe cujos os resultados são já bem visíveis: voltam a surgir prisões políticos resultantes da criminalização dos movimentos sociais, particularmente do Movimento dos Sem Terra; a soberania do país é agredida com a política de lesa pátria que coloca em venda setores do pré-sal e de terras brasileiras para estrangeiros; são desarticuladas as instâncias de controle social construídas nos últimos anos, como o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher; a redução das verbas nos programas de moradia, de agricultura familiar, de democratização do acesso da juventude, das mulheres e de [email protected] à educação, com programas de financiamento estudantil, de cotas, de formação para o mundo do trabalho. Os direitos dos trabalhadores, das mulheres e dos jovens estão sendo liminarmente atacados.

Em defesa da soberania dos povos, do Estado Democrático de Direito, das liberdades democráticas, dos direitos conquistados pelo povo brasileiro e da emancipação das Mulheres dizemos não ao golpe e manifestamos toda nossa disposição para intensificarmos a luta e não deixarmos perder as grandes conquistas dos últimos anos.

Somos mulheres de luta, somos mulheres de ação. Defendemos até o fim os avanços conquistados prosseguindo no caminho da construção de uma sociedade de justiça social e de paz”.
 

Resolução aprovada no Congresso

Divulgada a resolução, o primeiro ponto do documento aprovado é retratado por uma moção de repúdio ao golpe institucional ocorrido no Brasil, após a destituição pelo Senado Federal da presidenta Dilma Rousseff em um processo fraudulento de impeachment. No mesmo item, a FDIM fala ainda da luta das mulheres na Venezuela, em Cuba e no Equador. Segue abaixo o trecho que aborda o assunto:

“A luta das mulheres na República Bolivariana da Venezuela e dos povos da América Latina que lutam por um mundo mais justo e livre, pelo fim do Bloqueio imposto pelos EUA a Cuba, por uma governação legal e não golpista no Brasil e de grande solidariedade com a Revolução Cidadã do Equador também ela em estado de grande ameaça”.

O Congresso contou com a participação de mulheres de 33 países, dos cinco continentes, representadas por 68 organizações.

Um dos momentos mais emocionantes do ato foi da participação de Piedad Córdoba (foto ao lado de turbante verde), ex-senadora colombiana que teve seu mandato cassado pela Procuradoria Geral do país em setembro de 2010, que a tornou inelegível por 18 anos sob a acusação de colaboração com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A advogada e política é ainda ameaçada de morte por sua luta social.