Sergio Moro planeja há 6 meses candidatura em 2022 contra Bolsonaro

Ministro tem recebido pesquisas eleitorais feitas onde seu nome é colocado como uma opção para concorrer à Presidência

Moro

Com o apoio de ex-aliados de Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Sergio Moro, planeja há seis meses o lançamento de sua candidatura à Presidência da República em 2022. Se o projeto Moro vingar, o ex-juiz deverá concorrer contra o próprio presidente, de quem está cada vez mais distante.

De acordo com a revista Época, Moro recebe há seis meses pesquisas eleitorais feitas por um instituto e não divulgadas publicamente. Nas sondagens, seu nome é colocado como uma opção para concorrer à Presidência da República em 2022. A sondagem é composta das chamadas “perguntas estimuladas”, em que os pesquisadores citam para o entrevistado quais são as opções de resposta.

No primeiro levantamento que recebeu, o ministro aparecia com mais de 15% de intenções de voto. Desde então, Moro passou a se debruçar sobre a análise mensal de seu potencial, buscando entender os dados. Seu foco é desvendar as motivações dos eleitores que, apresentados a uma lista de possíveis presidenciáveis que inclui Bolsonaro, afirmaram que votariam nele, Moro, para ser o novo inquilino do Planalto.

A “pré-campanha” é estimulada no PSL, o partido com que Bolsonaro se elegeu presidente, mas do qual se desfiliou, no ano passado, em meio a rixas e acusações. Aliado do presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, o ex-líder da legenda na Câmara Delegado Waldir (GO) afirma que tem pedido pela candidatura em todos os posts do ministro no Instagram. Em janeiro, Moro criou uma conta na rede social.

“Sempre comento em todas as postagens dele. Não sei se ele vai sair candidato ou não, mas já trato como meu candidato a presidente em 2022. Já lancei aqui em Goiás e já estou lançando em qualquer lugar”, diz Waldir. “O presidente Bolsonaro se afastou daquilo que eu e milhões de seguidores pensamos, se afastou da ética. E o Moro representa os valores da Lava Jato.”

Para o ex-líder do PSL, o episódio em que Bolsonaro cogitou a recriação do Ministério da Segurança Pública, com a possibilidade de retirar-lhe as atribuições da área, foi um ataque direto ao ministro. “Todo príncipe que pode se tornar rei é desprezado, humilhado. E há uma tentativa clara de destruí-lo.”

Outros parlamentares do partido preferem emitir mensagens cifradas de apoio a uma possível candidatura de Moro. Joice Hasselmann (SP), por exemplo, tuitou que o ministro, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, mostrou que “está pronto para desafios ainda maiores”. No Instagram, ela também puxou o saco do ex-juiz: “Moro arrebenta no Instagram! 112 mil seguidores por dia!”.

Os ainda aliados de Bolsonaro dizem – ao menos em público – que Moro é fiel e, por isso, não participaria de uma disputa eleitoral contra o presidente. “Não há a menor hipótese de Moro se rebelar”, afirma o deputado Bibo Nunes (PSL-RS). “Intrigas é o que mais tem contra o governo. E também há a tentativa de colocar o Moro em choque contra o Bolsonaro.”

Em live (transmissão ao vivo) na semana passada, a deputada Bia Kicis (DF) reforçou o discurso. Ao comentar o desempenho de Moro no Roda Viva, a parlamentar disse: “Ficou muito claro de que não existe nenhuma animosidade entre ele (Moro) e o presidente. A imprensa vive querendo fazer isso”.

Com informações da Época

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