PF abre inquérito contra secretário de Comunicação de Bolsonaro

Auxiliares de Bolsonaro aumentaram a pressão interna no Planalto pela saída de Wajngarten da Secom, apesar da resistência do presidente

A Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília abriu inquérito nesta terça-feira (4) para investigar o chefe da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência da República), Fabio Wajngarten. A investigação foi aberta a pedido do MPF (Ministério Público Federal) e visa apurar suposta prática de crimes de corrupção passiva, peculato, e advocacia administrativa.

Autor da solicitação, o procurador Frederick Lustosa, da Procuradoria da República no Distrito Federal, teve como base representação de diversos cidadãos. O caso veio à tona a partir de reportagem do jornal Folha de S.Paulo que revelou contratos da empresa FW Comunicação e Marketing, da qual Wajngarten é sócio, com ao menos cinco empresas que recebem recursos direcionados pela Secom, como a Band e a Record.

Em 16 de janeiro, o presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa de seu secretário de Comunicação. Disse que Wajngarten “vai continuar” no governo, e que não viu, “até agora”, ilegalidade. Em nota publicada no dia 28 de janeiro, ao saber do pedido do MPF, Wajngarten frisou não haver qualquer relação entre a liberação de verbas publicitárias do governo e os contratos da empresa da qual é sócio.

Porém, segundo a Folha de S.Paulo, auxiliares de Bolsonaro aumentaram a pressão interna no Planalto pela saída de Wajngarten da Secom, apesar da resistência de Bolsonaro. A abertura do intensificou a cobrança interna para que Wajngarten se afaste do cargo – e sua permanência se tornou insustentável.

Bolsonaro, de acordo com seus aliados, não considera afastar o chefe da Secom durante a tramitação da investigação da PF. A frente de apuração da PF é a primeira de caráter criminal a ser aberta. Em geral, o prazo inicial de inquéritos é de 30 dias.

Segundo relatos feitos à Folha, o Planalto identificou que, nos últimos dias, a crise não tem repercutido bem entre apoiadores do presidente nas redes sociais. Esse é um movimento que costuma preocupar Bolsonaro. A troca do comando da Secom é encampada por perfis identificados com a direita, que aproveitam o episódio para pregar uma mudança ampla na comunicação institucional.

A defesa é pela adoção de um tom incisivo contra os críticos do governo. O discurso é que Wajngarten deveria defender o presidente com a mesma energia com que responde às acusações feitas contra ele. No governo, há quem veja nas postagens as digitais do grupo ligado ao vereador e filho do presidente, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Apesar do aumento do desgaste, a aposta dos dois núcleos palacianos é de que, apesar de a saída de Wajngarten ser uma questão de tempo, não ocorrerá em curto prazo. Esse atraso na saída do secretário se deve ao fato de que o presidente deve aguardar a conclusão do inquérito da PF e a do processo administrativo no TCU (Tribunal de Contas da União).

Mesmo com os desdobramentos no TCU, no MPF e na PF, no Planalto já são defendidos nomes para substituir Wajngarten, como o do jornalista e youtuber Alexandre Garcia (ex-TV Globo) e do general Otávio Rêgo Barros, porta-voz da Presidência, que há dias não faz um briefing diário.

Com informações do Poder360 e da Folha

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