Governo Bolsonaro sabota o cinema, diz o diretor de Bacurau

Para Kleber Mendonça Filho, “o cinema é desmantelado diariamente” no Brasil

Kleber Mendonça Filho (o 1º à dir.) integra o júri do Festival de Berlim

O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor do premiado filme Bacurau, disse que o cinema nacional é alvo de sabotagem do governo Jair Bolsonaro. A fala foi feita na manhã desta quinta-feira (20), em encontro do júri com a imprensa no Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale.

Há 19 obras produzidas no País apenas nessa edição do festival. Mas segundo Kleber, apesar de o audiovisual brasileiro viver seu melhor momento, o período é muito difícil. “Este é o melhor momento do cinema brasileiro em sua história”, disse o ele, que é um dos membros do júri, presidido pelo ator britânico Jeremy Irons. “E é quando o cinema é desmantelado diariamente, quando passamos por momentos difíceis é que é o melhor momento para fazer filmes”, afirmou à imprensa internacional.

Kleber destacou a importância de novos diretores retratarem a realidade atual do país e o drama pelo qual passa a cultura. “Vou continuar a fazer filmes e a dizer o que eu penso”, afirmou. “Estou preocupado. Temos cerca de 600 projetos que atualmente estão congelados, por burocracia”, agregou o diretor, em comentário sobre recente declaração do diretor da Berlinale, Carlo Chatrian, de que tem inquietude em relação ao futuro do cinema brasileiro. “Preciso agradecer a Carlo, mas ele não é o único [a se preocupar].”

“O cinema brasileiro tem uma longa história. O que acontece agora [a boa fase] é resultado de vários anos de trabalho duro”, disse, referindo-se a políticas públicas, sobretudo após o governo Lula, que ajudaram a aumentar a diversidade do cinema nacional, anteriormente relegada aos estados do Sudeste. “É exatamente isso que está sendo sabotado agora. Sim, estou preocupado”, concluiu.

O diretor de Bacurau é um dos membros do júri da 70ª edição do evento, ao lado de nomes como a franco-argentina Bérenice Béjo, o ator italiano Luca Marinelli e o diretor americano Kenneth Lonergan.

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