No futuro, brasileiros votarão no celular, diz Luís Roberto Barroso

Ministro diz não haver condições para o retorno do voto impresso no País

Luís Roberto Barroso é ministro do Supremo e novo presidente do TSE - Foto: Sérgio Lima/Poder360

Futuro presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso diz que não existem condições para o retorno do voto impresso no Brasil. Ele defende a modernização do processo eleitoral no país, hoje realizado por meio das urnas eletrônicas.

“Vira e mexe se fala em voltar ao voto impresso. É mais ou menos como abrir uma locadora de videocassete se voltarmos ao voto impresso a esta altura”, disse Barroso em entrevista ao programa Poder em Foco, parceria do SBT com o jornal digital Poder360.

Para Barroso, a oferecer o voto impresso conjuntamente com o voto eletrônico, além de ser uma medida considerada inconstitucional pelo Supremo desde 2018, teria um “custo estratosférico”, podendo resultar em “inconsistências” eleitorais, e, consequentemente, no processo de judicialização das eleições.

Barroso afirma que o Brasil tem hoje “o melhor sistema de apuração eleitoral do mundo” e a urna eletrônica tem se revelado segura e “imune a fraudes”. Segundo ele, a coerência entre o que mostram as pesquisas de opinião realizadas durante o ano eleitoral e resultados das urnas ao fim do pleito também demonstram isso. “A verdade é que na experiência brasileira das urnas eletrônicas não houve nenhum episódio relevante de fraude até hoje denunciado e apurado.”

O voto impresso tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu apresentar ao Congresso Nacional uma proposta para retomar o método eleitoral no Brasil. Para Barroso, é muito difícil ocorrer fraudes no sistema de voto digital brasileiro. “Quem perde nunca acha que perdeu merecidamente, portanto, está sempre buscando algum fundamento para questionar o processo eleitoral e o voto impresso simultâneo ao voto eletrônico traria esse problema”, diz o ministro.

Barroso deve assumir a presidência do TSE em 25 de maio, quando a ministra Rosa Weber deixará o cargo. Segundo ele, seu mandato será voltado a ações de modernização do processo eleitoral brasileiro e medidas de redução de gastos públicos. A seu ver, “é possível que daqui a pouco” o voto no país seja realizado pelo celular. Mas estudos devem ser desenvolvidos para resolver, sobretudo, a questão do voto secreto.

“Como seria [o voto pelo celular] eu ainda não sei, justamente por isso que eu imagino [que se deva] começar a desenvolver estudos”, afirma. “Tudo hoje em dia você faz via celular. Portanto, essa especulação não é implausível. É possível que daqui a pouco seja assim mesmo.”

Com informações do Poder360

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