Clã Bolsonaro se isola no Congresso após ataque intempestivo à China

No Twitter, Eduardo Bolsonaro escreveu que a “culpa” pela crise do coronavírus é da China. O embaixador do país asiático no Brasil, Yang Wanming, rebateu o disparate e passou a sofrer ameaças

Eduardo Bolsonaro - Foto: Cleia Viana/ Câmara dos Deputados

Diversos setores do parlamento brasileiro, incluindo os mais conservadores, emitiram opiniões contrárias ao ataque feito pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) à China, o que causou um embaraço diplomático quando o Brasil mais necessita da ajuda daquele país para combater a pandemia do coronavírus.

No Twitter, Eduardo Bolsonaro escreveu que a “culpa” pela crise do coronavírus é da China. O embaixador do país asiático no Brasil, Yang Wanming, rebateu o disparate e passou a sofrer ameaças.

Em nota, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS), que está no cargo em substituição a ministra Tereza Cristina (Agricultura), disse que as declarações do filho do presidente são isoladas.

“A Frente Parlamentar da Agropecuária, composta por quase 300 parlamentares do Congresso Nacional, deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China, lembrando que declarações isoladas não representam o sentimento da nação ou de qualquer setor”, disse Alceu Moreira.

Segundo ele, a China é parceira de longos anos do Brasil com quem possui excelente relação comercial e de amizade.

“Fica aqui também o nosso mais profundo desejo de união para combatermos o novo coronavírus juntos, sem maiores prejuízos à vida humana e às relações internacionais globais”, finalizou o deputado.

Repúdio a Eduardo Bolsonaro

O presidente Frente Parlamentar Brasil-China, deputado Fausto Pinato (Progressistas-SP), assinou nota do colegiado de repúdio as declarações do filho do presidente.

“A Frente Parlamentar Brasil-China vem a público, mais uma vez, manifestar total repúdio à declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro que, irresponsavelmente, tenta imputar à nação chinesa a culpa pelo surgimento do coronavírus”, diz um trecho da nota.

A Frente diz que não cabe a um parlamentar alimentar teorias conspiratórias e, por conseguinte, colocar em xeque mais de 45 anos de amizade e parceria entre duas grandes nações que sempre se respeitaram.

“A China não apenas vem combatendo bravamente a propagação do vírus no seu território, como tem colaborado, com vários países, inclusive o Brasil, com o envio de materiais, informações e pesquisas”.

Segundo o colegiado, trata-se da falta de respeito e responsabilidade nas declarações que não encontram qualquer embasamento com a realidade.

Ameaças ao embaixador

“Tal imprudência, além de ser um atentado às nossas relações diplomáticas, ainda contribuíram para que o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, se tornasse alvos de ameaças em relação à sua segurança pessoal”, prossegue a nota.

Nesse caso, a Frente exige que o governo apure tais manifestações e assegure a integridade física do embaixador e da sua família.

“É inaceitável que uma relação de parceria e amizade sofra um revés dessa magnitude por conta de uma atitude inconsequente e irresponsável de um parlamentar (filho do presidente da República)”.

Por último, o colegiado lembrou que a China é hoje a nossa maior parceira comercial, essencial para o equilíbrio da nossa balança comercial. Para além das relações econômicas, há um histórico de cooperação e confiança mútua entre as duas nações.

“Uma sólida parceria que nós, da Frente Parlamentar Brasil-China, esperamos que não seja abalada. Mais uma vez, pedimos em nome de todos os brasileiros, desculpas aos nossos irmãos chineses. Aos membros do governo que desejam alimentar a cisão e o conflito, pedimos respeito. O momento é de união e cooperação”.

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