Grandes jornais se posicionam até pelo afastamento de Bolsonaro

“Presidente, retire-se”, diz a Folha, para quem o presidente “estorva” a mobilização necessária para combater o coronavírus no país

(Foto: Isac Nobrega/PR)

Os editorias dos principais jornais do país como Folha de S.Paulo, Estadão e O Globo, batem duro em Bolsonaro por causa da sua posição em relação ao combate a pandemia de coronavírus.

“Presidente, retire-se”, diz a Folha, para quem o  presidente “estorva” a mobilização necessária para combater o coronavírus no país.

“Não aprende as lições da ciência e dos técnicos em saúde pública de todo o mundo e de seu próprio governo. Não se cala para evitar a propagação das estultices que povoam a sua mente apalermada.”

Para o jornal, Bolsonaro “não aprende nem se cala” ao minimizar a pandemia, que já matou mais de 16 mil pessoas nos últimos três meses.

“Tudo o que o Brasil não precisa neste momento é de um presidente que estimula a divisão e atrapalha a coordenação de diagnósticos e estratégias municipais, estaduais e federais contra a doença e o empobrecimento num país continental de 210 milhões de habitantes”, diz parte do editorial.

A Folha ainda destaca que o país não pode perder tempo com brigas políticas entre o chefe de Estado e governadores, entre Executivo e o Congresso.

Irresponsabilidade

O Estadão diz que Bolsonaro foi irresponsável ao usar o argumento de que é preciso reativar a economia em meio a crise sanitária. Na opinião do jornal, ele incitou os cidadãos a romper a quarentena e voltar à “normalidade”.

“Ao fazê-lo, o presidente passou a ser, ele mesmo, uma ameaça à saúde pública. Por incrível que pareça, os brasileiros, para o bem do País, devem desconsiderar totalmente o que disse o chefe de Estado. A que ponto chegamos”, lamentou o jornal.

Segundo o jornal, o presidente parece desejar ardentemente o confronto – com governadores de Estado, com o Congresso, com a imprensa e até com integrantes de seu próprio governo –, de modo a criar um clima favorável a soluções autoritárias.

“À sua maneira trôpega, Bolsonaro, ao reiterar ontem as alucinadas declarações que dera na noite anterior, disse: ‘Todos nós pagaremos um preço que levará anos para ser pago, se é que o Brasil não possa ainda sair da normalidade democrática que vocês tanto defendem. Ninguém sabe o que pode acontecer no Brasil. Sai (da normalidade democrática) porque o caos faz com que a esquerda se aproveite do momento para chegar ao poder. Não é da minha parte, não, fique tranquilo”.

Assim, segundo o veículo, Bolsonaro usa a epidemia “para alimentar seu inconfessável projeto de poder – cuja natureza cesarista já deveria ter ficado clara para todos desde o momento em que o admirador confesso de notórios torturadores do regime militar se tornou presidente da República”.

Para o jornal, o projeto se assenta na brutalização da verdade. “Para o bolsonarismo, os fatos reais não existem, salvo quando enunciados por Bolsonaro. Assim, se o presidente diz, sem nenhum respaldo na realidade, que a covid-19 é uma ‘gripezinha’ causada por um vírus ‘que brevemente passará’ e que a culpa pelo ‘pavor’ da sociedade é da imprensa, que semeou uma verdadeira histeria”, então esses passam a ser os fatos – em detrimento das inúmeras evidências em contrário.

“Isolar-se é a pior escolha de Bolsonaro”, diz O Gobo. O jornal pontuou que o presidente conseguiu expor de forma contundente as características de imprevisibilidade, de radicalismo e de agressividade, em 24 horas, de terça para quarta.

“E conseguiu dar uma forte dimensão política à mais grave crise de saúde pública no país — se forem considerados os efeitos paralisantes da epidemia do coronavírus na sociedade, com graves reflexos na economia e no campo social”.

O jornal lamentou ainda o ataque aos governadores que, seguindo o exemplo de outros países e a indicação da Organização Mundial da Saúde, determinam o fechamento de grande parte do comércio, acusando-os de parar o país.

“Voltou, ainda, a minimizar a Covid-19. Rompeu a aliança que se esboçava, antes mesmo da reunião com os governadores do Sudeste (…) À margem de especulações sobre quais lobbies o haviam convencido a ir contra os médicos e a Ciência, o fato é que o presidente optou por isolar-se”, concluiu.

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