Flávio Dino diz que é preciso isolar os “desequilibrados” do governo

O governador defende a consolidação do “núcleo do bom senso” que terá o papel de preservar o processo decisório democrático e evitar aventuras golpistas

(Foto Reprodução)

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que para vencer a “gigantesca batalha” contra coronavírus é preciso consolidar no governo federal o “núcleo do bom senso” isolando ou removendo os desequilibrados.

O país vive uma situação inusitada. O presidente Bolsonaro continua numa cruzada contra as orientações do seu próprio Ministério da Saúde para manter a população em isolamento social.

A medida é uma recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para conter o avanço da epidemia no mundo.

“Só é possível vencermos essa gigantesca batalha com consolidação do núcleo do bom senso, isolando ou removendo os desequilibrados. O papel do citado núcleo é preservar o processo decisório democrático, evitando aventuras golpistas”, afirmou o governador.

Para o governador, o parlamento brasileiro tem papel central nessa crise. “A agenda econômica e social deve ter como vértice a Câmara e o Senado, elaborando e aprovando medidas que ultrapassem os limites do finado ultraliberalismo, antes hegemônico no governo. A renda básica tem sido um bom modelo, em que o parlamento impôs a agenda prioritária”, defendeu.

Sobre a queda de 5,5% do PIB (Produto Interno Bruto) anunciada pelo Banco Central, o governador diz que a situação é mais grave quando estamos vindo de anos de recessão e “pibinho”.

“Para piorar, essa tragédia econômica ocorre quando estamos com Bolsonaro na presidência. Difícil, mas vamos à luta em favor do Brasil e dos brasileiros”, afirmou.

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Um comentario para "Flávio Dino diz que é preciso isolar os “desequilibrados” do governo"

  1. Darcy Brasil disse:

    Muitas lideranças da esquerda não conseguem conceber a possibilidade e, sobretudo, a necessidade de resistir, através da mobilização dos trabalhadores e do povo, da juventude, dos setores progressistas da classe média, da organização de uma luta de massas, portanto, às ações aparentemente irracionais* do núcleo bolsonarista do governo. Essas lideranças consideram, por isso, como positiva a conveniência da substituição do fascismo “irracional”, comandado por Bolsonaro, tendo como coadjuvantes os milicianos e os pastores vigaristas evangélicos, como Edir Macedo, Silas Malafaia e RR Soares, por um suposto “núcleo racional” do governo, representado pelos militares, pelo ministro da saúde, por Sergio Moro e Paulo Guedes (configuração da mesa comandada pelo general Braga Netto em coletiva de imprensa, que gerou trocentos comentários e insinuações sobre a possibilidade de termos um presidente de fato e outro, eleito, comentários que merecem bastante reservas). Pois bem: esse é exatamente o projeto dos golpistas que derrubaram Dilma em 2016, e que deram uma carona para Bolsonaro em 2018, como uma flexibilização tática, por falta de um nome que derrotasse a esquerda em 2018. Essa fórmula, que algumas lideranças da esquerda acreditam ter concebido em um exercício independente de reflexão, foi, entretanto, produzida pelos ideólogos do golpe, aproveitando as circunstâncias criadas pela pandemia e a reação tresloucada a ela manifestada por Bolsonaro. Porém, não fosse a pandemia, seria encontrada outra fórmula que afastasse Bolsonaro e o substituísse pelo tal “núcleo racional”, cujos membros são, a bem da verdade, elementos de absoluta confiança da plutocracia financeira, ligados aos objetivos políticos, econômicos e sociais perseguidos pela classe diminante brasileira, pelo imperialismo, desde sempre, que realizarem o golpe contra Dilma e, mais remotamente, a tentativa de golpe contra Getúlio, e o golpe de 1964. Esse grupo tão “racional”, como, no passado, foram Geisel, Médici, Roberto Campos, Jarbas Passarinho etc., tende a sair fortalecido politicamente após a superação da pandemia. A impressão de que seus membros estão empenhados em salvar vidas, ao contrário de Bolsonaro, já está sendo trabalhada com maior fundamentação semiótica pelo jornalismo da Globo, Folha de São Paulo, Estadão etc., e tenderá a ser cada vez mais acentuada durante a pandemia. Trata-se, portanto, de processo articulado pelos mesmos intelectuais orgânicos da plutocracia financeira que idealizaram o processo que derrubou o governo Dilma, estigmatizando o PT como um partido de corruptos. Parece que o cálculo político desse ” núcleo racional” objetiva afastar Bolsonaro imediatamente após a passagem do furacão do coronavírus, caso seja vitoriosa a campanha de desgaste do miliciano presidente que lhe move a mídia tradicional. Assim, a menos de dois anos das eleições de 2022, o general Mourão assumiria com o prestígio de quem inaugura um governo novinho em folha, como se tivesse derrotado nas urnas um desprestigiado Jair Bolsonaro. O Brasil teria sido devastado por uma queda do PIB de 5,5%, conforme previsões do BC. Isso faria parecer ser um projeto desenvolvimentista o esforço para voltarmos ao nível em que nos encontrávamos imediatamente antes da pandemia que, combinado com outras medidas como a substituição dos ministros fascistas do governo Bolsonaro por nomes com o perfil intelectual e ideológico parecido com os daqueles que serviram o governo FHC, produziria combustível político suficiente, para fazer uma candidatura desse grupo (para mim, os nomes mais fortes, hoje, seriam os de Mourão e o do Ministro da Saúde, Mandetta) em 2022 ultrapassar em 1° lugar a linha de chegada da corrida eleitoral presidencial em 2022. Agora, pergunto: por que deveríamos nós, que somos do campo democrático e popular, trabalhar pela realização da fórmula que interessa aos estrategistas do golpe que derrubou Dilma?

    * Essas ações não são irracionais, nem tampouco Bolsonaro é louco, lembrando que Olavo de Carvalho, a quem se atribui a inspiração para os descalabros do governo Bolsonaro, vive nos EUA, certamente, em convivência dialógica com mentores ianques do “irracionalismo” racionalmente concebido que orienta o chamado bolsonarismo.

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