Com novo ministro, Bolsonaro avisa que vai “reabrir emprego”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta quinta-feira (26), que a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi um “divórcio consensual”. Visivelmente abatido, ele enfatizou o diálogo cordial com o ministro e a necessidade de uma preocupação com o emprego.

Bolsonaro e Teich. foto de Marcelo Casal Jr./ABr

Em pronunciamento no Palácio do Planalto ao lado do escolhido para assumir a pasta, o oncologista Nelson Teich, o presidente afirmou que Mandetta não tratou a crise relacionada à pandemia do coronavírus da forma como ele gostaria.

“É direito do ainda ministro defender o seu ponto de vista, como médico, e a questão do emprego não foi da forma como eu, como chefe do Executivo, achei que deveria ser tratada. Não critico o ministro Mandetta. Ele fez da forma como achou que deveria fazer”, disse Bolsonaro, com um semblante abatido e falando de forma pausada, como se estivesse com um ponto eletrônico, ouvindo um ditado do que deveria falar.

No discurso, o presidente revelou que um dos pontos principais de sua conversa com Teich foi a preocupação em retomar o comércio e as atividades nas cidades, para evitar o desemprego em massa e aumentar a renda das famílias.

“O que conversei com o oncologista dr. Nelson foi fazer com que ele entendesse a situação como um todo, sem apontar a manutenção da vida, sem esquecer que tínhamos outros problemas ao lado disso, que é o desemprego. Junto com o vírus, veio uma máquina de moer emprego. As pessoas mais humildes começaram a sentir primeiro. Não podem ficar em casa muito tempo. Não poderíamos prejudicar os mais necessitados. Não tem como ficar em casa por muito tempo sem buscar alimento”, disse Bolsonaro.

Auxilio emergencial

No pronunciamento, em que novamente atacou prefeitos e governadores por aplicarem medidas de isolamento social das quais discorda, Bolsonaro afirmou que o governo federal não dará conta por muito tempo de pagar auxílio emergencial aos trabalhadores informais que teve início na semana passada.

“O governo não tem como manter o auxilio emergencial ou outras ações por muito tempo. Já se gastou R$ 600 bilhões e podemos chegar a R$ 1 trilhão. A vida não tem preço, mas a economia, o emprego tem que voltar à normalidade, não o mais rápido possível, mas tem que se flexibilizar para que não venhamos a sofrer mais com isso”, disse ele.

Mandetta, segundo Bolsonaro, deve sair nas próximas horas e sua saída foi decidida “em comum acordo”, após uma reunião de aproximadamente meia hora entre ambos.

“Foi uma conversa bastante produtiva, muito cordial. Ele [Mandetta] se prontificou a participar de uma transição o mais tranquila possível. Em comum acordo, apesar de esse não ser o termo técnico, eu o exonero do ministério nas próximas horas. Foi um divórcio consensual”, disse o presidente.

Alinhamento total

Ao lado do presidente, Teich agradeceu pela oportunidade e garantiu que não haverá nenhuma determinação “brusca” sobre as políticas de isolamento social, defendida por órgãos de saúde internacional como cruciais para o combate ao novo coronavírus.

O novo ministro disse ainda que seguirá um “alinhamento total” com o presidente.

Desalinhamento

Desde o início da crise do coronavírus, Mandetta e presidente vinham se desentendendo sobre a melhor estratégia de combate à doença.

Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, permitindo que jovens voltem ao trabalho, o agora ex-ministro manteve a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa.

A recomendação do titular da Saúde segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de se evitar a propagação do vírus.

Os dois também divergiram sobre o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, que ele defende ter resultados promissores contra o coronavírus.

Mandetta, por sua vez, sempre pediu cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus.

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