Mandetta pede defesa intransigente da vida, do SUS e da ciência

Aplaudido de pé pela equipe do Ministério da Saúde, o ministro também pediu que os funcionários ajudem o novo ocupante do cargo, Nelson Teich.

Luiz Henrique Mandetta - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em seu pronunciamento de despedida, Luiz Henrique Mandetta disse que os funcionários devem ajudar o oncologista Nelson Teich, anunciado por Jair Bolsonaro como novo ministro da saúde. Ele também pediu uma defesa “intransigente” da vida, do Sistema Único de Saúde (SUS) e da ciência. Filiado ao DEM, o ministro, que nos últimos dias mandou diversos recados a Bolsonaro em entrevistas, desta vez fez um discurso conciliatório e agradeceu ao presidente.

“Trabalhem para o próximo ministro tal qual vocês trabalharam para mim. Ajudem. Não meçam esforços. Desdobrem seus esforços para que eles tenham o melhor espaço possível para trabalhar. Esse problema [que levou à saída do ministério] é insignificante. Nada tem significado que não seja uma defesa intransigente da vida, uma defesa intransigente do SUS, uma defesa intransigente da ciência. Esses pilares alimentam a verdade. A ciência é a luz. É o iluminismo. É através dela que nós vamos sair”.

O médico foi aplaudido de pé pelos funcionários ao chegar ao auditório do Ministério da Saúde, onde aconteceu a coletiva. Ao sentar-se, repetiu “Lavoro, lavoro, lavoro” (“Trabalho, trabalho, trabalho”, em italiano) e disse que a imprensa se lembraria do bordão por muito tempo.

Mandetta agradeceu aos jornalistas, mas não abriu espaço para perguntas. “Acho que hoje não cabe muita pergunta, peço que a imprensa entenda. A imprensa sempre foi parceira da verdade nesse auditório. Sem vocês, com certeza o Brasil não teria chegado nessa primeira etapa”, afirmou.

Luiz Henrique Mandetta disse também que o sistema de saúde do país ainda não está preparado para um pico da Covid-19. “Não pensem que estamos livres de um pico de ascenssão dessa doença. O sistema de saúde ainda não está preparado para uma marcha acelerada. Sigam a orientação das pessoas que estão mais próximas do sistema de saúde, como os prefeitos, os governadores e o Ministério da Saúde”, declarou.

Por fim, disse que a conversa com Bolsonaro em que foi informado da demissão, foi “amistosa” mas que é melhor que o presidente organize “outra equipe que possa conduzir com um outro olhar e que isso seja feito também com base na ciência”. Mandetta afirmou ainda que o presidente é “extremamente humanista”. Além de dizer que o vírus é uma “gripezinha”, Bolsonaro chegou afirmou que “alguns vão morrer, lamento, é a vida”.

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