Renato Rabelo: Uma “homenagem ao grande camarada” Augusto Buonicore

“Ele nos deixa uma marcante e saudosa memória, além de uma lacuna que precisará de alguns camaradas para cobri-la!”

O Comitê Central do PCdoB prestou, neste sábado (18), uma “homenagem ao grande camarada”Augusto César Buonicore (1960-2020), falecido em 11 de março, vítima de um linfoma. Historiador formado pela PUC de Campinas e mestre em Ciência Política pela Unicamp, Augusto era dirigente nacional do Partido e da Fundação Maurício Grabois. O tributo a seu legado ocorreu na reunião do Comitê Central – que, devido ao distanciamento social, ocorre por videoconferência desde esta sexta-feira (17).

“Augusto Buonicore é um camarada que já nos faz grande falta. Ele era um dos grandes intelectuais do PCdoB”, afirmou Renato Rabelo, presidente da Fundação Maurício Grabois. Segundo ele, passada a pandemia do novo coronavírus e a etapa de quarentena, haverá um evento público da Fundação à memória do historiador. “Já temos previsto, na agenda, um ato em sua homenagem.”

Na Fundação, Augusto assumiu, entre outros postos, o cargo de secretário-geral. Era professor da Escola Nacional João Amazonas e, de acordo com Renato Rabelo, foi o principal responsável pela implantação do Centro de Documentação e História (CDH) – um dos maiores acervos sobre a luta dos comunistas no Brasil.  

Para Renato, Augusto se destacava, entre outras razões, por ser “um intelectual com prestígio também na Academia. Deixou grandes contribuições nos estudos sobre Marx e a teoria marxista no século 20”. Na Unicamp, foi fundador do Cemarx (Centro de Estudos Marxistas), além de membro do conselho editorial dos Cadernos Cemarx. É autor de Marxismo, História e Revolução Brasileira – Encontros e Desencontros (2009) e Linhas Vermelhas – Marxismo e os Dilemas da Revolução (2016).

Outro tema sobre o qual Augusto Buonicore se dedicou foi a história do PCdoB. “Ele tem um rico trabalho, com vários artigos e ensaios”, lembrou Renato. Ao lado de José Carlos Ruy, Augusto organizou o livro Contribuição à História do Partido Comunista do Brasil (2009). Sobre a trajetória de João Amazonas (1912-2002), histórico líder comunista, escreveu duas obras: João Amazonas – Um Comunista Brasileiro (2006) e Meu Verbo É Lutar – A Vida e o Pensamento de João Amazonas (2012).

Em 2019, Augusto iniciou o tratamento de um linfoma no intestino, tendo de ficar internado por muitos meses. “Mas, mesmo do hospital, ele chegou a elaborar três artigos”, enalteceu Renato Rabelo. Augusto Buonicore morreu aos 59 anos, “ainda jovem”, diz Renato. “Ele nos deixa uma marcante e saudosa memória, além de uma lacuna que precisará de alguns camaradas para cobri-la. Mas deixa também um legado. Portanto, Augusto Buonicore, você está presente!”

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