Bolsonaro barganha com cargos em troca de maioria no Congresso

Mesmo tendo dito, na manifestação golpista de domingo (19), que não faria negociação, o presidente põe em prática a política do “toma-lá-dá-cá”.

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Para tentar atrair parlamentares do chamado Centrão, o presidente Bolsonaro tem oferecido cargos em instituições como Banco do Nordeste e diretoria do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), um dos órgãos com maior orçamento do governo. A barganha ocorre mesmo depois de Bolsonaro ter afirmado, na manifestação golpista de domingo (19), que acabou a patifaria e que não há mais espaço para negociação.

Segundo analistas, a estratégia do presidente é impulsionar a candidatura do deputado Marcos Pereira (SP), vice-presidente da Casa. O parlamentar, ligado à grupos religiosos pentecostais, comanda o Republicanos, partido que recentemente abrigou o senador Flávio Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, ambos do Rio. Os dois se filiaram temporariamente, enquanto o Aliança pelo Brasil, partido estimulado pela clã Bolsonaro, não consegue as assinaturas suficientes para sair do papel.

A bancada evangélica é apontada como principal avalista de Bolsonaro no Congresso Nacional. Outro parlamentar que conta com a simpatia do presidente é o deputado Arthur Lira (AL), líder do PP e réu em processo por corrupção passiva. Lira manobra para ocupar o lugar de Rodrigo Maia na presidência da Câmara dos Deputados.

Reeleição

Rodrigo Maia, desafeto e principal alvo de Bolsonaro, não poderá concorrer à reeleição, se não houver mudanças de regras. Isso porque, a Constituição impede que os presidentes da Câmara e do Senado sejam reconduzidos aos cargos na mesma legislatura.

“Antes da crise do coronavírus, no entanto, havia uma articulação nesse sentido, principalmente por parte de Alcolumbre, que encomendou até parecer jurídico. Bolsonaro, por sua vez, está convencido de que precisa construir uma alternativa a Maia. Cabe ao presidente da Câmara autorizar ou não a tramitação de qualquer pedido de impeachment na Casa”, analisa o Portal Terra.

Cargos

O Planalto decidiu apressar a entrega de cargos a partidos do Centrão, como mostrou o jornal O Estado de São Paulo. Bolsonaro impôs, porém, um filtro: os indicados não podem ter trabalhado em administrações do PT. Além disso, o governo pretende monitorar as redes sociais de todos.

O DEM perderá o comando da Companhia de Desenvolvimento dos Vale do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que deve ser entregue ao PP de Lira e do senador Ciro Nogueira (PI). Pelo acerto dos últimos dias, o PL de Valdemar Costa Neto ficará com o Banco do Nordeste. O governo também prometeu ao partido de Valdemar a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, cargo que formula estratégias de combate ao coronavírus. O Republicanos, por sua vez, poderá ocupar uma secretaria no Ministério do Desenvolvimento Regional. Pereira foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços na gestão de Michel Temer.

Bolsonaro fará nova rodada de conversas nos próximos dias. Nesta quarta-feira (22), ele receberá o deputado Baleia Rossi (SP), presidente do MDB. Na quinta-feira (23) a audiência será com o prefeito de Salvador, ACM Neto, que dirige o DEM.

No domingo, porém, ao participar de manifestação que defendia o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, o presidente atacou o que chamou de velha política. “Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil”, disse ele, em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do Quartel-General do Exército.

Com informações do Portal Terra

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