Bolsonaro pressiona contra isolamento e Toffolli cobra coordenação

O presidente, ministros e empresários pressionaram o presidente do STF para que as medidas restritivas nos estados contra à pandemia sejam relaxadas.

(Foto: Reprodução)

Com o Brasil prestes a se tornar o epicentro mundial da pandemia de Covid-19 e alguns estados já adotando o isolamento total ( lockdown )em algumas cidades, o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e empresários atravessaram nesta quinta-feira (7) a Praça dos Três Poderes a pé para pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) pelo relaxamento da medida de isolamento social no país. Bolsonaro tentou conversar o STF a revogar a decisão que permite aos estados e municípios definir as medidas a serem adotadas no combate ao coronavírus, em especial o isolamento social.

A comitiva, que não havia agendado com maior antecedência a ida ao STF e gerou um desconforto na Corte Suprema, foi recebida pelo presidente Dias Toffoli, que rejeitou a pressão e jogou um balde de água fria nas pretensões de Bolsonaro e seus acompanhantes. O ministro afirmou que o presidente deve compor um comitê de crise integrado por representantes do Congresso Nacional, estados e municípios com a função de coordenar, em diálogo com trabalhadores e empresário, a adoção de medidas quanto à possibilidade de relaxamento do isolamento e retomada de atividades econômicas.

“Os senhores trouxeram aqui a necessidade de planejamento para que seja retomada a economia e a volta do crescimento, isso é fundamental. Então, essa coordenação presidente, eu penso que o poder executivo, o presidente da República, chamando os seus ministros, outros poderes, representantes de estados e municípios, para num comitê de crise envolvendo a Federação junto com o empresariado e trabalhadores, (possa) traduzir esse anseio”, aconselhou Tofoli.

Apesar da advertência, Bolsonaro saiu do STF com a mesma posição. “Há dois meses eu venho falando que a economia não pode parar, que economia é vida. O grupo representa 45% do PIB (Produto Interno Bruto) e 30 milhões de empregos. A indústria está na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo). Não há mais espaço para postergar. A abertura tem que começar o mais rápido possível caso contrario chegaremos a situação de um país que já conhecemos”, disse.

O representante dos empresários disse que trouxe a Brasília um quadro demonstrando que indústria opera com 60% da sua capacidade e teme que nos próximo 30 dias a situação seja de fechamento dos setores.

Paulo Guedes fez uma fala catastrófica prevendo um colapso. “Quando a indústria nos passou esse quadro, estamos sempre em contato, sempre disseram que conseguiram preservar os sinais vitais. Mas agora nos disseram que está difícil. A economia está começando a colapsar. Não queremos virar a Venezuela e nem a Argentina”, disse o ministro.

Veto

Em mais um ataque aos servidores públicos, Bolsonaro confirmou que vai vetar, a pedido de Guedes, o trecho do projeto de ajuda aos estados que abre a possibilidade de reajuste salarial para categorias de servidores públicos, mesmo em meio à pandemia do coronavírus.

“O que nós decidimos? Eu sigo a cartilha de Paulo Guedes na economia. E não é de maneira cega, não. É de maneira consciente e com razão. E se ele acha que deve ser vetado, esse dispositivo, assim será feito. Nós devemos salvar a economia, porque economia é vida”, afirmou Bolsonaro.

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