Com 300 mil mortes, covid-19 ultrapassa catástrofes humanitárias

Com mais de 300 mil mortes confirmadas no mundo, espalhadas por todos os continentes, a covid-19 já é mais letal que desastres naturais, atentados terroristas e guerras.

11 de setembro de 2001 em Nova York foto de Shannon Stapleton

A pandemia de covid-19 tem envergadura de desastre natural, guerra e catástrofe humanitária. Com mais de 300 mil mortes confirmadas até esta quinta-feira(14), a covid-19 já matou mais pessoas do que guerras, desastres naturais e atentados terroristas que marcaram a história. Apesar da letalidade da doença, uma grande quantidade de pessoas, incluindo líderes mundiais, continuam a minimizar ou negar a pandemia – que continua a fazer vítimas diárias em todos os continentes.

Segundo especialistas, algumas catástrofes têm capacidade maior de causar uma impressão na população, que outras. A diluição das mortes no tempo contribui para diminuir a preocupação das potenciais vítimas, que não se sentem alvo do vírus. Eventos com menos mortes num curto espaço de tempo são mais lamentadas que a pandemia.

Outro aspecto que influencia esse sentimento é a atitude das autoridades nacionais, como Bolsonaro ou Donald Trump, que banalizam as mortes em detrimento da valorização do desejado retorno à rotina. Esses mesmos influenciadores atacam a credibilidade da imprensa e invisibilizam o caos nos hospitais, únicos âmbitos onde o cataclismo sanitário é tratado como tal.

Veja um comparativo feito pelo jornal O Estado de São Paulo:


tsunami de 2004, que varreu países banhados pelo Oceano Índico e considerado o mais mortal da história, vitimou cerca de 230 mil pessoas.

Somadas óbitos pelo vírus no Reino Unido, na Itália, na França e na Espanha, as 119.458 vítimas são mais do que o total de 101.261 civis mortos nos últimos dez anos da Guerra do Iraque (2009-2019).

Nos Estados Unidos, as 84.985 vítimas do novo coronavírus entre fevereiro e maio – menos de 120 dias – já é maior do que o de militares americanos mortos na Guerra do Vietña (58 mil), que durou 20 anos.

Seriam necessários mais de 28 atentados iguais aos de 11 de setembro de 2001, que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center e matou 2.977 pessoas, para igualar o número de mortos pela covid-19 nos EUA. Já o Estado de Nova York, palco da catástrofe, precisaria presenciar mais de 9 atentados para igualar o número de mortos pela pandemia (27.567).

O Reino Unido, que tomou o posto da Itália de país mais afetado pela pandemia no continente, teria que lutar mais de 130 Guerras das Malvinas (255 soldados britânicos mortos) para ter o mesmo número de baixas provocadas pelo coronavírus (33.692). Se contarmos o número total de mortos na guerra (britânicos e argentinos), seriam necessários mais de 36 conflitos idênticos ao disputado no Atlântico sul.

A Segunda Guerra de Independência da Itália, iniciada em 1859, foi o último episódio no processo de unificação do país. Estima-se que mais de 12 mil vidas foram perdidas durante o conflito, o que equivale a menos da metade das vítimas da pandemia (31.368).

Na Espanha, as 23.321 vítimas da covid-19 somam um número 30 vezes maior do que os mortos em atentados promovidos pela Pátria Basca e Liberdade (ETA). Em 50 anos de atividade, as ações do grupo terrorista vitimaram 854 pessoas. Caso ainda existisse e mantivesse a mesma média de letalidade, o ETA só conseguiria igualar o número de mortes provocadas pela pandemia em 1.586 anos de terrorismo.

Comparativamente, os 27.077 mortos pela covid-19 na  França  correspondem a, aproximadamente, 300 ataques terroristas iguais ao que ocorreu na boate Bataclan, em 25 de novembro de 2015, quando o grupo jihadista Estado Islâmico (ISIS) fez um de seus mais famosos atentados até então, matando 130 pessoas.

No caso brasileiro, os mais de 13 mil mortos fazem desastres como o de Brumadinho ficarem pequenos com seus 259 mortos. Teriam que ter ocorrido 52 acidentes iguais ao da cidade mineira para alcançar a mortalidade. O mesmo pode ser dito do massacre do Carandiru com 111 presos assassinados pela polícia. Seriam precisas 122 chacinas para que o número de mortos se igualasse ao do país. Já São Paulo com seus 4.118 óbitos teria que lutar quatro Revoluções Constitucionalistas para igualar as 1.050 baixas de soldados.

Na Ásia, onde a pandemia começou, a mortalidade também alcançou níveis históricos. Os 6.854 de mortos no Irã são duas vezes superiores ao número de três mil mortos da Revolução Teocrática que mudou o regime do país em 1979.

Na China, os 4.637 mortos sepultados no país já são o equivalente a metade das oito mil estátuas do Exército de Terracota, enterradas no túmulo do imperador Qin Shi Huang.

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