180 acampados no Aeroporto de Guarulhos lutam para voltar à Colômbia

Grupo com 180 pessoas está a cerca de um mês no local; Ministério Público convocou reunião emergencial para resolver impasse

Há aproximadamente um mês, cerca de 180 homens, mulheres, crianças e até idosos estão acampados no aeroporto de Guarulhos. São colombianos que tentam voltar ao país de origem. Muitos deles perderam o emprego no Brasil por causa da crise causada pelo novo coronavírus. O que está impedindo a volta é a taxa cobrada pelo governo colombiano (cerca de R$ 3 mil por pessoa) para custear o voo para Bogotá e o cumprimento da quarentena no retorno – todos teriam que passar 14 dias em um hotel.

“Estamos passando uma situação muito difícil. Temos muitas crianças. Todos os dias chegam mais pessoas, mais crianças – crianças muito pequenas, bebês de 8 meses, de 26 dias, de 2 anos. Estamos dormindo no chão ou nos colchonetes que nos foram doados”, afirmou Monica Ramirez, que mora com a família em Medellín. 

Segundo ela, a situação vem sendo amenizada graças a ajuda de brasileiros que têm doado comida, fraldas, leite e outros itens para subsistência, além do apoio da própria direção do aeroporto, que permitiu a permanência do grupo no local. Monica garante que nenhum deles foi contaminado pelo novo coronavírus. O controle sanitário está sendo feito com o auxílio de colaboradores do aeroporto, com medição de temperatura e outros procedimentos.

“Nesse momento, nenhuma das pessoas que está no aeroporto tem sintoma de contágio. Contamos com muito boa saúde e estamos preparados para poder sair do Brasil, que tem nos acolhido muito bem. Nossa única reivindicação é um voo humanitário, sem custo, para nos repatriar”, solicitou. Os acampados insistem numa repatriação humanitária gratuita e solicitam que autoridades brasileiras e colombianas se posicionem frente à questão.

O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) convocou para quarta-feira (27) uma reunião de emergência para tentar resolver o impasse. Segundo o procurador Guilherme Rocha Göpfert, o objetivo é tentar achar uma solução diplomática para garantir a volta dos colombianos.

Foram convocados para a reunião virtual o embaixador da Colômbia no Brasil, o cônsul colombiano em São Paulo e representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Prefeitura de Guarulhos, da Delegacia Especializada de Polícia Federal do aeroporto e da GRU Airport, empresa responsável pela concessão do aeroporto.

O Consulado da Colômbia em São Paulo diz em nota que, pela legislação atual do país, não é possível garantir a volta dos colombianos sem custos. O consulado afirma ainda que foram oferecidas alternativas, como a transferência deles para abrigos municipais de São Paulo e Guarulhos, o que foi recusado pelo acampados.

Doações

Enquanto acontecem as articulações políticas e diplomáticas, algumas iniciativas buscam concentrar esforços para garantir a sobrevivência do grupo no local. O Circuito Cultural Colombiano, o Coletivo “Roda a palavra paz” e a APG Prolam/USP estão recolhendo doações de alimentos, produtos de limpeza e contribuições em dinheiro para auxiliar os acampados.

As doações poderão ser entregues na Casa do Povo (R. Três Rios, 252, no Bom Retiro, em São Paulo), de segunda a sábado das 10 às 17 horas; ou na Rua Raimundo Almeida de Araújo, 168, na Vila Flórida, em Guarulhos. Para mais informações, é preciso entrar em contato pelo e-mail [email protected]

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