Brasil tem mais 1,2 mil mortes e 32 mil casos confirmados de covid-19

Ministério da Saúde volta a publicar boletins no padrão anterior à crise de transparência estatística. Levantamento da imprensa se aproxima dos números oficiais, mesmo faltando dados do Mato Grosso.

Indígena recebendo atendimento médico no Amazonas

Balanço do Ministério da Saúde divulgado nesta terça-feira (9) aponta 1.272 novas mortes e 32.091 novos casos de covid-19 nas últimas 24h. Com esses acréscimos às estatísticas, o país chegou a 38.406 óbitos em função da pandemia do novo coronavírus e 739.503 pessoas infectadas.

Segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa junto às secretarias estaduais de Saúde, foram contabilizados 38.497 mortes, sendo 1.185 nas últimas 24 horas. Mostra ainda que houve 31.197 novos casos de covid-19 em um dia; são 742.084 no total. São 91 óbitos a mais do que os contabilizados oficialmente pelo Ministério da Saúde, considerando que o governo faz o levantamento até as 16h e o consórcio até as 20h. Apenas Mato Grosso não divulgou os dados a tempo de entrar no balanço. Após a divulgação, o estado confirmou 9 novas mortes e 96 novos casos que entrarão no próximo balanço. Dados de Sergipe também são do dia anterior, quando não foram totalizados.

O balanço do Ministério da Saúde voltou a ser divulgado como era feito antes da crise de transparência promovida pelo presidente Bolsonaro, ao exigir redução na consolidação dos números. Assim, o Ministério voltou a apresentar o número total de mortos e infectados pela covid-19 no portal “covid.saude.gov.br“, que apresenta informações oficiais do governo federal sobre a pandemia. As mudanças foram provocadas por pressão social e de entidades científicas e médicas, assim como pela exigência do Supremo Tribunal Federal.

Apesar de Bolsonaro cobrar a divulgação apenas de óbitos que ocorreram no dia, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta terça-feira, 9, que as vítimas de outras datas, mas que aguardavam confirmação da causa da morte, também devem ser divulgadas.

O balanço traz um aumento de 4,5% no número de casos em relação a ontem (8), quando o total estava em 707.412. Já as mortes aumentaram 2,4% em comparação com o dado de ontem, quando foram contabilizadas 37.134.

A taxa de letalidade (número de mortes pela quantidade de casos confirmados) ficou em 5,19%. A taxa de mortalidade (falecimentos por 100.000 habitantes) foi de 18,3. E a taxa de incidência (casos confirmados por 100.000 habitantes) correspondeu a 351,9.

De acordo com o Ministério da Saúde, 311.064 pacientes foram recuperados e 390.033 estão em acompanhamento. 

Nordeste ultrapassa Sudeste

Pela primeira vez nesta pandemia, a região Nordeste ultrapassou o Sudeste em número de casos oficiais de covid-19, segundo os dados do consórcio da imprensa. Os estados nordestinos somam 261.341 diagnósticos, total que tem 158 casos a mais do que os sudestinos (261.183). O aumento de casos do Nordeste é puxado principalmente pelo Ceará, que contabilizou 2.805 diagnósticos nas últimas 24 horas e chegou a 69.023. Trata-se do terceiro estado do Brasil com mais casos, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Os estados com maior número de óbitos são São Paulo (9.522), Rio de Janeiro (6.928), Ceará (4.309), Pará (3.853) e Pernambuco (3.453). Também apresentam altos índices de vítimas fatais em função da pandemia Amazonas (2.315), Maranhão (1.285), Bahia (937), Espírito Santo (904), Alagoas (640) e Minas Gerais (399).

Os estados com mais casos confirmados de covid-19 são São Paulo (150.138), Rio de Janeiro (72.979), Ceará (68.384), Pará (59.148) e Maranhão (52.069).

Os dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde (Conass) coincidem com informações apresentadas pelo Ministério da Saúde. 

Boletim epidemiológico covid-19

Boletim epidemiológico covid-19 – Ministério da Saúde

Nova base de dados

O balanço do Conselho (batizado de Painel Conass) foi criado no fim de semana após o Ministério da Saúde mudar a dinâmica de divulgação dos dados sobre a pandemia. Até a semana passada, o Ministério da Saúde consolidava os dados das secretarias estaduais no início da noite.

A pasta passou a divulgar o balanço cada vez mais tarde (por volta de 22h) e parou de informar o total de casos. Ontem foi apresentado o novo método de anunciar a consolidação. As mudanças foram objeto de questionamento do Ministério Público Federal.

Ontem, secretários do Ministério da Saúde apresentaram em linhas gerais como devem ser os novos balanços diários do órgão, privilegiando as mortes por covid-19 em função da data de ocorrência. Hoje o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, participou de audiência na Câmara dos Deputados sobre o tema, onde respondeu a questionamentos de parlamentares sobre as mudanças.

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