Ocupação de leitos de UTI é critério definidor da reabertura comercial

Cidades que reabrem o comércio e voltam a ter aumento de demanda por tratamento hospitalar, acabam tendo que voltar à quarentena. Foi o que aconteceu com Barretos, Presidente Prudente e Ribeirão Preto que passam ao nível de alerta, enquanto Grande São Paulo, Registro e litoral estão mais perto de reabrir.

O governador João Doria (PSDB) anunciou na tarde desta quarta-feira (10) que vai prorrogar a quarentena até o dia 28 de junho devido a propagação do coronavírus e mudará a classificação das cidades do estado no Plano São Paulo, de retomada gradual das atividades econômicas. A classificação em cores serve para definir o nível de isolamento social que devem manter.

Embora o monitoramento da pandemia leve em conta o avanço da curva epidêmica, com a quantidade de casos e mortes diárias, um dado bastante significativo para o governo é a taxa de ocupação de leitos de UTI. Desde o início da pandemia, explicou-se que o isolamento social é fundamental para garantir que o sistema de saúde não entre em colapso, ou seja, que a taxa de doentes não seja maior que a quantidade de leitos disponíveis para tratamento. Por outro lado, mesmo com aumento de contagio, não necessariamente isto significa demanda por tratamento de complexidade no sistema de saúde.

O Dr Marcos Boulos, infectologista, disse em entrevista ao portal Vermelho, que internar menos pessoas com casos graves já é um indício de que a curva está descendo. “Na cidade de São Paulo, a curva ainda não chegou ao pico maior, continua crescendo. Pode ser que tenhamos muitos casos leves e menos casos graves, o que já sinaliza uma queda breve na curva. De qualquer forma, isso sinaliza a possibilidade de uma abertura muito cautelosa e moderada que foi proposta. Com excesso de zelo talvez dê pra fazer isso”, ponderou.

Outro aspecto importante do levantamento de taxa de ocupação de leitos, dia após dia, é que, segundo o Dr Boulos, é possível aproveitar a sobra de respiradores em municípios onde a taxa está diminuindo para deslocá-los para locais onde estão aumentando. “Provavelmente, vamos passar esses respiradores, agora, da capital para cidades do interior”, antecipou ele.

O infectologista considera um bom sinal a baixa de ocupação de leitos na Grande São Paulo. “Estamos tendo uma ocupação abaixo de 80%, quando já chegamos a ter mais de 90%. No interior também está baixo, mas está em ascenção, devido à demora pra epidemia chegar nessas cidades, o que significa que podem ter falta de leitos em breve. Cidades como Ribeirão Preto e Campinas estão chegando quase a 100% de lotação. Por isso, éramos contra a flexibilização lá, como aconteceu”, completou.

Há quinze dias atrás, a taxa de ocupação de leitos na Grande São Paulo era de 88,1% na Grande SP e de 73,8% no Estado. Hoje, os índices apresentados estão em 75,5% e 67,5%, respectivamente. Esta queda, com consequências na liberação de leitos para novos pacientes, foi um índice importante para a definição do relaxamento do confinamento social. Do mesmo modo que, a ameaça de aumento dessa demanda também será motivo de retomada das medidas de fechamento obrigatório do comércio.

Avanços e recuos

A Grande São Paulo, o litoral paulista e a cidade de Registro vão passar da fase vermelha (mais crítica) para a laranja (com menos restrições). As medidas de flexibilização passam a valer na próxima segunda-feira (15). Já as cidades de Barretos, Presidente Prudente e Ribeirão Preto, no interior paulista, foram reclassificadas na fase vermelha devido ao aumento da propagação do Sars-Cov2. Com isso, volta a ser proibida a abertura do comércio não essencial nessas cidades.

Na fase laranja, está autorizado o início da retomada gradual, principalmente de comércios e serviços, com limitação de capacidade e atendimento, de horário de funcionamento e a exigência de aplicação de protocolos de higiene e distanciamento.

Já as regiões de Bauru e Araraquara, no interior paulista, retrocedem na flexibilização e passaram da fase amarela para a laranja, com mais restrições. Em Barretos e Presidente Prudente, que iniciaram a flexibilização na fase amarela, passa direto para a vermelha, enquanto Ribeirão Preto passou do laranja para o vermelho. As demais regiões do estado continuam laranja. Na fase amarela era permitido até a abertura de bares e restaurantes para o público.

Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, a região de Ribeirão Preto teve um crescimento de casos, principalmente no que diz a respeito às internações de covid-19, suspeitos de contágio e também de óbitos. Nesta semana, o crescimento acima da semana anterior de internações foi de 51% e a variação de óbitos acima da semana anterior foi de 100% na região de Ribeirão Preto. Na região de Presidente Prudente, a variação de internações foi de 60% e a de óbitos foi de 50% a mais com relação a semana anterior. A região de Barretos teve um crescimento de internações de 93% acima da semana anterior e de 100% em óbitos.

De acordo com Marco Vinholi, secretário de Desenvolvimento Regional, a passagem da região do ABC para a fase laranja foi possível devido ao aumento do número de leitos de UTI com a chegada de novos respiradores.

“Nós conseguimos chegar a 68% da ocupação de leitos no ABC, esse número era superior a 86% na análise feita há 14 dias atrás e, portanto, superamos uma taxa de ocupação agora inferior aos 80%, o que leva a região para a fase laranja. O que nos preocupa ainda na região é a questão da variação de óbitos durante o período e esse ainda é o que leva a região para a fase laranja como destaque negativo”, explicou.

A cidade de São Paulo já estava na fase laranja desde o dia 1º de junho, mas a reabertura das lojas de ruas ocorreu somente nesta quarta. Os shoppings poderão reabrir nesta quinta-feira (11).

O número de mortes pelo coronavírus no estado de São Paulo bateu recorde pelo segundo dia seguido nesta quarta com 340 casos em 24h. Com isso, são 9.862 vidas perdidas no estado, e 156.316 infectados. “A mesma disposição e firmeza que temos para avançar com o Plano São Paulo teremos também para recuar, teremos para orientar medidas restritivas na quarentena”, argumentou o governador João Doria.

No entanto, ele diz que não houve erro nenhum na avaliação do governo sobre o caso de Barretos e Presidente Prudente, que retrocederam duas fases. Para ele, a discrepância de posicionamento das cidades foi apenas consequência da evolução da pandemia de um período para outro.

A Grande São Paulo e a Baixada Santista, no entanto, estavam classificadas ainda na fase vermelha, em que nenhuma medida de flexibilização é permitida, o que gerou reclamações dos prefeitos que sofrem pressão dos empresários para reabertura da economia local.

Fases coloridas

Durante esse período de pandemia do coronavírus, as 17 regiões administrativas do estado foram classificadas em fases, que são divididas em cinco cores: vermelha, laranja, amarela, verde e azul.

Os critérios de classificação das cidades por regiões e fases de cores levaram em conta a relação do número de leitos hospitalares, principalmente os de Unidade de Terapia Intensiva (UTI’s), com o número de pessoas infectadas pela Covid-19.

  • Na fase vermelha não será permitida a abertura do comércio;
  • Na fase laranja será permitida a abertura do comércio com restrição;
  • Na fase amarela será permitida a abertura do comércio, mas com algumas restrições;
  • Na fase verde será permitida a abertura do comércio, ainda com algumas restrições;
  • E na fase azul será permitida a abertura total do comércio, sem restrições.

Fase laranja

Na fase laranja o governo permite, com restrições, a reabertura de alguns setores da economia a partir do dia 1º de junho, desde que aprovado pela Prefeitura do município, são eles:

  • Atividades imobiliárias
  • Escritórios
  • Concessionárias
  • Comércio
  • Shopping Center
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