Governo gasta só 41% dos recursos liberados para o combate à pandemia

Chama atenção os gastos com ações emergenciais no Ministério da Saúde. Dos R$ 39 bilhões liberados, foram pagos apenas R$ 11,2 bilhões ou 28% do montante disponível

(Foto: Reprodução)

Dos 303,5 bilhões liberados para as ações emergencial de combate à pandemia do coronavírus, o governo Bolsonaro gastou apenas R$ 124,7 bilhões (41%). Há uma lentidade na liberação dos recursos, o que demonstra intenção deliberada de reter os recursos para gerar caos.

Segundo levantamento da Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados, chama atenção os gastos com ações emergenciais no Ministério da Saúde. Dos R$ 39 bilhões liberados, foram pagos apenas R$ 11,2 bilhões ou 28% do montante disponível.

Levantamento da assessoria técnica da Câmara dos Deputados apontou que dos R$ 60 bilhões autorizados para o auxílio financeiro a estados e municípios, foram liberados apenas R$ 15 bilhões (25%).

Pressionado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, culpou o líder do governo na Câmara, Major Vítor Hugo (PSL-GO), pelo atraso na aprovação da lei. “Quando estava tudo fechado, foi lá o líder do governo também e deu um tiro no acordo”, disse.

Após 130 dias do reconhecimento legal da pandemia, o governo vem retendo recursos numa demonstração de menosprezo pelas ações em defesa da saúde, da renda das famílias, do emprego, das empresas e das contas de estados e municípios.

“É um dinheiro que está parado e poderia ser utilizado na compra de EPIs, para mandar para os estados, para garantir empregos e mandar para as pequenas e médias empresas do país. Só vai salvar a economia e vidas, se o governo utilizar o dinheiro que tem disponível para isso”, destacou a líder do PCdoB na Câmara, Perpétua Almeida (AC), que vem acompanhando a evolução dos gastos.

Auxílio emergencial

O maior recurso foi destinado ao pagamento do auxílio emergencial para pessoas em situação de vulnerabilidade. São R$ 155,7 bilhões liberados, sendo pagos até o momento R$ 77 bilhões ou 50% do total disponível.

O auxílio se tornou a principal medida de mitigação para amenizar os efeitos da pandemia na economia do país. No entanto, são diversos os problemas de irregularidades, para se obter acesso e pagamento.

O Congresso tentou incluir dezenas de categorias profissionais como beneficiárias, mas Bolsonaro vetou. Conseguiu-se manter benefício para as mães de adolescentes.

Para o financiamento da folha de salários emprestados para empresas, o governo liberou R$ 17 bilhões (50%) que foram entregues aos bancos. Apesar da precária situação da economia, essas instituições financeiras só repassaram na ponta R$ 1,9 bilhão, o restante ficou parado nos bancos.

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