Coronavírus: PCdoB repudia flexibilização da quarentena em São Paulo

Mesmo com o avanço diário no número de casos e mortes por Covid-19, Doria e Covas têm relaxado as medidas de restrição e permitido a reabertura de diversos setores da economia

A direção do PCdoB São Paulo (SP) lançou uma nota pública em repúdio à “flexibilização do combate à pandemia” do novo coronovírus na capital paulista. Ao longo deste mês de junho, mesmo com o avanço diário no número de casos e mortes por Covid-19, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB, têm relaxado as medidas de restrição e permitido a reabertura de diversos setores da economia.

“A quarentena em vigor na cidade de São Paulo deve ser não apenas mantida – mas também reforçada por iniciativas complementares dos governos estadual e municipal”, afirma o PCdoB, na nota. “Somos, portanto, contrários às recentes medidas de flexibilização da quarentena anunciadas pela prefeitura e pelo governo do estado. Num momento de curva ainda ascendente de contaminações e mortes diárias, especialmente na capital, não é justificável a reabertura de diversos setores da economia, mesmo que tenham sido definidos protocolos de cuidados básicos.”

Leia abaixo a íntegra do texto.

NOTA DO PCdoB SÃO PAULO

Em defesa da vida, contra a flexibilização do combate à pandemia

Passados 90 dias do início da pandemia, o coronavírus continua a avançar na cidade de São Paulo (SP). Até este sábado (13), conforme dados da própria prefeitura, a capital registra 94.842 casos confirmados e 5.366 mortos por Covid-19, além de 234.689 casos e 4.794 óbitos em investigação. As medidas de restrição adotadas pelos governos estadual e municipal – em especial, a quarentena – ajudaram a evitar que esses números fossem ainda maiores.

Com base no estágio atual da pandemia na cidade, a direção municipal do PCdoB São Paulo vem a público para emitir as seguintes opiniões:

1) Desde o início da pandemia, o PCdoB defende, com vigor, as recomendações das autoridades sanitárias, sobretudo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Reiteramos que a população deve evitar aglomerações e respeitar o distanciamento social como principal ação de combate à propagação da Covid-19. Ainda não há medicamento e vacina para essa doença. Assim, as ações mais eficazes são o isolamento social e, no caso de necessidade de sair de casa, o uso de máscaras e produtos de assepsia das mãos, como álcool em gel, sabão e água sanitária. Uma vez que a população não está acostumada a usar máscaras, é urgente que o Poder Público faça uma campanha sobre esse tipo de prevenção, ensinando as pessoas a usá-las corretamente. Cabe também a realização de uma campanha educativa para engajar as pessoas no combate à Covid-19, visando à ampla e rigorosa adoção de todas medidas sanitárias necessárias, a fim de diminuir a disseminação da doença;

2) A quarentena em vigor na cidade de São Paulo deve ser não apenas mantida – mas também reforçada por iniciativas complementares dos governos estadual e municipal. O PCdoB São Paulo defende ações como a testagem massiva da população, a criação de mais centros de isolamento contra o coronavírus e a instalação de hospitais de campanha nas regiões com maior demanda. Faz-se necessária a busca ativa dos moradores infectados, ampliando a testagem de todos os contatos dos pacientes com casos confirmados ou suspeitos de Covid-19;

3) Somos, portanto, contrários às recentes medidas de flexibilização da quarentena anunciadas pela prefeitura e pelo governo do estado. Num momento de curva ainda ascendente de contaminações e mortes diárias, especialmente na capital, não é justificável a reabertura de diversos setores da economia, mesmo que tenham sido definidos protocolos de cuidados básicos. A retomada das atividades provoca, entre outros riscos, a lotação dos meios de transporte público, expondo à contaminação tanto os trabalhadores quanto os usuários desses sistemas;

4) O PCdoB São Paulo destaca, com especial pesar, que o Brasil é hoje o país que mais registra mortes entre profissionais da saúde, que têm atuado heroicamente na linha de frente de combate à pandemia. Ao lado da lotação nos sistemas de transporte, a retomada de parte das atividades econômicas – que já tem promovido aglomerações nos principais centros comerciais de rua – tende a afetar ainda mais o setor de saúde, especialmente a rede pública. Como forma de resguardar a saúde e a segurança dos profissionais do setor, diminuindo o risco de contaminação, o PCdoB defende a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) de qualidade a todos que estão na linha de frente do atendimento. Também defende a testagem em massa desses trabalhadores, sejam eles sintomáticos e assintomáticos, para proteger os próprios profissionais e seus familiares. Ainda com relação às atividades assistenciais, defendemos o afastamento imediato dos profissionais que estão no grupo de risco para a Covid-19 (portadores de doenças crônicas, gestantes e idosos);

5) O PCdoB São Paulo defende com veemência, para além do prazo inicialmente definido – de três meses –, a expansão da ajuda emergencial e demais medidas de diminuição de danos aprovadas pelo Congresso Nacional. As medidas econômicas visam atender à população mais carente, aos trabalhadores desempregados e informais, bem como aos profissionais liberais que estão sendo prejudicados em função da necessidade de isolamento social. Durante esse período excepcional, é fundamental garantir o apoio às micro, pequenas e médias empresas, de modo a preservar empregos e renda. Ao governo federal compete implantar tais medidas e garantir que o povo e as empresas recebam apoio pelo tempo que for necessário, até termos segurança, à luz da ciência, para o retorno às atividades econômicas não essenciais;

6) O PCdoB defende, por fim, que os governos municipal e estadual viabilizem um pacote emergencial e complementar de ajuda financeira às famílias paulistanas e às empresas com sede social em São Paulo, somando, assim, esforços para a salvaguarda das vidas e da economia na cidade.

São Paulo, 13 de junho de 2020

A direção municipal do PCdoB São Paulo

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