PIB do Brasil deve desabar mais de 10% no 2º trimestre

Estimativa tem por base o resultado de abril do IBC-BR, índice de atividade econômica calculado pelo Banco Central

O mês de abril marcou o pior momento na história da economia brasileira e sinaliza um tombo de mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País no segundo trimestre de 2020. Divulgado nesta quinta-feira (18) pela autoridade monetária, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 9,73% entre março e abril, feitos os ajustes sazonais. Foi o pior resultado para o mês da série histórica do BC.

Além das medidas de isolamento social adotadas para conter o avanço da pandemia de Covid-19, o resultado reflete os erros na condução da política econômica do governo Jair Bolsonaro. Em março, a queda já havia sido de 6,16% (dado revisado de retração de 5,9%). A combinação entre pandemia e bolsonarismo transforma o Brasil num dos países com pior desempenho econômico em 2020.

Embora tenha metodologia de cálculo diferente das Contas Nacionais Trimestrais, do IBGE, o IBC-Br é considerado uma boa aproximação do que seria o comportamento mensal do PIB. Segundo Luka Barbosa, economista do Itaú Unibanco, os indicadores de abril confirmaram que o mês foi o pior do ano em termos de atividade. Na projeção do Itaú, a economia vai recuar 10,6% ante os três meses anteriores.

Como os dados já disponíveis de maio e junho mostram alguma recuperação em relação ao quarto do mês do ano, ainda que modesta, o tombo de 15% projetado para o PIB de abril a junho deve ser revisto, aponta Daniel Silva, economista da Novus Capital. “A queda do PIB no segundo trimestre pode ser mais perto de 10%”, afirma. A previsão de retração de 7,5% para o PIB em 2020 também tem viés de alta, acrescentou, mas dificilmente o tombo será menor do que 5%.

Para Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos, haverá neste segundo trimestre uma redução de 11,3% do PIB em relação aos três meses terminados em março. Os economistas destacam, no entanto, que o cenário à frente segue desafiador. Isso se deve, dizem eles, à elevada incerteza econômica e política, bem como ao ambiente externo e à própria evolução da Covid-19.

Com informações do Valor Econômico

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