Articulação busca barrar Weintraub no Banco Mundial

Economistas, intelectuais e empresários assinam carta endereçada ao banco e aos embaixadores do grupo do qual o Brasil faz parte.

Abraham Weintraub - Foto: Reprodução

Apesar de ter anunciado que estava deixando o Ministério da Educação para ir para Washington ser diretor executivo do Banco Mundial, Abraham Weintraub pode ser barrado. Há uma articulação de economistas, intelectuais e empresários brasileiros para impedir que o nome do extremista seja aprovado, conforme informou o Blog do Sakamoto, no UOL.

“Enviamos esta carta para desaconselhar fortemente a indicação do Sr. Weintraub para este importante cargo e informá-lo sobre os possíveis danos irreparáveis que ele causaria à posição do seu país no Banco Mundial. Estamos convencidos de que o Sr. Abraham Weintraub não possui as qualificações éticas, profissionais e morais mínimas para ocupar o assento da 15ª Diretoria Executiva do Banco Mundial”, diz trecho do documento publicado no blog.

A carta é endereçada ao banco e aos embaixadores da Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago, que devem referendar a indicação do ex-ministro da Educação para o cargo. Entre os mais de 50 signatários estão o ex-embaixador Rubens Ricupero, o empresário Philip Yang, os economistas Laura Carvalho e Ricardo Henriques, o advogado e professor Thiago Amparo, a historiadora e antropóloga Lília Moritz Schwarcz. O documento está sendo organizado com a ajuda de uma rede de organizações da sociedade civil.

O Correio Braziliense conversou com Ricupero, que disse considerar a indicação de Weintraub “um atentado ao pouquíssimo que restava da credibilidade externa do Brasil”. Para o ex-diplomata, o governo Bolsonaro destroçou o patrimônio de soft power acumulado pelo país em décadas de atuação proativa em meio ambiente, direitos humanos, povos indígenas e o que restava era um resquício de competência e seriedade técnicas dos representantes brasileiros em órgãos financeiros mundiais como o Banco Mundial, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

“Agora, com a indicação de indivíduo desqualificado e extremista de direita, até esse resquício desaparece. A única esperança é que os outros países representados pelo diretor do Brasil no Banco Mundial [nossa “constituency”, como se diz na organização] resistam à absurda indicação. Ou que a própria direção do Banco por meio de seus mecanismos de defesa de valores de direitos humanos se oponha um veto em nome da decência”, declarou o ex-ministro que já foi representante do Brasil nas Organizações das Nações Unidas (ONU) e embaixador do país nos Estados Unidos.

O Banco Mundial informou em nota que recebeu uma comunicação oficial das autoridades brasileiras da indicação de Weintraub representando o Brasil e demais países do seu grupo no Conselho da instituição, mas ele ainda precisa ter seu nome aprovado para ficar. “Se eleito pelo seu constituency, ele cumprirá o restante do atual mandato que termina em 31 de outubro de 2020, quando será necessária uma nova nomeação e nova eleição”, destacou o documento.

Com informações do UOL e Correio Braziliense

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