“Todo dia morre um ‘George Floyd’ em São Paulo”, diz Orlando Silva

Único pré-candidato negro à Prefeitura de São Paulo diz, em entrevista ao iG, que é preciso repensar a forma das abordagens policias

O deputado federal e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PCdoB, Orlando Silva, disse que é preciso repensar a forma das abordagens policiais para preservar a vida dos jovens negros da periferia. A declaração foi feita nesta quinta-feira (18), durante uma entrevista ao vivo que o iG tem feito com os possíveis candidatos ao cargo da gestão municipal.

“Todo dia morre um ‘George Floyd’ em São Paulo, como é o caso de Guilherme”, acusou Orlando. Segundo ele, nas periferias, tornou-se comum o assassinato ou prisão de jovens negros. De origem periférica, Orlando Silva é o único pré-candidato negro a tentar a disputa do poder executivo municipal.

“Nasci no bairro de Lobato, região suburbana de Salvador. Vi amigos sendo mortos pela polícia e sonhos serem destruídos. Eu tive sorte de ter acesso a família e a escola”, diz. “É necessário que o Estado assuma seu papel na preservação dessas vidas. A letalidade da polícia em São Paulo cresceu durante a pandemia – veja que loucura.”

Ex-ministro do Esporte (2006-2011) e ex-vereador em São Paulo (2013-2015), Orlando foi eleito deputado em 2014 e está em seu segundo mandato na Câmara Federal. Quando questionado sobre a rejeição que pode ter dos eleitores por ter trabalhado ao lado do PT, o parlamentar explica que erros e acertos foram cometidos, mas que tem orgulho de ter integrado as gestões progressistas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

O Ministério do Esporte, na gestão de Orlando Silva, foi alvo de denúncias infundadas e jamais comprovadas de desvios de verbas. Após dez anos do processo, Orlando nunca foi sequer convocado para depor. “Não deu em nada porque eram denúncias falsas e vazias que tentaram me atingir. Houve absoluta falta de provas. Não tinha um dado objetivo que me incriminasse. A intenção era apenas gerar um escândalo”, disse.

Na opinião de Orlando, é preciso manter o calendário eleitoral de 2020 para garantir a manutenção da democracia. O pré-candidato à prefeitura explica que, diante do contexto da pandemia, é necessário contar com profissionais especialista em saúde para que uma estratégia seja elaborada para garantir segurança do eleitor.

Pela primeira vez, o Partido Comunista do Brasil lançará um candidato na corrida à sucessão do prefeito Bruno Covas. O ineditismo do projeto, segundo Orlando, já tem potencial para reforçar a imagem do PCdoB em São Paulo. “Time que não joga não forma torcida”, justifica.

Políticas municipais

Sobre o avanço da pandemia do novo coronavírus, Orlando avalia que, no início, a gestão da crise foi adequada na capital paulista. Porém, os anúncios estaduais e municipais sobre o relaxamento da quarentena learam à flexibilização – ainda mais – do distanciamento social.

“A volta do futebol sinaliza um certo retorno à normalidade. Toda vez que o governador ou prefeito diz que tem plano para tal dia, sinaliza para a sociedade, de forma simbólica, o fim do isolamento”, afirma Orlando. “Isso se reflete na prática, com mais pessoas relaxando o isolamento – o que detona a redução da quarentena e, consequentemente, aumenta a propagação do vírus. Isso é um erro.”

Com informações do iG

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