Sob ameaça de prisões, rede bolsonarista apaga 3 mil vídeos criminosos

Sob a liderança da família presidencial, os bolsonaristas tiraram do ar vídeos que traziam fake news ou ameaças à legalidade democrática

(Foto: Reprodução)

Alvo de investigações simultâneas do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), além de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Congresso, o “gabinete do ódio” acusou o golpe. Em menos de dois meses, sob a liderança da família presidencial, a ampla rede bolsonarista tirou do ar 3.127 vídeos criminosos (que traziam fake news ou ameaças à legalidade democrática).

Só nos primeiros 21 dias de junho, em um universo de 82 canais pró-Jair Bolsonaro no YouTube, foram 2.015 vídeos retirados. O levantamento é da consultoria Novelo Data, que analisa as “pontas de lança do bolsonarismo digital” nas redes sociais. “Está em curso um processo de limpeza de vídeos dos canais de direita no YouTube Brasil”, tuitou, no domingo (21), o programador Guilherme Felitti, sócio-fundador da Novelo Data.

Até então, o mês com recorde de remoções era junho de 2019, quando o MBL (Movimento Brasil Livre) e Nando Moura, rompidos com Bolsonaro, apagaram vídeos comprometedores de seus canais. Nas últimas semanas, porém, o receio da rede bolsonarista mudou com a abertura do inquérito sobre fake news no STF – e, mais ainda, após o ministro Alexandre de Moraes expedir 29 mandados de busca e apreensão.

Ao cumprir o pedido, no dia 27 de maio, a Polícia Federal chegou a nomes como o blogueiro Allan dos Santos, o empresário Luciano Hang e a ultradireitista Sara Geromini (a Sara Winter). Eles integram a lista de acusados de disparar notícias falsas contra o STF, os 11ministros e seus familiares. A apuração das denúncias pode resultar em multas, condenações e até prisões.

De acordo com o projeto Monitor do Debate Político no Meio Digital, ligado à USP (Universidade de São Paulo), a rede bolsonarista tinha 1.874 menções ao STF e a seus integrantes em abril e maio. Dos cem vídeos mais vistos no período, ao menos 25 foram apagados por seus criadores. “Uma parte delas fazia críticas completamente lícitas e outra parte fazia ataques, inclusive fazendo citação ao fechamento do STF”, afirmou o professor Pablo Ortellado, da USP, à Globo News.

Da Redação, com agências

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