2º maior registro de novos casos aponta para curva em ascensão

Em vez de começar a cair após o achatamento, como em outros países, com a flexibilização do isolamento social que se espalhou por todo o país, e a disseminação do vírus pelo interior do país, a curva começou a se multiplicar exponencialmente, mais uma vez.

(Foto: C. Vinicius Magalhaes/ABr)

O Brasil teve o segundo dia com maior número de novos casos de covid-19 registrados no balanço divulgado hoje (26) pelo Ministério da Saúde. Foram 46.860 pessoas infectadas adicionadas às estatísticas. Com isso, o total subiu para 1.274.974 de casos confirmados. O consórcio da imprensa contou 46.907 novos casos, totalizando 1.280.054 pessoas contaminadas.

Este número aponta para uma curva epidêmica em ascensão, levando em conta que a curva vinha achatada por quatro semanas seguidas. Em vez de começar a cair após o achatamento, como em outros países, com a flexibilização do isolamento social que se espalhou por todo o país, e a disseminação do vírus pelo interior do país, a curva começou a se multiplicar exponencialmente, mais uma vez.

A marca de hoje só foi superada pela última sexta-feira (19), quando a soma das 24 horas atingiu o recorde de 54.771 novas notificações. Depois de uma tendência de queda entre a semana retrasada e a passada, os casos voltaram a aumentar na semana epidemiológica 25, como constatou o Ministério da Saúde nesta semana.

Desde 31 de maio, ou seja, há 27 dias seguidos, o Brasil é líder mundial de novos casos, considerando a média semanal. O dado é da plataforma Our World In Data, ligada a Universidade de Oxford, no Reino Unido. 

FioCruz não vê queda em lugar nenhum

Uma análise dos pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) aponta que nenhum estado apresenta até agora sinais de redução da transmissão de covid-19, permanecendo com um alto número de casos e mortes, apesar da última semana já ter registrado números recordes.

De acordo com os cientistas, esse cenário pode configurar um platô, patamar alto de transmissão que “pode se prolongar indefinidamente”.

Os pesquisadores apontam ainda para o risco de flexibilizar o isolamento social nas grandes metrópoles ao passo em que aumenta a interiorização da epidemia.

Usando Pernambuco como exemplo, a análise mostra que a epidemia de coronavírus cresce nos municípios mais dependentes do sistema de saúde das grandes cidades, que correm o risco de ficarem novamente saturados por pacientes de localidades menores.

Mais de mil mortes diárias

Na contabilidade do Ministério da Saúde, o número de novas mortes foi de 990, abaixo dos últimos dias, somando 55.961 óbitos desde o início da pandemia. O consórcio da imprensa, por sua vez, registrou pelo quarto dia consecutivo mais de mil mortes em 24 horas. Foram 1.055 mortes registradas de ontem para hoje, elevando o total de vidas perdidas para 56.109 no País.

Ontem, o governo federal havia registrado 1.141 novos óbitos; na quarta-feira (24), 1.185; e na terça-feira (23), 1.374.

A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 4,4%. A mortalidade (quantidade de óbitos pela população) atingiu 26,6%. A incidência dos casos de covid-19 no país é de 606.7%.

O balanço do Ministério da Saúde aponta 521.487 pacientes ainda em observação, enquanto o total de recuperados desde o início da pandemia é de 697.526.

Dados regionais

Os estados com maior número de óbitos são São Paulo (13.966), Rio de Janeiro (9.587), Ceará (5.920), Pará (4.803) e Pernambuco (4.610). Ainda figuram entre os estados com altos índices de vítimas em função da pandemia Amazonas (2.739), Maranhão (1.906), Bahia (1.642), Espírito Santo (1.507), Alagoas (975) e Paraíba (864).

As regiões Centro-Oeste e Sul registraram hoje o maior número de novas mortes em decorrência da covid-19 desde o início da pandemia. Foram respectivamente, 96 e 74 óbitos que passaram a constar dos índices oficiais, revela levantamento realizado pelo consórcio de veículos de mídia. O número total de mortes na região Sul do país cresceu 29% na última semana, segundo esse levantamento. No Centro-Oeste, o aumento foi de 45,4%.

Com o índice registrado hoje, o Centro-Oeste ultrapassou a região Norte (89 novos óbitos) e se tornou a terceira do país com mais confirmações de óbito em 24h. Embora tenha menos casos notificados do que o restante do país, os estados do Sul começam a demonstrar em suas curvas comportamento semelhante ao que ocorreu nas últimas semanas no Centro-Oeste, ou seja, de aceleração.

Em média, o Rio Grande do Sul registrou 17 novas mortes por dia na última semana, valor 36% maior do que a semana anterior. A média de Paraná foi de 19 óbitos diários (6% a mais que os sete dias anteriores) e de Santa Catarina, 9 (49%). Três estados do Centro-Oeste tiveram o maior percentual de crescimento do número total de mortes no país desde a última sexta-feira (19). Mato Grosso soma 504 mortes e registrou, em média, 22 novos óbitos por dia na última semana. Goiás contabiliza 425 vítimas, com média diária de 17 novos registros. No Mato Grosso do Sul, 65 pessoas já morreram em decorrência da covid-19, são, em média, 3 por dia. Na região, o maior número de óbitos foi registrado no Distrito Federal: 532. Esse número é 34% maior do que o total de vítimas até a última sexta-feira (19) e, desde então, 19 pessoas, em média, morreram no DF com diagnóstico confirmado de coronavírus.

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