Brasil tem 12,7 milhões desempregados, 30,4 milhões subutilizados

População desalentada subiu para 5,4 milhões, com alta de 15,3% em um trimestre

Com o governo Jair Bolsonaro sem rumo, a economia brasileira em recessão e uma pandemia sem precedentes, o País vive uma explosão de desemprego, subutilização de trabalhadores e desalento. É o que aponta a nova rodada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Mensal, referente ao mês de maio. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa de desocupação no Brasil subiu 1,2 ponto percentual e ficou em 12,9% no trimestre móvel encerrado em maio de 2020. O aumento é registrado em comparação aos três meses entre dezembro de 2019 e fevereiro de 2020, quando era 11,6%. Em relação ao mesmo período de 2019, quando era de 12,3%, o aumento é de 0,6 ponto percentual (p.p).

A população desocupada teve aumento de 3,0% (mais 368 mil pessoas) e passou para 12,7 milhões, ante o trimestre móvel anterior, quando era de 12,3 milhões de pessoas. Já a população ocupada caiu 8,3% (ou seja, 7,8 milhões de pessoas a menos) e atingiu 85,9 milhões em relação ao trimestre anterior. Também houve um tombo de 7,5% (7,0 milhões de pessoas a menos) na comparação ao mesmo trimestre de 2019. De acordo com o IBGE, as duas quedas foram recordes da série histórica.

O nível de ocupação – que é o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – recuou para 49,5%, o menor da série histórica iniciada em 2012. Houve redução de 5,0 pontos percentuais ante o trimestre anterior, quando ficou em 54,5% e de 5 p.p. frente a igual período de 2019 (54,5%).

A taxa composta de subutilização alcançou 27,5% – outro recorde da série – após alta de 4,0 p.p. em relação ao trimestre anterior (23,5%). Em relação a 2019, a taxa subiu 2,5 p.p (25,0%). Também foi recorde da série o total de subutilizados (30,4 milhões de pessoas). A elevação ficou em 13,4%, (3,6 milhões de pessoas a mais) na comparação com o trimestre anterior, quando era 26,8 milhões e 6,5%. Há 1,8 milhão de pessoas a mais em relação ao mesmo período de 2019 (28,5 milhões de pessoas).

Já a população fora da força de trabalho teve, no trimestre, aumento de 9 milhões de pessoas (13,7%), atingindo 75 milhões na comparação com o trimestre anterior. Em relação ao mesmo período de 2019 foram mais 15,9% (10,3 milhões de pessoas).

Mais um recorde na série foi registrado na população desalentada – que subiu para 5,4 milhões, com alta de 15,3% frente ao trimestre anterior e de 10,3% em relação a igual período de 2019. Conforme o IBGE, o percentual de desalentados em relação à população na força de trabalho ou desalentada, de 5,2%, também foi recorde, diante da alta de 1,0 p.p. em relação ao trimestre anterior (4,2%) e de 0,8 p.p. na comparação com o mesmo trimestre de 2019 (4,4%).

Carteira assinada

O número de empregados com Carteira de Trabalho assinada no setor privado (que não inclui trabalhadores domésticos) recuou para 31,1 milhões. É o menor nível da série, 7,5% abaixo (ou menos 2,5 milhões de pessoas) do trimestre anterior e 6,4% abaixo (menos 2,1 milhões de pessoas) do mesmo período de 2019.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado – que é de 9,2 milhões de pessoas – apresentou redução de 2,4 milhões. Isso significa queda de 20,8% em relação ao trimestre anterior, representando 2,2 milhões de pessoas, com redução de 19,0% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.

O total de trabalhadores por conta própria passou para 22,4 milhões de pessoas, após queda de 8,4% ante o trimestre anterior e de 6,7% diante do mesmo período de 2019. A taxa de informalidade atingiu 37,6% da população ocupada, o que representa 32,3 milhões de trabalhadores informais. É o menor índice da série. No trimestre anterior, a taxa ficou em 40,6%, enquanto no mesmo trimestre de 2019 era de 41,0%.

A força de trabalho – que representa as pessoas ocupadas e desocupadas, estimada em 98,6 milhões – recuou 7,0%, representando 7,4 milhões de pessoas a menos, se comparada ao trimestre anterior e 7,3 milhões de pessoas a menos, queda de 6,9%, ante o mesmo período de 2019. Também na comparação com o trimestre anterior, o número de empregadores (4,0 milhões de pessoas) caiu 8,5%, menos 377 mil pessoas, e 8,8% em relação ao mesmo período de 2019, o que significa menos 388 mil.

A Pnad Contínua indica ainda que a categoria de trabalhadores domésticos, estimada em 5,0 milhões de pessoas, registrou queda de 18,9% em relação ao trimestre anterior e de 18,6% comparada ao mesmo período do ano anterior.

Com informações da Agência Brasil

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