Bolsonaro expõe jornalistas à Covid-19 e sindicato oficia empresas

Jair Bolsonaro convocou coletiva presencial no Palácio da Alvarado e ainda tirou a máscara após o fim da entrevista.

Positivo para Covid-19, Bolsonaro tirou máscara diante de equipes de TV - Reprodução/TV Brasil

Ao fazer um anúncio presencial do resultado – positivo – de seu exame para Covid-19, o presidente da República, Jair Bolsonaro, colocou jornalistas em risco. Estavam presentes equipes da CNN, TV Record e TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), vinculada ao governo federal. Bolsonaro usava máscara, mas retirou-a no final da entrevista, concedida no Palácio da Alvorada.

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) divulgou nota afirmando que oficiou as empresas jornalísticas para que suspendam a cobertura presencial no Palácio. Informou, ainda, que pediu às empresas que testem e afastem todos os profissionais que estiveram expostos nos últimos 10 dias, em contato com o presidente da República e com outros membros do Executivo.

O sindicato disse ainda que, caso haja teste positivo de algum jornalista em função de contato com membros do governo infectados, não descarta acionar Jair Bolsonaro na Justiça. “Imagens e denúncias comprovam que o presidente da República, positivo para a Covid-19, colocou em risco os jornalistas e as equipes ao fazer o anúncio. Por que o presidente não solicitou que um médico o fizesse?”, questionou a entidade.

Isolamento

Em entrevista à GloboNews, o médico infectologista Jean Gorinchteyn, do Hospital Emílio Ribas, defendeu que as pessoas que tiveram contato com o presidente de até 72 horas antes do início dos sintomas até o presente, sem que regras de distanciamento e uso de máscara tenham sido respeitadas, façam quarentena.

O médico disse ainda que o uso da máscara é essencial para barrar a disseminação do vírus. O presidente não deveria tê-la retirado, especialmente estando sintomático. “Se eu já estou sintomático, a chance de transmissão é maior que o pré-sintomático porque ele tem secreção e maior multiplicação do vírus na garganta e a chance de dispersão é muito grande. A máscara é um anteparo de disseminação”, afirmou.

“À medida que eu baixo a máscara, eu gotejo essas gotículas de aerossol e de saliva. A gente hoje sabe muito bem que as duas formas de transmissão são por aerossol e gotículas. Ou seja, se eu não tenho distanciamento e não tenho proteção, a chance de infectar as pessoas do entorno acaba sendo muito maior”, acrescentou o infectologista.

O presidente também disse que voltaria a encontrar as pessoas em uma semana. Segundo o infectologista, o período para um paciente retomar as atividades e o contato com outras pessoas é de 14 dias. “Os pacientes normalmente são mantidos em isolamento por 14 dias. Eles só vão sair desse isolamento se, a partir do 11º dia, não estiverem com sintomas. Aí sim eles têm a possibilidade de retomar suas atividades normais com outras pessoas. Mas antes disso, isso é algo proibitivo.”

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